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Estado de Minas

Vídeo: Bolsonaro cita 17 vezes cloroquina ao confirmar que está com COVID-19

Medicamento foi repetido e defendido na coletiva de 25 minutos na qual o presidente Jair Bolsonaro anunciou resultado positivo para o novo coronavírus


postado em 07/07/2020 17:44 / atualizado em 07/07/2020 18:33

O presidente Jair Bolsonaro citou 17 vezes cloroquina e/ou hidroxicloroquina durante a coletiva de imprensa na qual anunciou que foi contaminado pelo novo coronavírus. Ele aproveitou a ocasião para dizer que está fazendo uso do remédio, preventivamente, desde o aparecimento dos primeiros sintomas da doença. Suspeitas de que Bolsonaro tinha COVID-19 surgiram na noite de segunda-feira (6), quando o presidente apresentou sintomas do vírus, como febre alta, e realizou o teste no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. 

A cloroquina tem sido defendida pelo presidente Jair Bolsonaro como o tratamento para as contaminações pelo vírus Sars-Cov2, apesar de a eficácia não ter sido comprovada pela comunidade científica internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclusive interrompeu permanentemente, em julho, os testes com o medicamento porque cientistas concluíram que não há redução da mortalidade em casos de coronavírus.

Em outras duas oportunidades, em maio e junho, a OMS tinha pausado os testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina pela falta de segurança aos pacientes que estavam recebendo as doses do remédio. Os experimentos com os medicamentos faziam parte de um estudo, comandado pela organização internacional, sobre a eficácia de diferentes medicamentos no combate ao coronavírus.

A cloroquina e a hidroxicloroquina custaram o mandato do ex-ministro da Saúde Nelson Teich. Desde a posse, o médico aguardava que testes comprovassem a eficácia ou não dos medicamentos para decidir se eles deveriam ser indicados para o tratamento de pacientes com o coronavírus, posição desejada e cobrada pelo presidente Bolsonaro. Teich não concordava com a pressão vinda do presidente e, em 15/5, pediu demissão do Ministério, menos de um mês após ter assumido a pasta. 

Mesmo com a falta de um parecer favorável ao medicamento por parte da comunidade científica internacional, Bolsonaro mandou, em março, que o Exército brasileiro produzisse cloroquina. Mais de 1,2 milhão de comprimidos do remédio foram fabricados pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército – normalmente são 250 mil a cada dois anos, para tratamento da malária. 

Após a saída de Teich, o general Eduardo Pazuello se tornou o ministro interino da Saúde e aprovou a cloroquina para todos os pacientes com coronavírus. No protocolo, desenvolvido pelo Ministério, recomenda-se a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da COVID-19.
 
(*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves) 


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