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Estado de Minas PANDEMIA

Fura-fila: Zema confirma demissão de suspeitos de obstrução de investigação

Chefe de gabinete da Secretaria de Saúde e assessor de comunicação foram exonerados após vazamento de áudio em que estratégia é combinada


23/04/2021 17:30 - atualizado 23/04/2021 18:00

João e Everton participaram de reunião em que a mudança de servidores em home office para o teletrabalho foi proposta(foto: Gadyston Rodrigues/EM/D.A Press)
João e Everton participaram de reunião em que a mudança de servidores em home office para o teletrabalho foi proposta (foto: Gadyston Rodrigues/EM/D.A Press)
O governador Romeu Zema (Novo) oficializou a demissão de João Márcio Silva de Pinho, chefe de gabinete, e Everton Luiz de Souza, chefe da Assessoria de Comunicação, devido ao desdobramentos da vacinação de servidores administrativos da pasta. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (23/4).
 

João e Everton participaram de reunião em que a mudança de servidores em home office para o teletrabalho foi proposta. A troca foi pensada para proteger os profissionais das investigações feitas por Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Assembleia Legislativa.

No áudio da reunião, obtido pelo Estado de Minas, um participante, que se apresenta como João e diz ser o chefe de gabinete, cita que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembleia para investigar possíveis “fura-filas” e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitaram documentos detalhando se os imunizados estavam em home office ou em trabalho de campo à época da aplicação das injeções. Os órgãos de investigação pedem, ainda, que seja informado o regime de trabalho dos vacinados à época da reunião.

Ele, então, sugere que funcionários vacinados em home office voltem ao trabalho presencial para que ele possa alterar o documento a ser enviado às autoridades. “Acho que seria mais seguro para vocês se passassem a ter regime presencial e que o documento indicasse isso”, diz.

O interlocutor pede aos demais participantes que façam expediente presencial durante a maior parte dos dias úteis. “Eu não manteria o regime de teletrabalho, de forma alguma. Passaria a vir quatro vezes por semana, no mínimo. Se fosse eu, particularmente, até viria todos os dias da semana, por precaução, mesmo que em alguns dias venha (por) menos horas”, pontua.

A proposta recebe a concordância de um dos ouvintes. “Se é a saída mais segura, vamos nela.”

Durante o encontro, ocorrido em uma sexta-feira sem data detalhada no áudio, um dos participantes confirma ter recebido a segunda dose da vacina três dias antes. João Pinho havia sido mantido no cargo mesmo após a demissão de Carlos Eduardo Amaral, em 11 de março, e a chegada de Fábio Baccheretti. Everton, por seu turno, substituiu Virginia Cornélio da Silva, demitida no mês passado.


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