Publicidade

Estado de Minas

Bolsonaro não vai impedir divulgação de dados pelo Inpe, diz porta-voz

Segundo Otávio Rêgo Barros, o presidente quer ter acesso aos dados antes da divulgação para possíveis correções


postado em 22/07/2019 20:34

Ed Alves/CB/D.A Press(foto: Bolsonaro não concorda com dados do desmatamento da Amazônia divulgados pelo Inpe)
Ed Alves/CB/D.A Press (foto: Bolsonaro não concorda com dados do desmatamento da Amazônia divulgados pelo Inpe)


Em um pronunciamento na tarde desta segunda-feira (22/7), o porta voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, garantiu que o governo não tem a intenção de impedir a divulgação de dados apurados pelo  Instituto Nacional de Pesquisa (Inpe). A afirmação desfaz o problema causado pelo entendimento de que Bolsonaro avalia os dados antes de eles serem divulgados à sociedade.

“Absolutamente, o Planalto trabalha pelo princípio da transparência e a intenção do presidente é identificar no relatório quais as demandas e ações prospectivas para corrigir, se for o caso, e potencializar eventuais dados. Absolutamente, não há ideia do presidente ou do governo de ferir essa cláusula pétrea que é a transparência do poder Executivo para com a nossa sociedade”, disse.

No último dia 21, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar os dados sobre desmatamento produzidos pelo Inpe e o diretor da entidade, Ricardo Galvão.  Ele anunciou ainda que iria designar um ministro para discutir com Galvão os dados de desmatamento que, na opinião do presidente, não correspondem à verdade. Ele acrescentou que seu governo não quer fazer "propaganda negativa do Brasil".

Eu não vou falar com ele. Quem vai falar com ele vai ser o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e talvez, também, o Ricardo Salles (Meio Ambiente). O que nós não queremos é uma propaganda negativa do Brasil. A gente não quer fugir da verdade, mas aqueles dados pareceram muito com os do ano passado, e deu um salto”, disse o presidente.

Nesta segunda-feira (22), o ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) divulgou uma nota em que afirma compartilhar da estranheza expressa por Bolsonaro quanto aos dados do desmatamento que o Inpe produz. Pontes solicitou um relatório técnico contendo os resultados da série histórica dos últimos 24 meses, assim como informações detalhadas sobre os dados brutos, a metodologia aplicada e quaisquer alterações significativas desses fatores no período.

"Embora entenda o contexto do fator emocional, discordo do meio e da forma utilizada pelo diretor, visto que não corresponderam ao tratamento esperado na relação profissional, especialmente com o Chefe do Executivo do País. Em consequência, o Diretor do INPE foi convidado pelo MCTIC para esclarecimentos e orientações. A partir dessa reunião serão definidos novos passos”, disse o ministro.

O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), por sua vez, lançou um manifesto em defesa do instituto demonstrando preocupação com as ações recentes do presidente que colocariam em risco o patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do país, declarando apoio integral ao diretor Ricardo Galvão. "Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico", defende a entidade.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade