Publicidade

Estado de Minas

Bolsonaro admite baixar idade mínima para mulher se aposentar

Presidente cogita rever pontos da reforma para as mulheres, no benefício para idosos de baixa renda e na pensão por morte


postado em 01/03/2019 06:00 / atualizado em 01/03/2019 07:42

(foto: NORBERTO DUARTE/AFP)
(foto: NORBERTO DUARTE/AFP)

Brasília – Pouco mais de uma semana depois de entregar a reforma da Previdência ao Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que cogita rever alguns pontos da proposta de reforma da Previdência, inclusive a idade mínima de aposentadoria para as mulheres, que poderia passar de 62 para 60 anos. Ele fez a afirmação durante um café da manhã com um grupo de jornalistas.

Outro ponto que Bolsonaro admitiu foi a possibilidade de alterar o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago para idosos e deficientes de baixa renda. A proposta entregue pelo governo estipula um benefício de R$ 400 a idosos de baixa renda aos 60 anos. Esse valor subiria para um salário mínimo aos 70 anos. Esse ponto da proposta foi um dos mais criticados por parlamentares.

"As modificações que serão feitas pelo Congresso não podem desfigurar a proposta"

Jair Bolsonaro, presidente da República



O presidente também sinalizou que a regra de pensão por morte é uma das “gorduras” que podem ser cortadas no Congresso. Hoje, a pensão por morte é de 100% para segurados do INSS, respeitando o teto atual de R$ 5.839,45. Pela proposta, o benefício será de 60% do valor mais 10% por dependente adicional.  Segundo o UOL, Bolsonaro disse que esse valor pode subir para 70%.

“As modificações que serão feitas pelo Congresso não podem desfigurar a proposta”, afirmou o presidente. Ele disse que a não aprovação do texto fará com que o país passe por muitas consequências negativas, como alta do dólar, queda das ações das empresas listadas na Bolsa, suspensão de pagamento a servidores e enfraquecimento do governo. “Sem a reforma da Previdência, não há solução, não há perspectiva para o Brasil.”

O presidente também disse que “os filhos não mandam no governo” ao comentar sobre o comportamento do vereador Carlos Bolsonaro, pivô de uma crise que culminou com a queda do ministro Gustavo Bebianno do governo.

‘SEM CHANTAGEM’ Mais tarde, a possibilidade de redução da idade mínima para mulheres foi confirmada pela líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que disse ter se reunido com a equipe do Ministério da Economia logo após a fala do presidente. “Conversei com a equipe econômica. O Congresso Nacional tem poder de mexer na reforma, mas precisa entender que, a cada mexida, corremos o risco de perder na economia (prevista para R$ 1 trilhão em 10 anos). Mas o presidente é muito sensível (...)”, afirmou. “O que (o presidente) está fazendo é mandar recado, dizer que está disposto a negociar.”

Joice confirmou que o governo negocia emendas e cargos para viabilizar a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC), o que considerou um movimento “saudável”, parte do processo político. “É saudável, desde que as emendas sejam levadas para o bem da população. Não existe chantagem”, disse, acrescentando que há boa vontade para negociar as questões envolvendo o projeto, ainda que o governo corra o risco de ver a reforma desidratar.

Perguntado após participar de evento promovido pelo grupo Globo, sobre se seria possível a volta do sistema “toma lá, dá cá”, onde o governo concede cargos ou outros benefícios para os partidos para conseguir aprovar suas propostas, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, foi enfático. “Este governo mostra disruptura com o status quo da política brasileira. Este é um governo que quando foi formado não levou em consideração partidos políticos. O presidente Bolsonaro está inovando o processo político, o problema é que existem reações, quem está acostumado com a situação se ressente, mas haverá acomodação natural, e isso será customizado”, afirmou ele.

Marinho está otimista com a votação da reforma da Previdência pelo “novo Congresso”, referindo-se à renovação sofrida pelo Congresso Nacional este ano. Ele disse que o seu papel depois de ter finalizado o texto é conversar com esses parlamentares. “Até porque conheço eles individualmente, estava lá havia 20 dias.”

Ele ressaltou, no entanto, que o papel de articulação política para garantir a aprovação é dos líderes do governo, apesar de reconhecer que tem um bom trânsito no Parlamento após três mandatos como deputado, o que facilita as conversas, na opinião do secretário. Para ele, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, será fundamental nessa negociação e tem ajudado bastante o governo.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade