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Estado de Minas CPI DA COVID

Alessandro Vieira sobre Bolsonaro: 'Ninguém se elege imperador do Brasil'

O senador questionou o ex-ministro da Cidadania sobre a demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta


22/06/2021 17:51 - atualizado 22/06/2021 18:22

Alessandro reforçou que Bolsonaro toma decisões políticas (foto: Senado Federal/Reprodução)
Alessandro reforçou que Bolsonaro toma decisões políticas (foto: Senado Federal/Reprodução)
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) fez uma série de questionamentos sobre as ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia, ao médico e deputado Osmar Terra (MDB-RS) durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, realizada nesta terça-feira (22/6). Em um dos posicionamentos, o senador ponderou que “ninguém se elege imperador do Brasil”.
 


Então, Alessandro perguntou se Osmar teria alguma dúvida se a redução de mobilidade e o distanciamento social ajudaram a reduzir mortes por COVID-19 no Brasil. 

O médico afirmou que não tinha “dúvida nenhuma”, já que o distanciamento não deu certo, porque na opinião dele, pessoas foram contaminadas dentro de casa.

Vieira questionou Terra sobre a conversa vazada dele com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Onyx Lorenzoni, em que ele dizia que o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta precisaria se adequar ao discurso de Jair Bolsonaro. “Gostaria de entender o motivo da interferência técnica."

“Respeito Mandetta… fui eu que ajudei-o a ser ministro, participei da articulação política. Tenho respeito, embora ele não tenha o mesmo por mim. Sempre achei que o mais importante não era trocar o ministro, mas sim alinhá-lo para discutir ideias parecidas com as do presidente. Aqui quem manda é o presidente. Se der errado, a culpa sempre vai ser dele. Por isso, o ministro teria que se adaptar”, explica Terra.



Alessandro então finalizou as perguntas e repudiou as falas de Terra. “Só queria dizer que essa fala não corresponde ao que a legislação permite. Na hipótese de um líder político orientar um técnico de forma equivocada… cabe ao técnico não aceitar”, explica o senador.

“Nunca cabe ao técnico se adaptar ao político”, disse Vieira. “O senhor falou que é a favor da máscara, o presidente é contra. O senhor falou que é a favor da vacina, o presidente é contra. Essa desconexão do técnico e político exige postura e coragem. Ninguém se elege imperador do Brasil”, pontua Vieira.
 
 

Entenda 

Osmar Terra, apontado como integrante do “gabinete paralelo” que orientava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento ao coronavírus, depôs na CPI da COVID nesta terça-feira (22/6).

A participação de Terra no “gabinete paralelo” foi citada pela primeira vez em maio, durante depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI. Na ocasião, Mandetta afirmou que “outras pessoas” buscavam desautorizar orientações do Ministério da Saúde a Jair Bolsonaro. Entre elas, o ex-ministro da Cidadania.

Em reunião realizada em setembro do ano passado com a presença do presidente Bolsonaro, o parlamentar foi apresentado como “padrinho” de um grupo de médicos que apoiavam o uso de remédios sem eficácia contra a COVID-19.

“Em várias oportunidades, Osmar Terra externou sua opinião sobre a forma como deveria se dar o enfrentamento à crise. Imunização coletiva não pela vacinação em massa da população, mas por meio da exposição do maior número possível de pessoas”, afirmaram os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE) na justificativa do requerimento aprovado pela CPI.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é autor de outro pedido para ouvir Osmar Terra. Embora os requerimentos tenham sido inicialmente apresentados como convocação, acabaram sendo votados na forma de convite.
 
* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.  
 
 

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).

Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

O que a CPI da COVID investiga?


O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.



Saiba como funciona uma CPI

Após a coleta de assinaturas, o pedido de CPI é apresentado ao presidente da respectiva casa Legislativa. O grupo é oficialmente criado após a leitura em sessão plenária do requerimento que justifica a abertura de inquérito. Os integrantes da comissão são definidos levando em consideração a proporcionalidade partidária — as legendas ou blocos parlamentares com mais representantes arrebatam mais assentos. As lideranças de cada agremiação são responsáveis por indicar os componentes.

Na primeira reunião do colegiado, os componentes elegem presidente e vice. Cabe ao presidente a tarefa de escolher o relator da CPI. O ocupante do posto é responsável por conduzir as investigações e apresentar o cronograma de trabalho. Ele precisa escrever o relatório final do inquérito, contendo as conclusões obtidas ao longo dos trabalhos. 

Em determinados casos, o texto pode ter recomendações para evitar que as ilicitudes apuradas não voltem a ocorrer, como projetos de lei. O documento deve ser encaminhado a órgãos como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGE), na esfera federal.

Conforme as investigações avançam, o relator começa a aprimorar a linha de investigação a ser seguida. No Congresso, sub-relatores podem ser designados para agilizar o processo.

As CPIs precisam terminar em prazo pré-fixado, embora possam ser prorrogadas por mais um período, se houver aval de parte dos parlamentares

O que a CPI pode fazer?

  • chamar testemunhas para oitivas, com o compromisso de dizer a verdade
  • convocar suspeitos para prestar depoimentos (há direito ao silêncio)
  • executar prisões em caso de flagrante
  • solicitar documentos e informações a órgãos ligados à administração pública
  • convocar autoridades, como ministros de Estado — ou secretários, no caso de CPIs estaduais — para depor
  • ir a qualquer ponto do país — ou do estado, no caso de CPIs criadas por assembleias legislativas — para audiências e diligências
  • quebrar sigilos fiscais, bancários e de dados se houver fundamentação
  • solicitar a colaboração de servidores de outros poderes
  • elaborar relatório final contendo conclusões obtidas pela investigação e recomendações para evitar novas ocorrências como a apurada
  • pedir buscas e apreensões (exceto a domicílios)
  • solicitar o indiciamento de envolvidos nos casos apurados

O que a CPI não pode fazer?

Embora tenham poderes de Justiça, as CPIs não podem:

  • julgar ou punir investigados
  • autorizar grampos telefônicos
  • solicitar prisões preventivas ou outras medidas cautelares
  • declarar a indisponibilidade de bens
  • autorizar buscas e apreensões em domicílios
  • impedir que advogados de depoentes compareçam às oitivas e acessem
  • documentos relativos à CPI
  • determinar a apreensão de passaportes

A história das CPIs no Brasil

A primeira Constituição Federal a prever a possibilidade de CPI foi editada em 1934, mas dava tal prerrogativa apenas à Câmara dos Deputados. Treze anos depois, o Senado também passou a poder instaurar investigações. Em 1967, as CPMIs passaram a ser previstas.

Segundo a Câmara dos Deputados, a primeira CPI instalada pelo Legislativo federal brasileiro começou a funcionar em 1935, para investigar as condições de vida dos trabalhadores do campo e das cidades. No Senado, comitê similar foi criado em 1952, quando a preocupação era a situação da indústria de comércio e cimento.

As CPIs ganharam estofo e passaram a ser recorrentes a partir de 1988, quando nova Constituição foi redigida. O texto máximo da nação passou a atribuir poderes de Justiça a grupos investigativos formados por parlamentares.

CPIs famosas no Brasil

1975: CPI do Mobral (Senado) - investigar a atuação do sistema de alfabetização adotado pelo governo militar

1992: CPMI do Esquema PC Farias - culminou no impeachment de Fernando Collor

1993: CPI dos Anões do Orçamento (Câmara) - apurou desvios do Orçamento da União

2000: CPIs do Futebol - (Senado e Câmara, separadamente) - relações entre CBF, clubes e patrocinadores

2001: CPI do Preço do Leite (Assembleia de MG e outros Legislativos estaduais, separadamente) - apurar os valores cobrados pelo produto e as diretrizes para a formulação dos valores

2005: CPMI dos Correios - investigar denúncias de corrupção na empresa estatal

2005: CPMI do Mensalão - apurar possíveis vantagens recebidas por parlamentares para votar a favor de projetos do governo

2006: CPI dos Bingos (Câmara) - apurar o uso de casas de jogo do bicho para crimes como lavagem de dinheiro

2006: CPI dos Sanguessugas (Câmara) - apurou possível desvio de verbas destinadas à Saúde

2015: CPI da Petrobras (Senado) - apurar possível corrupção na estatal de petróleo

2015: Nova CPI do Futebol (Senado) - Investigar a CBF e o comitê organizador da Copa do Mundo de 2014

2019: CPMI das Fake News - disseminação de notícias falsas na disputa eleitoral de 2018

2019: CPI de Brumadinho (Assembleia de MG) - apurar as responsabilidades pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão
  
  


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