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Estado de Minas VÍDEO

Prefeito de Divinópolis chama empresária de louca por pedir revisão do IPTU

Alexandra Galvão pediu a prorrogação do pagamento do imposto por causa do impacto gerado pela pandemia; prefeito diz que vídeo não mostra todo o contexto


11/02/2021 18:51 - atualizado 11/02/2021 20:16

Alexandra Galvão participou da reunião no Centro Administrativo com o prefeito (camisa de malha e máscara)(foto: Reprodução do vídeo da reunião)
Alexandra Galvão participou da reunião no Centro Administrativo com o prefeito (camisa de malha e máscara) (foto: Reprodução do vídeo da reunião)

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PSC) chamou a presidente da Associação Comercial Industrial, Agropecuária e Serviços de Divinópolis (Acid), Alexandra Galvão de louca após ela pedir a revisão das condições de pagamento dos tributos municipais. O vídeo viralizou nas redes sociais. A empresária também é presidente do Grupo Gestor formado por 18 entidades empresariais.

 

A reunião foi realizada nesta quarta-feira (10/02) no Centro Administrativo. Dentre as revisões estava a prorrogação do prazo para pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).



A solicitação feita pela entidade foi baseada no impacto financeira gerado pela crise provocada pela pandemia da COVID-19 tanto para a pessoa jurídica, como física. O mesmo pedido foi feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), como mostrou o Estado de Minas.

 

Ao tentar explicar o reflexo também nos cofres públicos, Azevedo, em tom ríspido disparou: “A pandemia não é nossa não. A prefeitura é como uma empresa. A partir do momento que parou o comércio a conta vai chegar e chegou aqui também. Você está achando que a questão de IPTU eu vou largar, pronto e acabou? Você está ficando louca? Tenho R$ 22 milhões de folha de pagamento para pagar todo mês”.

 

Em seguida, Alexandra retrucou: “Você está me chamando de louca?”. O prefeito não hesitou em responder: “Essa atitude sua é de louca. É louca, é louca. Senta naquela cadeira ali para você ver”.

A presidente da entidade insistiu: “Mas porque você está me chamando de louca?”. Interrompida, ela pediu licença e continuou: “Estou defendendo uma classe”. Azevedo voltou a interrompê-la: “Eu sou dessa classe”. Ele é um dos proprietários de um varejão.

 

Pedido de desculpas

 

As declarações repercutiram na reunião da câmara desta quinta-feira (11/02) entre as duas vereadoras mulheres. Lohanna França (Cidadania) e Ana Paula do Quintino (PSC) pediram que o prefeito venha a público se desculpar. Em um discurso mais firme, Lohanna, a vereadora mais jovem e votada da história de Divinópolis, defendeu o direito de Alexandra de solicitar e o do prefeito em negar. Mas, cobrou “respeito”.

 

“Falar não é prerrogativa do prefeito, mas ele tem que falar não com respeito. Ele estava tratando com uma mulher, uma mulher ocupando um cargo muito legítimo, que representa muita gente que gera emprego, responsável pelo PIB, a frente das poucas empresas que essa cidade ainda tem”, afirmou.

 

A vereadora disse ter se sentido ofendida. “Como mulher eu fiquei pessoalmente ofendida. Já falei com o prefeito, achei desrespeitoso e que vale um pedido de desculpa”, afirmou. Lohanna ainda declarou que não aceitaria ser chamada de louca e que essa declaração é uma forma de “descredibilizar” as mulheres.


“Toda mulher que fala um pouco mais grosso, em um espaço de poder, ou é louca ou é mandona, mas o homem que fala mais grosso, é firme, né? Decidido, é sério e sabe o que tem que ser feito”, ressaltou.

 

Da base do prefeito, Ana Paula o pediu que ele se desculpe. “Gostaria de te pedir de coração que você viesse a público e pedisse desculpas à Alexandra Galvão”, disse. Antes, ela relatou ter conversado duas horas com ele no dia anterior. Porém, não revelou o teor.

 

Nenhum dos 15 vereadores homens comentaram sobre o assunto durante a reunião.

 

“A situação é louca”

 

O prefeito disse que não se referiu a presidente da entidade, mas sim à situação que seria provocada caso o pedido fosse acatado. “Eu falo que a situação é louca. Não estava referindo a ela, estava falando da situação”, afirmou. Azevedo ainda disse que o vídeo não mostra todo o contexto da reunião e corta a parte explicativa do secretário de Fazenda, Gabriel José Vivas Pereira pontuando os impedimentos para prorrogar o pagamento e isentar de taxas.

 

“A gente está trabalhando com o orçamento do ano passado. Se fosse para o ano que vem, conseguiríamos fazer um estudo com essa hipótese. Já estamos em fevereiro, muita gente já pagou. Mas o vídeo não mostra isso”, explicou.

A assessoria de comunicação da Acid disse que a presidente estava em reunião e que a entidade ainda estava tratando sobre o assunto. 

 

*Amanda Quintiliano especial para o EM

 


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