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Estado de Minas CRISE

Confira a repercussão da renúncia de Sergio Moro na imprensa internacional

Sites falam da tentativa de Bolsonaro interferir na PF, perda de apoio, risco de impeachment e possível embate entre eles em 2022


postado em 24/04/2020 14:52 / atualizado em 24/04/2020 16:40

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

pedido de demissão do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro também repercute fora do Brasil. O título da matéria em que o New York Times se dedicou ao episódio afirma que o governo brasileiro entra em uma “turbulência” com a saída de Moro e a exoneração de Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal.

A reportagem define Sergio Moro como o rosto de uma poderosa repressão anticorrupção no Brasil e cita a acusação feita pelo ex-ministro em seu discurso de despedida, de que o presidente Jair Bolsonaro estaria tentando derrubar a autonomia da Polícia Federal e colocá-la a serviço de suas ambições políticas.

O jornal americano conversou com Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé, que estuda segurança pública no Brasil, que classificou a renúncia de Moro como "um evento sísmico na política brasileira", afirmando ainda que sua saída indica uma nova e perigosa fase para o Brasil.

O The Guardian, do Reino Unido, classificou Moro com adjetivos como estrela e celebridade, além de avaliar que sua saída enfraquece o Governo Bolsonaro. De acordo com a reportagem, a renúncia do ex-ministro cria um conflito político no momento em que o Brasil luta para conter a pandemia de coronavírus.

Um depoimento de Brian Winter, editor-chefe do Americas Quarterly, uma das mais influentes publicações da América, afirma que a saída de Moro tende a corroer a base de apoio de Bolsonaro em cerca de 30%, o que poderia abrir caminho para o impeachment. "Acho que a saída de Moro causará uma crise de consciência real para alguns eleitores de Bolsonaro, que se perguntarão: 'Esse governo é realmente a mudança pela qual votei?'", disse Winter.

O francês Le Monde também noticía a renúncia de Sergio Moro e a denúncia de interferência política em seu ministério. Além de citar a violação da promessa de carta branca que o ex-ministro teria no Governo Bolsonaro, a reportagem ainda informa que as relações entre eles já vinham se deteriorando há vários meses devido à possibilidade de um embate da dupla nas eleições presidenciais de 2022.

O argentino El Clarín identifica Moro como o símbolo da Operação Lava-Jato. O texto explica que a demissão de Valeixo provocou um confronto entre o ex-ministro e Bolsonaro. O periódico ainda coloca como reações imediatas do mercado financeiro brasileiro a disparada da cotação do dólar e a queda da Bolsa de Valores de São Paulo.


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