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Estado de Minas EM VÍDEO

Cabo Júlio agradece 'acolhida' de bombeiros na prisão

O deputado estadual ocupa sala especial no 3º Batalhão e trabalha na Assembleia de Minas durante o dia


postado em 10/07/2018 13:01 / atualizado em 10/07/2018 17:15

O deputado divulgou o vídeo para 'a tropa' em seu blog pessoal(foto: Reprodução blog )
O deputado divulgou o vídeo para 'a tropa' em seu blog pessoal (foto: Reprodução blog )

Preso desde o dia 8 de junho em uma sala especial do Corpo de Bombeiros em Belo Horizonte, o deputado estadual Cabo Júlio (MDB) rompeu o silêncio nesta terça-feira (10) e agradeceu pela “acolhida” na instituição militar. O parlamentar falou pela primeira vez – depois de se entregar para cumprir a pena pela condenação na Máfia dos Sanguessugas – em um vídeo “à tropa” divulgado em sua página pessoal.

Cabo Júlio disse que algumas pessoas pensaram que a prisão seria seu fim, mas que que ela é um recomeço. Ele agradeceu aos bombeiros e ao comando da corporação que o tem sob custódia pelo "carinho e misericórdia e ajuda". “Obrigado ao Comando do Corpo de Bombeiros e aos irmãos do 3º batalhão por me acolherem, que Deus abençoe vocês e muito obrigado”, disse no vídeo.

O deputado emedebista estava recluso, apesar de estar frequentando a Assembleia. Na semana passada, ele deixou a vaga de vice-presidente e o assento que tinha na Comissão de Segurança Pública da Casa. Ele conseguiu autorização da Vara de Execuções Penais e se tornou o primeiro deputado preso a trabalhar no Legislativo desde o dia 19 de junho.

Com um discurso em tom religioso, o parlamentar disse que, apesar de preso, se considera livre por ter confessado seu crime. Cabo Júlio disse que a confissão foi motivo de conflito com os responsáveis por sua defesa, mas que ele decidiu falar com o céu. “A minha alma está livre, eu confessei o meu pecado publicamente”, disse. 

Preso, mas em paz

Cabo Júlio disse que sua participação na Máfia dos Sanguessugas foi um “espada no coração” por 16 anos, até que a Justiça mandou executar sua pena provisória. “Eu tô preso mas eu estou livre, eu errei em 2002, confiei erroneamente, nunca neguei que tenha errado e confessei isso publicamente”, disse.

O parlamentar também agradeceu aos amigos e companheiros de igreja. “Eu estou preso, assim, trabalhando, estudando,com a vida diferente, mas a minha alma está em paz. É a alma daquele que errou, está pagando, confessou, mas a minha alma está livre. Estou tranquilo”, disse. 

Sala e estacionamento

O deputado ocupa uma sala em unidade dos Bombeiros de aproximadamente 30 metros quadrados, que conta com uma estrutura de cama, mesa de apoio com cadeira, ventilador de parede e banheiro com pia e chuveiro. Cabo Júlio tem direito a cela especial por ser militar da reserva e deputado estadual.

Segundo a corporação, Cabo Júlio tem direito a três refeições diárias, banho de sol e dois dias de visita por semana e está dispensado do uso de trajes da Secretaria de Administração Prisional, pois não está em unidade gerenciada pela mesma.

Com a autorização para trabalhar, o parlamentar sai diariamente das 8h às 18h para trabalhar na Assembleia. Segundo a assessoria do deputado, ele deixa o carrro estacionado nos bombeiros e conduz o veículo até o Legislativo, onde usa a garagem institucional.

Condenação

O emedebista foi condenado duas vezes pela participação na Máfia dos Sanguessugas, escândalo que estourou em 2006 e consistiu no desvio de verbas do Ministério da Saúde para compra de ambulâncias nos municípios.
 
A condenação por improbidade administrativa lhe impõe quatro anos de reclusão e 40 dias-multa. Em outubro de 2016, Cabo Júlio foi condenado mais uma vez a pena de seis anos de detenção em regime semiaberto e ao pagamento de mais 50 dias-multa à proporção de um salário-mínimo de 2006.

As investigações do Ministério Público apontaram Cabo Júlio como autor de 20 emendas orçamentárias para 18 municípios mineiros que se comprometiam a direcionar as licitações a favor de determinadas empresas. Segundo a decisão do desembargador Ney Bello, o então deputado federal seria um dos cabeças do esquema.

No relatório ele apontou que Cabo Júlio “percebeu vantagem paga em virtude de sua atuação na proposição de emendas orçamentárias em benefício de interesse da organização criminosa e fraudou caráter competitivo de processo licitatório ao impor que empresa integrante do grupo criminoso – máfia dos sanguessugas – se sagrasse vencedora em licitação”.

Em nota, a assessoria do deputado afirmou que a sentença que o mantém preso está sendo questionada em recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"Ação de improbidade é uma ação cível e não tem como pena prisão e sim multa. O processo penal que teve como pena 4 anos de detenção teve parecer do MPF pela prescrição e extinção do processo. O cabo Júlio é a única pessoa presa por uma sentença de grau único. Não houve sentença confirmada.".

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