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Estado de Minas

MDB ainda em busca de um rumo em Minas

Partido vive embate interno perto do fim do prazo para convenções e se divide entre a candidatura própria ao governo do estado e a coligação com outras legendas, do PT ao DEM


postado em 08/07/2018 06:00 / atualizado em 08/07/2018 07:42

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Com a pré-candidatura de Henrique Meirelles (MDB) no plano nacional, que tateia em busca de alianças e luta para se desvencilhar da herança política de Michel Temer (MDB), também em Minas o MDB busca o seu rumo.

A poucas semanas de se abrir o prazo das convenções partidárias para a escolha e registro das candidaturas, há na legenda quem defenda a candidatura própria numa aliança forte.

Mas há também quem esteja mais interessado na aprovação, durante a convenção partidária, ainda sem data para ocorrer, da delegação de poderes à Executiva para conduzir a formação da chapa e as coligações. São muitas as hipóteses de composição, – do PT ao DEM, passando pelo PSB. A pior delas, não será estar mal acompanhado. Mas, antes, estar só.

De olho em alianças que se traduzam em maior probabilidade de reeleição dos 13 deputados estaduais e cinco federais, os parlamentares têm pressa. Querem definições e deram ultimato ao presidente da legenda em Minas, o vice-governador Antônio Andrade, para apresentar até 15 de julho a chapa com coligação proporcional contendo os nomes dos pré-candidatos de todos os partidos, tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara dos Deputados.

“Todos são a favor da candidatura própria. Mas não de uma candidatura própria fajuta. Cada pré-candidato tem de trazer a sua proposta de coligações, afirma o deputado federal Newton Cardoso Filho (MDB).

“Acho que a candidatura própria do MDB é competitiva”, afirma Antônio Andrade, que se lançou pré-candidato ao governo de Minas, assim como o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes.

Segundo Andrade, ao Senado disputam a indicação do partido o deputado federal Leonardo Quintão, o seu pai e ex-prefeito de Ipatinga Sebastião Quintão, além do ex-prefeito de Juiz de Fora Bruno Siqueira. “A convenção dirá”, afirma Antônio Andrade, acrescentando que ainda não há datas.

“O MDB vai apresentar proposta ao estado”, garantiu ontem Adalclever Lopes, presidente da Assembleia, em Sete Lagoas, que reiterou a sua pré- candidatura ao governo de Minas. Ele cita a capilaridade da legenda no estado, sugerindo a força da legenda: “Somos hoje quase 300 prefeitos e vice-prefeitos em Minas e 1.059 vereadores”.

Entre os 13 deputados estaduais e cinco federais a questão mais central e mais importante é a política de alianças e os candidatos das chapas proporcionais.

As duas variáveis são cruciais na disputa à Assembleia e à Câmara: podem aumentar a probabilidade de reeleição ou deixar os atuais parlamentares sob a chuva a apenas três meses do pleito.

Não à toa, se as chapas não convencerem, os deputados federais pretendem, conforme assinalaram em manifesto público, ir a campo em busca do tempo perdido e de interlocução com os principais pré-candidatos de outros partidos. E, neste momento, há articulações em todas as direções.

Alianças


Nas bancadas estadual e federal há quem trabalhe com a hipótese de PT e MDB se acertarem, sonhando com uma composição com o empresário Josué Gomes da Silva (PR).

“Há uma aliança que seria imbatível. Josué Gomes da Silva poderia encabeçar a chapa, o seu vice seria Adalclever – ou o vice-presidente da Câmara, Fabinho Liderança – e a ex-presidente Dilma Rousseff sairia para o Senado. Mas esta é uma articulação que dependeria da posição personalíssima de Fernando Pimentel”, diz um deputado federal.


Pelo momento, os fatos não alimentam essa ideia: nem Pimentel está disposto a desistir e tampouco Josué tem clareza se de fato vai disputar as eleições. O empresário é considerado um coringa, que poderá vir a integrar tanto a disputa nacional quanto a estadual, e agora está filiado a uma legenda com a qual o PT tem mais facilidade para composição.

Há também conversas entre o MDB e o pré-candidato do DEM, o deputado federal Rodrigo Pacheco, ele próprio um ex-emedebista. Pacheco saiu do MDB porque não identificou na antiga legenda condições para viabilizar o seu nome ao governo de Minas. “Trabalhamos para que o Rodrigo Pacheco seja vice do Adalclever”, diz Newton Cardoso Filho.

Ocorre, contudo, que a candidatura de Rodrigo Pacheco avança de forma irreversível, com apoios confirmados do PP, Avante, PEN e PMB, tendo, inclusive, já anunciado para vice em sua chapa Ana Paula Junqueira (PP).

Segundo o deputado Newton Cardoso Filho, outra possível articulação de seu partido é Marcio Lacerda. “Existe a conversa de que ele venha a ser vice na chapa do Ciro Gomes.

Se isso ocorrer, abre-se nova janela em Minas para o PSB apoiar o candidato próprio do MDB”, afirma o parlamentar, desconsiderando que, caso a união nacional do PDT com o PSB se confirme – e na semana passada deu um passo nessa direção –, é mais provável que, em Minas, o partido de Lacerda trabalhe composições que fortaleçam a candidatura de Ciro Gomes.

“Entre todas as possibilidades, o MDB não pode ficar sozinho. E mais do que isso, tem de afirmar em que campo joga”, define o deputado estadual Sávio Souza Cruz. E aí parece estar a maior dificuldade. Se demorar demais, poderá perder o plano de voo.

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