Publicidade

Estado de Minas POLÍTICA

Exposição de Bolsonaro foi negativa para sua imagem, diz analista sobre Ibope

"O que não está resolvido é se esse movimento vai retirar ele do segundo turno. Mas é bem provável que ele não ganhe se chegar lá", avalia o cientista político e sócio da Tendências Consultoria Rafael Cortez


postado em 06/09/2018 12:39 / atualizado em 06/09/2018 13:02

Jair Bolsonaro durante visita a Expointer, uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina, na cidade de Esteio (RS)(foto: JOSÉ CARLOS DAVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 29/08/18)
Jair Bolsonaro durante visita a Expointer, uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina, na cidade de Esteio (RS) (foto: JOSÉ CARLOS DAVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 29/08/18)

A exposição do candidato do PSL ao Planalto nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, nesses primeiros 15 dias de campanha não fizeram bem para o postulante ao cargo máximo do governo brasileiro, avalia o cientista político e sócio da Tendências Consultoria Rafael Cortez, com base nos dados do último levantamento Ibope, divulgado nesta quarta-feira, 5.

"A exposição de Bolsonaro é negativa para sua imagem. O que não está resolvido é se esse movimento vai retirar ele do segundo turno. Mas é bem provável que ele não ganhe se chegar lá. O melhor termômetro para isso é o desempenho de Fernando Haddad contra ele, que agora está próximo da margem de erro", avaliou o especialista.

No Ibope agora divulgado, uma das simulações de segundo turno mostrou Bolsonaro tecnicamente empatado com Haddad/PT (36% para o ex-prefeito, 37% para o deputado). Ao se comparar com pesquisa mais próxima com igual cenário, o Datafolha divulgado em 22 de agosto, Haddad perdia para Bolsonaro por 29% a 38%.

"O avanço de Haddad ante Bolsonaro é o melhor termômetro de que a exposição de Bolsonaro foi negativa para sua imagem. O custo da estratégia de mobilizar o eleitorado a partir da preferências muito intensas, porem extremadas, vai se materializando. Esses nomes conseguem se transferir para segundo turno em momentos de transição, mas dificilmente se tornam uma hegemonia", disse, citando a derrota de Marine Le Pen, na França, como exemplo. Cortez acrescentou ainda que o PT não fez grandes mobilizações na sua campanha que justificassem tamanha aproximação de Haddad.

O especialista pontuou também que, diferentemente de alguns candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), Bolsonaro não dispõe de outras ferramentas além das redes sociais para tentar atingir outro público senão o que ele já dialoga. "O fato é que como ele não tem outros instrumentos alternativos por causa do personalismo de sua campanha, o efeito eleitoral dele vai gerando um limite na dificuldade de divulgação com outro eleitor. A ausência do tempo de TV reduz a possibilidade de ele agregar outros elementos à sua imagem".

Em pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta quarta, Bolsonaro aparece com 22% das intenções de voto e segue na liderança da corrida presidencial. O candidato Ciro Gomes (PDT) subiu três pontos, de 9% para 12%, e empatou numericamente com Marina Silva (Rede), que manteve o patamar do levantamento anterior, divulgado no dia 20.

Bolsonaro apareceu com rejeição de 44%. Brancos e nulos recuaram para 21%, ante 29% em levantamento anterior do Ibope. "Como Bolsonaro é um nome de rejeição mais alta, dificilmente esse voto branco ou nulo vai para o candidato que é mais rejeitado. Temos também a questão de gênero. Pela primeira vez a gente tem diferenças significativas de gênero no comportamento eleitoral. Essa rejeição alta é muito explicada pelas mulheres", acrescentou Cortez.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade