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Estado de Minas EX-MINISTRO

Mandetta: 'Hoje, 600 mil vidas me separam do Bolsonaro'

Ex-ministro da Saúde, que foi demitido do cargo no início da pandemia, disse que deixaria governo após ataques à democracia no 7 de setembro


26/09/2021 22:12 - atualizado 26/09/2021 22:19

Mandetta disse que decisões tomadas por Bolsonaro durante a pandemia foram cruéis com os brasileiros
Mandetta disse que decisões tomadas por Bolsonaro durante a pandemia foram cruéis com os brasileiros (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que deixaria o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após  os ataques à democracia no último 7 de setembro caso não tivesse sido demitido no início da pandemia da COVID-19 . Mandetta afirmou ainda que "600 mil vidas" o separam de Bolsonaro, se referindo aos 594.443 mortes de brasileiros por COVID-19 até esta noite de demonig (26/09).

Mandetta destacou que ouviu órgãos de saúde pelo mundo para combater a COVID-19 no Brasil, mas disse que Bolsonaro afirmou que estava preocupado com a economia e que teria ressaltado que "vai morrer quem já tinha que morrer". O ex-ministro da Saúde, demitido justamente por discordâncias com o presidente, disse que teria saído do cargo caso estivesse nele durante o 7 de setembro.

Na ocasião, Bolsonaro fez discursos com ataques à democracia, dizendo que não seguiria mais decisões proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que só sairia da presidência em caso de prisão ou morte.

"Eu não negocio valores que são éticos. Ali ele me decepciona e decepciona milhões de brasileiros e continua nessa decepção com os ataques à democracia. Mesmo que eu não tivesse saído naquele episódio (do começo da pandemia), com certeza nesse ataque à democracia eu não ficaria porque é um dos princípios que me regem", disse o ex-ministro, em entrevista à "GloboNews" neste domingo (26/9).

No começo do governo Bolsonaro, Mandetta relatou ter falado com o presidente e com o restante do corpo ministerial que "se quisessem enterrar definitivamente o PT, tinha que fazer um bom governo e trabalhar sério". No entanto, de janeiro de 2019 para cá, o ex-ministro da Saúde disse que se vê afastado de Bolsonaro por "600 mil vidas".

"Hoje, 600 mil vidas me separam do Bolsonaro. São 600 mil razões que as tomadas de decisões foram muito cruéis com o povo brasileiro, com as consequências socioeconômicas que estamos vivendo", concluiu.


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