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Estado de Minas

Secretário de Contagem comprou casa de luxo para alugar para prefeito

Imóvel de R$ 3,3 milhões em condomínio no município está no centro das investigações do Ministério Público contra Alex de Freitas (sem partido)


postado em 17/07/2019 17:55 / atualizado em 17/07/2019 18:53

O prefeito de Contagem Alex de Freitas e o secretário de Defesa Social Décio Camargos são alvo de investigação do MP sobre enriquecimento ilícito(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
O prefeito de Contagem Alex de Freitas e o secretário de Defesa Social Décio Camargos são alvo de investigação do MP sobre enriquecimento ilícito (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

O secretário de Defesa Social de Contagem Décio Camargos de Aguiar Junior, comprou uma casa de luxo, no valor de R$ 3,3 milhões, com o objetivo de alugá-la ao prefeito do município, Alex de Freitas (sem partido), que paga R$ 4.500 pelo imóvel.

Os dois prestaram esclarecimentos e mostraram documentos sobre o contrato de locação em coletiva de imprensa, convocada pelo prefeito para explicar o cumprimento de mandado de busca e apreensão pela Polícia Civil em sua residência, no Condomínio Estância do Hibisco, na manhã desta quarta-feira.

Cercado por seu secretariado, Freitas negou que tenha enriquecido ilicitamente e comprado a casa com o uso de laranja, como suspeita o Ministério Público Estadual, na operação “Mi casa su casa”. A suspeita é de uma triangulação com o secretário de Defesa Social para o negócio de R$ 3,3 milhões.

O prefeito afirmou que, em 2016, logo após vencer as eleições, o imóvel em que morava foi alvo de vandalismo e ele decidiu se mudar com a família para um condomínio fechado. “Não tinha condição de comprar.

Numa conversa informal com Décio Camargos, ele me disse que também estava adquirindo um imóvel no mesmo condomínio. Ele me perguntou: 'se eu comprar o imóvel, você aluga?'. Vivo desde 3 de janeiro de 2017. É meu endereço oficial, tenho contrato de aluguel, faço os pagamentos regularmente”, disse o prefeito, que acredita que a denúncia anônima tenha motivação política.

Em 2018, Freitas informou ter pago R$ 54.000 a Décio Camargos na declaração de Imposto de Renda. Segundo ele, sua renda é composta de R$ 22 mil de salário bruto do cargo de prefeito e retirada variável da empresa Ferreira & Freitas Empreendimentos Imobiliários, da qual é sócio.

O prefeito afirmou não ter sido procurado anteriormente pelo Ministério Público e justifica que os comprovantes de pagamento ficam com um secretário particular contratado para administrar suas finanças.

Para a polícia e o MP, o imóvel é incompatível com as rendas do prefeito e do secretário. Também suspeita do pagamento pelo imóvel com R$ 1 milhão em espécie para a compra do imóvel, que ainda está no nome da antiga proprietária.

O secretário Décio Camargos nega a informação e afirma ter pago por transferência bancária, sendo a primeira parcela de R$ 1,1 milhão. Ele justifica que seu patrimônio cresceu de R$ 1,4 milhão, quando se candidatou a vereador, em 2008, para R$ 19 milhões, quando foi candidato a deputado estadual, em 2018, por causa da herança que recebeu do pai.

A renda, segundo ele, é compatível com a compra do imóvel. Questionado se o aluguel (0,13% do valor do imóvel) não é barato para uma casa de R$ 3,3 milhões, ele afirmou que o valor se justifica por uma relação de amizade com o chefe do Executivo.

“A relação que eu tenho com o prefeito não é só de inquilino e proprietário. Tenho uma relação de amizade. Ele é meu afilhado de casamento. Ele também fez alterações na casa e não descontei no aluguel. Acho que mais do que justo R$ 4.500”, disse.

Camargos também afirmou que sempre teve o sonho de comprar uma casa, por isso fez o investimento pensando em futuramente se mudar para o imóvel. Ele afirma que ainda não transferiu o bem para o seu nome porque quitou o imóvel recentemente.


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