Publicidade

Estado de Minas

Em MG, deputados ''entram na fila'' por paternidade de CPI para apurar tragédia de Brumadinho

Assessores dos parlamentares enfrentam a fila para garantir que seus chefes possam relatar a CPI que vai apurar, além de Brumadinho, a catástrofe que aconteceu em Mariana há três anos


postado em 04/02/2019 06:00 / atualizado em 04/02/2019 09:35

Em pleno domingo, assessores aguardam para protocolar pedido hoje(foto: marcos vieira/em/d. a press)
Em pleno domingo, assessores aguardam para protocolar pedido hoje (foto: marcos vieira/em/d. a press)

Disputa pela paternidade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da mineração começou nesse domingo (3) mesmo, no domingo. Em meio às buscas por desaparecidos da tragédia de Brumadinho, na Grande BH, representantes dos deputados estaduais Sargento Rodrigues (PTB) e Beatriz Cerqueira (PT) fizeram uma “pequena fila”, durante todo o dia desse domingo (3), numa das portas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com eles, um objetivo em comum: garantir a  participação na CPI que deve apurar o setor que deixou centenas de mortos nas barragens da Vale e da Samarco.

De acordo com o Regimento Interno da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o autor do pedido para instalação de uma CPI não pode ocupar os cargos de presidente ou de relator. O parlamentar tem assegurado, no entanto, a particpação como membro da comissão.


Em conversa com a reportagem, as pessoas ligadas aos parlamentares não quiseram se identificar, mas confirmaram a intenção. Eles permaneceriam na porta que dá acesso ao plenário até as 0h desta segunda, quando poderiam entrar na Casa. Lá, a papelada só pode ser protocolada às 8h desta segunda-feira (4).


Para vencer a corrida, os deputados contaram com um sistema de rodízio de pessoas. Durante a tarde, um jovem representava Beatriz Cerqueira (PT), enquanto um homem defendia Sargento Rodrigues (PTB). Eles contavam com a ajuda de seguranças da Assembleia para ir ao banheiro. A comida era comprada nas imediações da Praça Carlos Chagas.


“A CPI precisa de 26 assinaturas, no mínimo, para sua instalação. Nosso requerimento conseguiu, se não me engano, mais de 30. É certo que teremos uma CPI, mas isso não pode servir de barganha para algo menor, um pré-acordo para a não apuração de fatores importantes. Precisamos de um processo que escute as pessoas, não só relatórios”, ressaltou a deputada petista, que inicia seu primeiro mandato. Ela também destacou a necessidade da aprovação de projetos para resguardar os atingidos por barragens. A reportagem tentou contato com Sargento Rodrigues por telefone, mas não obteve sucesso.


O desastre de Brumadinho tem marcado o primeiro ano de mandato dos deputados recém-eleitos em Minas. Na última sexta-feira, quando os parlamentares tomaram posse na Assembleia, a cerimônia se desenrolou de maneira mais modesta. Durante o evento, os presentes ficaram em silêncio durante um minuto, justamente para lembrar das vítimas da tragédia.


Publicidade