
Em outras duas oportunidades, em maio e junho, a OMS tinha pausado os testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina pela falta de segurança aos pacientes que estavam recebendo as doses do remédio. Os experimentos com os medicamentos faziam parte de um estudo, comandado pela organização internacional, sobre a eficácia de diferentes medicamentos no combate ao coronavírus.
A cloroquina e a hidroxicloroquina custaram o mandato do ex-ministro da Saúde Nelson Teich. Desde a posse, o médico aguardava que testes comprovassem a eficácia ou não dos medicamentos para decidir se eles deveriam ser indicados para o tratamento de pacientes com o coronavírus, posição desejada e cobrada pelo presidente Bolsonaro. Teich não concordava com a pressão vinda do presidente e, em 15/5, pediu demissão do Ministério, menos de um mês após ter assumido a pasta.
Mesmo com a falta de um parecer favorável ao medicamento por parte da comunidade científica internacional, Bolsonaro mandou, em março, que o Exército brasileiro produzisse cloroquina. Mais de 1,2 milhão de comprimidos do remédio foram fabricados pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército – normalmente são 250 mil a cada dois anos, para tratamento da malária.
Após a saída de Teich, o general Eduardo Pazuello se tornou o ministro interino da Saúde e aprovou a cloroquina para todos os pacientes com coronavírus. No protocolo, desenvolvido pelo Ministério, recomenda-se a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da COVID-19.
(*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves)
