Publicidade

Estado de Minas POSICIONAMENTO

Bolsonaro adota tom conciliador e defende reformas e privatizações

Presidente participou de reunião emergencial de governos da América do Sul para discutir o combate à pandemia da COVID-19


16/03/2021 16:18 - atualizado 16/03/2021 16:36

(foto: Marcos Correa/Agência Brasil)
(foto: Marcos Correa/Agência Brasil)
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) optou por defender a agenda liberal e ler um discurso mais conciliador em reunião emergencial do Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (Prosul) realizado, nesta terça-feira (16/03), para debater os desafios no combate à pandemia de COVD-19.

“Estamos firmemente determinados a aprovar iniciativas que permitirão o crescimento sustentável da nossa economia nos próximos anos, como a reforma administrativa, a reforma tributária, a nova lei de falências e a privatização de empresas estatais”, afirmou.

Ele disse que o governo busca também “estabelecer marcos regulatórios que fortaleçam a segurança jurídica, melhore o ambiente de negócios e amplie os investimentos em investimentos em diversos setores, como, por exemplo, o de petróleo e gás, de infraestrutura viária, de saneamento e de bioeconomia.

O chefe do Executivo propôs uma ação coordenada entre os países do fórum de diálogo criado em 2019 pelo presidente do Chile, Sebastián Piñera. “O Prosul nos proporciona uma ótima oportunidade de coordenação para enfrentamento desse desafio na retomada”, disse. “Consideramos que um dos grandes desafios do pós-pandemia será aumentar o fluxo de investimentos voltado a financiar o desenvolvimento sustentável na nossa região”, afirmou.

Mesmo diante dos desafios da pandemia, Bolsonaro defendeu o combate ao crime organizado na região. "Necessitamos reforçar nossos esforços conjuntos na luta cotnra o narcotráfico, terrorismo e outras formas de criminalidade”, adicionou.

Bolsonaro também demonstrou entusiasmo com o fundo montado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a Amazônia e que é visto como uma alternativa ao Fundo Amazônia, que foi paralisado pelo atual governo apontando suposto “viés ideológico” e que será apresentado durante a assembleia do banco em uma reunião paralela. “Registro meu entusiasmo com a estruturação da iniciativa Amazônica, voltada para o desenvolvimento sustentável naquela região ”, afirmou.

Balanço das medidas fiscais 

O presidente fez um balanço das medidas fiscais adotadas pelo Brasil no ano passado no combate aos efeitos econômicos da pandemia e que representaram 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB)”. Ele destacou o auxílio emergencial para as pessoas mais vulneráveis, como “um dos maiores programas sociais do mundo”, por ter beneficiado 67 milhões de brasileiros e cujos pagamentos somaram cerca de US $50 bilhões.

“Neste momento, trabalhamos para estender esse auxílio emergencial por mais alguns meses até que consigamos superar a situação lamentável que temos ainda hoje”, declarou.

Bolsonaro reforçou que, em 2020, o PIB brasileiro recuou 4,1%, "o que corresponde a menos da metade da queda projetada por especialistas no início da pandemia" devido às medidas tomadas pelo governo. "A economia brasileira iniciou sua trajetória de recuperação já no quarto trimestre do ano passado, com crescimento de 3,2% em relação ao trimestre anterior”, adicionou.

Diante do aumento dos temores de que, diante da queda na popularidade, Bolsonaro partir para medidas menos austeras do ponto de vista fiscal, o presidente aproveitou o evento para sinalizar que está comprometido com a agenda liberal. “O FMI (Fundo Monetário Nacional) qualificou a resposta do governo brasileiro à pandemia como rápida e substantiva e deixou clara a importância do comprometimento das autoridades, mesmo nas atuais circunstâncias, com o teto de gastos e o equilíbrio fiscal. Temos mantido esse compromisso”, ressaltou.

Bolsonaro não falou de improviso e foi breve na leitura sem ponto final nas frases em seu discurso durante a teleconferência em que ele apareceu no vídeo tendo ao seu lado os ministros Paulo Guedes (Economia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). E, sem alterar o tom de voz durante a leitura do texto, o presidente não demonstrou emoção ao dizer que se solidarizava com as “milhões de famílias que, sem o amparo dos governos nacionais, perderam seus meios de subsistência, sua segurança alimentar e sua dignidade como seres humanos”.

Preocupação com Bolívia

Logo no início do discurso direcionou um único ataque à Bolívia, afirmando que a prisão da ex-presidente Jeanine Áñez Chávez, é totalmente descabida. “Antes de tratarmos da temática econômica, cumpre recordar que a defesa e promoção da democracia é um dos princípios 'brasilares' (sic) do Prosul. Nesse sentido, nos preocupam os acontecimentos em curso na Bolívia”, disse.

“Noso vizinho e pais irmão, onde a ex- presidente Jeanine e outras autoridades foram presas sob a alegação de participação em golpe que nos parece totalmente descabida”, disse. “Esperamos que a Bolívia mantenha em plena vigência o estado de direito e a convivência democrática”, acrescentou Bolsonaro.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade