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Estado de Minas PANDEMIA

Terra justifica demissão de Mandetta: 'Tem que se adaptar ao presidente'

A declaração foi dada durante os questionamentos do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), na CPI da COVID, nesta terça-feira


22/06/2021 18:02 - atualizado 22/06/2021 18:29

O deputado Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania e aliado do presidente Jair Bolsonaro(foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O deputado Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania e aliado do presidente Jair Bolsonaro (foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O deputado e médico Osmar Terra (MDB-SP), que depõe à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, nesta terça-feira (22/6), defendeu a demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 
 


A declaração foi feita durante os questionamentos do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Vieira questionou Terra sobre a conversa, que acabou vazada, entre ele e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Onyx Lorenzoni, na quel Terra dizia que Mandetta precisaria de se adequar ao discurso de Jair Bolsonaro.

“Gostaria de entender o porquê da interferência tecnica”, questionou o senador.

“Respeito Mandetta… fui eu que ajudei ele a ser ministro, participei da articulação política. Tenho respeito, embora ele não tenha o mesmo por mim. Sempre achei que o mais importante não era trocar o ministro, mas sim alinhar ele (sic) para discutir ideias parecidas com as do presidente. Aqui quem manda é o presidente. Se der errado, a culpa sempre vai ser dele. Por isso, o ministro teria que se adaptar”, disse Terra.

Alessandro então finalizou suas perguntas repudiando as falas de Terra: “Só queria dizer que essa fala não corresponde ao que a legislação permite. Na hipótese de um líder político orientar um técnico de forma equivocada… cabe ao técnico não aceitar”.
 
 

“Nunca cabe ao técnico se adaptar ao político”, disse Vieira. “O senhor falou que é a favor da máscara, o presidente é contra. O senhor falou que é a favor da vacina, o presidente é contra. Essa desconexão do técnico e político exige postura e coragem. Ninguém se elege imperador do Brasil”, pontuou Vieira.

Mandetta foi demitido por não concordar com as ações do presidente durante a pandemia de COVID-19.

Bolsonaro queria o relaxamento de medidas de isolamento social e a permissão para o uso de remédios sem eficácia. Por ser médico, Mandetta não concordou com as ações, sendo afastado do Ministério.
 
 

Entenda

Osmar Terra, apontado como integrante do “gabinete paralelo” que orientava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento ao coronavírus, foi o depoente da CPI da COVID nesta terça-feira (22/6).

A participação de Terra no “gabinete paralelo” foi citada pela primeira vez em maio, durante depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI. Na ocasião, Mandetta afirmou que “outras pessoas” buscavam desautorizar orientações do Ministério da Saúde a Jair Bolsonaro. Entre elas, o ex-ministro da Cidadania.

Em reunião realizada em setembro do ano passado com a presença do presidente Bolsonaro, o parlamentar foi apresentado como “padrinho” de um grupo de médicos que apoiavam o uso de remédios sem eficácia contra a COVID-19.

“Em várias oportunidades, Osmar Terra externou sua opinião sobre a forma como deveria se dar o enfrentamento à crise. Imunização coletiva não pela vacinação em massa da população, mas por meio da exposição do maior número possível de pessoas”, afirmaram os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) na justificativa do requerimento aprovado pela CPI.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é autor de outro pedido para ouvir Osmar Terra. Embora os requerimentos tenham sido inicialmente apresentados como convocação, acabaram sendo votados na forma de convite.

  

*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina 
  

 


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