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Estado de Minas NOVO GOVERNO

Lula diz que deve indicar ministros políticos depois da PEC da Transição

Aliados de Lula ressaltam, no entanto, que ministros de perfil mais técnico poderão ser anunciados nos próximos dias


14/12/2022 10:17 - atualizado 14/12/2022 11:01

Lula discursando
O presidente eleito viaja a São Paulo na noite desta quarta-feira (14), onde deverá encontrar o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Josué Gomes. Ele é cotado para comandar o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (foto: Ricardo Stuckert)
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sinalizado a aliados que costuras políticas e a votação da PEC da Transição na Câmara devem adiar o anúncio final da composição da Esplanada dos Ministérios para as vésperas do Natal.

O objetivo do petista é concentrar anúncios de ministros políticos -principalmente de partidos aliados- para depois da aprovação da PEC, numa estratégia para medir sua força no Congresso e a fidelidade das legendas que disputam espaço em seu governo.

Aliados de Lula ressaltam, no entanto, que ministros de perfil mais técnico poderão ser anunciados nos próximos dias. A previsão é que isso ocorra já na próxima sexta-feira (16).

O presidente eleito viaja a São Paulo na noite desta quarta-feira (14), onde deverá encontrar o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Josué Gomes. Ele é cotado para comandar o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A sinalização de Lula reforça o que ele disse na quinta-feira (8) a dirigentes do Avante: que só definirá os escolhidos em atendimento à cota dos partidos políticos aliados depois da aprovação da PEC da Transição na Câmara dos Deputados.

Lula e seus articuladores políticos, entre eles o deputado federal José Guimarães (CE), têm repetido que a prioridade é garantir recursos para benefícios sociais, como a continuidade dos auxílios emergenciais.

Com isso, o presidente eleito também busca tempo para desatar nós e aparar arestas entre aliados na disputa por assentos na Esplanada. Há brigas ainda que ocorrem dentro do próprio PT.

Existe também uma expectativa de que o presidente eleito divulgue em breve mais nomes de mulheres para compor seu ministério. O objetivo é balancear o anúncio da semana passada, quando todos escolhidos foram homens -o que gerou críticas ao petista.

Nesse caso, seriam mulheres que atendem a perfis técnicos ou da cota pessoal do presidente eleito. Entre as cotadas estão Nísia Trindade (Saúde), Izolda Cela (Educação), Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Desenvolvimento Social).

Presente em uma reunião com Lula nesta terça-feira (13), o coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares), Raimundo Bonfim, disse que o petista indicou que o desenho do primeiro escalão só estará concluído dentro de dez dias.

Segundo Bonfim, Lula disse que está ciente de que o futuro Secretário-Geral da Presidência -posto que com status ministerial- deve ser da sua confiança e contar com apoio dos movimentos sociais.

Hoje existem quatro nomes discutidos para a Secretaria-Geral, três deles pessoalmente ligados ao presidente eleito: os deputados Márcio Macedo e Emídio Souza e o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, chegou a propor para o cargo o nome do secretário-geral do partido, Paulo Teixeira (SP). Pessoas que acompanham o tema dizem que uma opção de fora do PT ainda pode ser sugerido a Lula.

Em uma reunião na noite de domingo (11), o presidente eleito definiu com aliados o traçado da Esplanada dos Ministérios. Segundo participantes, o desenho deverá repetir o modelo de seu primeiro governo, quando foram 38 pastas. Para seu terceiro mandato, a expectativa é que sejam 35 pastas.

Na manhã de segunda (12), Lula se reuniu com membros do PT do Ceará para debater a possibilidade de nomeação da governadora do estado, Izolda Cela, para a pasta da Educação.

Como a opção por Izolda não é consensual na bancada do Ceará, o ex-governador e senador eleito Camilo Santana (PT) terá papel decisivo na escolha do representante do estado no governo Lula.

O próprio Camilo poderia vir a ocupar uma cadeira na equipe de Lula. Ele é mencionado para a pasta das Cidades ou Planejamento.

Outro cargo em disputa é o Ministério do Turismo. Em reunião com Lula na semana passada, o Avante defendeu a nomeação do presidente do partido, Luís Tibé, para comandar a pasta.

Na conversa, Lula agradeceu o apoio do partido à sua candidatura ainda no primeiro turno. Foi então que informou que só deverá anunciar ministros com perfil político depois da votação da PEC.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB) chegou a ser cogitado para o Turismo, mas dificilmente o PSB ocupará três assentos na Esplanada.

O senador eleito Flávio Dino (PSB-MA) foi anunciado na última sexta (9) como titular da pasta de Justiça e Segurança Pública. Outro cotado como ministeriável é o ex-governador Márcio França (PSB-SP).

França despontou como favorito para chefiar o Ministério das Cidades -mas seu nome perdeu força nos últimos dias. Como alternativa, França poderia comandar o Ministério de Ciência e Tecnologia. O PSB não está satisfeito com o arranjo.

Já o Ministério das Comunicações, que será separado da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) no novo governo, poderá ser usado nas negociações para reforçar a base aliada no Congresso.

Um nome dado como certo entre petistas é o do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) para a Articulação Política, cargo que já foi cobiçado pelo deputado federal José Guimarães. Como compensação, o cearense poderá ocupar a liderança do governo na Câmara.

Ainda há disputas pelas pastas das Mulheres e de Igualdade Racial. No primeiro, desponta o nome da ex-senadora e atual deputada federal Rejane Dias (PT-PI), indicação de seu marido e senador eleito Wellington Dias (PT-PI). A secretária de mulheres do PT, Anne Moura, também é citada.

Na Igualdade Racial, são cotados o historiador Douglas Belchior e a ex-ministra Nilma Lino Gomes.

Outra pasta cobiçada é a do Trabalho. Centrais sindicais indicaram o nome do ex-ministro e deputado eleito Luiz Marinho (PT-SP), mas o PC do B já manifestou interesse pelo ministério.

Na frente técnica, o presidente eleito deve anunciar nos próximos dias a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, como nova ministra da Saúde. O nome já circulava há semanas como provável para ocupar a pasta.

Lula disse a aliados que gostaria de uma mulher no comando do ministério. Mencionou ainda que não queria indicar alguém do setor privado.

Nísia é socióloga com mestrado em ciência política e doutora em sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Ela é presidente da Fiocruz desde 2017.

Na tarde desta terça, a cantora Margareth Menezes confirmou que chefiará o Ministério da Cultura. Ela é primeira mulher entre os anunciados.

A senadora Simone Tebet, terceira colocada no primeiro turno e que se engajou na campanha do petista, também é certa para ocupar algum espaço na Esplanada.

Tebet é uma das cotadas para assumir a pasta do Desenvolvimento Social, responsável pelo gerenciamento do programa Bolsa Família. No entanto, há resistência no PT a entregar uma das vitrines do futuro governo a uma eventual adversária nas próximas eleições presidenciais.

Além disso, petistas defendem o nome da ex-ministra Tereza Campello, militante histórica do PT e especialista em assuntos referentes a programas de transferência de renda.


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