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Estado de Minas CRÍTICA

Gabbardo sobre Wizard: 'A gestão do MS é mais complexa do que administrar cursos de inglês'

Ex-número 2 do Ministério da Saúde e braço direito de Mandetta, médico disse que o futuro secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta não tem experiência para o cargo


postado em 06/06/2020 16:47 / atualizado em 06/06/2020 17:12

Gabbardo deixou o Ministério da Saúde em 29 de abril, depois de ajudar na transição até a chegada de Nelson Teich(foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)
Gabbardo deixou o Ministério da Saúde em 29 de abril, depois de ajudar na transição até a chegada de Nelson Teich (foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)
Ex-secretário Executivo do Ministério da Saúde na gestão de Henrique Mandetta, o médico João Gabbardo criticou a declaração do empresário Carlos Wizard, futuro secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta. Em entrevista à coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, Wizard havia insinuado que os gestores públicos inflaram os números de óbitos por coronavírus no país em busca de mais recursos financeiros.
 
À Globo News, João Gabbardo afirmou neste sábado que o futuro secretário não está preparado para o cargo que começa a exercer a partir de segunda-feira: "A declaração mostra inexperiência do futuro secretário. A gestão do Ministério da Saúde é muito mais complexa do que administrar cursos de inglês. O secretário terá que se adaptar a uma realidade muito grande nas suas manifestações. Tenho certeza que essas declarações serão revistas pelo Ministério da Saúde".
 

Hoje integrante do Centro de Contingência de combate à COVID-19 em São Paulo, Gabbardo afirmou que os repasses às prefeituras e governos não se relacionam com a expansão de casos: "O Ministério da Saúde tem sua política de repasses financeiros, levando em conta o que os estados têm gastos com assistência hospitalar. Foi em apenas um evento apenas que o Ministério da Saúde direcionou recurso baseado no número de casos. Não é usual o Ministério da Saúde usar o critério como forma de repartição de recursos. É insignificante e não pesa no valor total o que ele passa para as prefeituras".
 
Carlos Wizard havia dito que o governo Bolsonaro não pretendia "desenterrar mortos", como forma de averiguar se os mais de 35 mil óbitos registrados oficialmente pelo próprio governo, em relação à COVID-19, foram de fato resultado de mortes pela doença. 

Gabbardo disse que o Brasil pode ter um número muito maior de casos e mortes por coronavírus do que vem sendo demonstrado no balanço divulgado diariamente pela pasta. "O próprio ministro Eduardo Pazuello foi a primeira pessoa que falou sobre essa diferença entre o número de funerais quando comparado com o número de infectados. Ele fez levantamento juntos aos cartórios de Manaus e mostrou que a média de enterros por dia era de 22. Depois, este número passou para 130 no período crítico. Muitas dessas pessoas morreram em casa e sequer foram diagnosticadas com coronavírus. Se fizermos uma análise mais detalhada, é possível e provável que aumente o número de casos confirmados. O general Eduardo conhece isso melhor e vai rever essa posição do Ministério da Saúde". 

Ele era justamente o responsável pela compilação e divulgação dos dados relativos ao coronavírus ao lado do secretário de Vigilância, Wanderson de Oliveira. 

O ex-secretário também destacou que, ao fim da pandemia, o país certamente poderá recontar mais óbitos quando concluir o número de vítimas e contaminados pelo coronavírus: “Seria interessante destacar que não vai ser inédito essa recontagem por parte do Brasil. Todos os países com tempo para análise de declaração de óbitos e ao final da pandemia tem número superior. É possível que vamos aumentar o número de casos. Mesmo em alguns locais, como Manaus ou Fortaleza, as curvas aponta número de internações e óbitos. Estamos já nos encaminhando para uma situação de menor risco".
 

Exoneração em abril 


Braço direito de Mandetta, João Gabbardo foi exonerado da pasta da Saúde em 29 de abril depois de ajudar na transição até que Nelson Teich assumisse o posto de número 1. Havia a expectativa de que ele pudesse ser realocado em outra área, o que não se confirmou. Depois da saída de Mandetta, Gabbardo anunciou que deixaria o cargo por solidariedade ao companheiro. 

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