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Estado de Minas

Moro diz que caixa 2 'não é corrupção' e muda entendimento de quando era juiz da Lava-Jato

Quando era responsável pelos julgamentos em primeira instância, o ministro fez duras críticas aos que tentavam minimizar o endurecimento das penas para a prática


postado em 19/02/2019 16:40 / atualizado em 19/02/2019 21:20

(foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou nesta terça-feira, em conversa com a imprensa, após cerimônia de assinatura do projeto de lei anticrime que caixa 2 “não é corrupção”. A frase, no entanto, contraria declaração dada por ele quando ainda era juiz federal e atuava no julgamento dos casos da Lava-Jato. Na época, ele fez uma defesa enfática da criminalização da prática, tratada como “trapaça” em palestra na Brasil Conference de Harvard, nos EUA, em 8 de abril de 2017.


“Temos que falar a verdade. Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral”, afirmou na palestra.


Ainda de acordo com Moro, em pensamento desenvolvido na palestra em 2017, caixa 2 seria ainda mais grave que o recebimento de propina, já que teria impacto direto nas campanhas eleitorais.

“Para mim, a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suiça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível”, analisou.


Menos de dois anos depois, no começo da tarde desta terça-feira, o ministro da Justiça voltou a tratar do assunto, porém, sem considerar tão grave a situação. “Caixa 2 não é corrupção. Existe o crime de corrupção e o crime de caixa 2. Os dois crimes são graves”, disse.


Moro disse que acabou considerando a reclamação dos parlamentares ao rever a posição.

“Houve reclamações por parte de agentes políticos de que o caixa 2 é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade de corrupção, crime organizado e crimes violentos. Então, nós acabamos optando por colocar a criminalização num projeto à parte, mas que está sendo encaminhado neste momento. Foi o governo ouvindo as reclamações razoáveis dos parlamentares quanto a esse ponto e simplesmente adotando uma estratégia diferente. Mas os projetos serão apresentados ao mesmo tempo”, comentou o ministro.


O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo maia (DEM-RJ), na tarde de hoje.

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