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Estado de Minas EX-CÚPULA DA SAÚDE

CPI dos 'fura-filas' na vacinação em MG caminha para o fim com alto escalão

Reta final dos trabalhos da CPI na ALMG inclui reuniões com nomes que figuraram no alto escalão da Saúde


03/05/2021 04:00 - atualizado 03/05/2021 09:51

Presidente João Vítor Xavier vai ouvir gestores da Saúde em Minas e espera concluir investigação em duas semanas(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Presidente João Vítor Xavier vai ouvir gestores da Saúde em Minas e espera concluir investigação em duas semanas (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) caminha para um desfecho das investigações do descumprimento da prioridade da vacinação contra COVID-19 por parte de servidores do governo de Minas, em especial os ligados à Secretaria de Estado de Saúde (Ses). A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada pelo Legislativo em 18 de março e denominada de CPI dos Fura-fila, vai para as últimas reuniões com nomes que figuraram no alto escalão da SES.

O primeiro depoimento dessa série final será às 14h desta segunda-feira (03/05). Ex-chefe de gabinete da Ses, João Márcio da Silva de Pinho. Ele iria depor na sexta-feira, mas pediu adiamento para se inteirar dos documentos coletados pela CPI. João Pinho é suspeito de interferir nas investigações, ao negociar a mudança de servidores imunizados do regime de teletrabalho para o presencial.

Nesta terça-feira (04/05), às 9h, duas investigadas serão ouvidas pelos deputados estaduais: Virgínia Cornélio da Silva, ex-assessora-chefe de comunicação social, e Janaína Fonseca Almeida, diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis. Virgínia foi exonerada uma semana depois de o escândalo se tornar público e é suspeita de ter escolhido alguns funcionários para serem imunizados.

Na quinta-feira (06/05), também às 9h, o ex-secretário adjunto de Saúde será ouvido como investigado. Luiz Marcelo Cabral Tavares é considerado um dos pivôs do esquema de vacinação entre os servidores, que se tornou público em março deste ano, e acabou exonerado do cargo no dia 13 daquele mês, justamente por conta do escândalo.

No dia 11 de maio (terça-feira), às 9h, o grande pivô do esquema estará na ALMG para prestar depoimento. Ex-secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, investigado de referendar todo o esquema, será ouvido pelos parlamentares. Ele também foi exonerado em 13 de março por conta do escândalo, mas nega qualquer ilegalidade nos atos.

Presidente da CPI dos Fura-fila, o deputado estadual João Vítor Xavier diz que a comissão fez seu trabalho de forma correta. Ele também afirma que, dentro de duas semanas, já deve ser possível tirar resultados das investigações.

"Estamos caminhando para o final. Já tem uma linha muito concreta de investigação e apuração, cumprimos os protocolos necessários. Ouvimos convidados, testemunhas e agora os investigados. É o momento exato para que se defendam, importante essa oportunidade de defesa. São ouvidos, escutados e é uma chance de se defender e apresentar o contraditório ao que for questionado. Dentro de duas semanas devemos finalizar essa primeira parte.”, afirmou.
 

CPI segue apurações 


A CPI já teve 11 reuniões (uma ordinária e dez extraordinárias) e ouviu diversas pessoas, na condição de testemunha ou investigado, todas com alguma ligação com a saúde de Minas Gerais. A tendência é que Amaral seja o último depoente no âmbito dos fura-fila, mas um resultado não deve ser protocolado de imediato.

Isso porque a CPI terá uma segunda parte que vai analisar os investimentos do governo de Minas na saúde estadual no ano de 2020. Os deputados têm a informação de que não foi investido o mínimo constitucional de 12% na saúde.
 
“Essa segunda parte foi pensada pois chamou a atenção que Minas foi o único estado que o investimento diminuiu em um ano de início de pandemia. Em outros, houve aumento, e aqui diminuiu, até abaixo do mínimo, e é importante que o Estado explique isso. Queremos buscar uma explicação para que, nesse momento que mais precisou do investimento, não tivemos.”, afirmou João Vítor Xavier.
 
A comissão tem até 120 dias (com possibilidade de prorrogação de 60) desde a instalação para divulgar um relatório final, produzido pelo deputado estadual Cássio Soares (PSD). Os deputados vão analisar a possibilidade de divulgar dois relatórios, uma para cada assunto das investigações.


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