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Estado de Minas CÂMARA DE BH

COVID-19: Vereadores aprovam requerimento que sugere à PBH uso de cloroquina

Comitê formado para debater enfrentamento à pandemia do coronavírus deu aval ao texto; bolsonarista diz ter se curado da infecção graças a coquetel de medicamentos


22/07/2020 15:20 - atualizado 22/07/2020 15:38

A prescrição da cloroquina tem sido defendida veementemente pelo presidente Jair Bolsonaro(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D. A Press)
A prescrição da cloroquina tem sido defendida veementemente pelo presidente Jair Bolsonaro (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D. A Press)
Os integrantes da Comissão Especial de Estudo e Enfrentamento da COVID-19, instalada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), aprovaram requerimento que sugere, à Prefeitura de Belo Horizonte, a utilização de coquetel composto por hidroxicloroquina, azitromicina e sulfato de zinco para tratar pacientes diagnosticados ou com suspeita do novo coronavírus. O texto, apresentado por Fernando Borja (Avante), recebeu o aval dos vereadores nessa terça-feira (21).

A votação ocorreu antes de audiência pública para debater o papel dos parlamentos municipais de cidades próximas à capital no enfrentamento à pandemia. Segundo o vereador Dr. Bernardo Ramos (Novo), que é médico, Belo Horizonte utiliza protocolo que permite a administração dos medicamentos conforme avaliação conjunta entre médico e paciente.

Para receber as doses, é preciso assinar termo de consentimento, visto que as substâncias podem ocasionar efeitos colaterais.

Gabriel Azevedo (Patriota), Professor Juliano Lopes (PTC) e Jair Di Gregório (PSD) deram aval ao requerimento. Bella Gonçalves (Psol), por seu turno, votou contrariamente.

“Eu não faria um requerimento que contraria o que as equipes médicas têm reivindicado em termos de estruturação e autonomia para fazer a avaliação de cada caso clínico. O uso da cloroquina, medicação disponível para tratamento de várias enfermidades, tem sido altamente politizado. Esse requerimento me parece mais uma forma de politizar algo que é um procedimento médico”, avaliou a parlamentar.

Di Gregório, que utiliza o sobrenome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua alcunha parlamentar, defendeu o documento.

“Posso falar sem medo de errar, pois fui tratado com cloroquina e azitromicina. Estava quase morto no hospital, e vossa excelência iria sonhar comigo o resto da vida”, pontuou, se dirigindo ao colega Azevedo, que presidia a sessão.

No fim de março, o vereador foi internado em virtude do coronavírus. Ele teve complicações respiratórias.

Histórico durante a pandemia


A cloroquina tem sido veementemente defendida por Bolsonaro. Diagnosticado com a doença há cerca de duas semanas, o presidente chegou a erguer uma caixa do remédio, em frente ao Palácio do Planalto, em “agradecimento” aos efeitos da substância.

Pouco tempo após testar positivo, o chefe do Executivo federal disse ter percebido evolução em seu quadro clínico graças, justamente, aos comprimidos tomados.

No último dia 13, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) divulgou nota defendendo a autonomia do médico na decisão de receitar, ou não, a hidroxicloroquina.

A cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais graves como distúrbios de visão, irritação gastrointestinal, alterações cardiovasculares e neurológicas, cefaleia, fadiga, nervosismo, prurido, queda de cabelo e exantema cutâneo.



Moção de aplausos rejeitada


No início deste mês, a Câmara já havia colocado em pauta outra discussão ligada ao cenário nacional. Vereadores sugeriram encaminhar ‘moção de aplausos’ a Bolsonaro por sua atuação ante a pandemia. A ideia, contudo, foi rejeitada em plenário.


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