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Estado de Minas

Sócios de empresas ônibus suspeitos de pagar propina em Valadares são presos em BH

Roberto José de Carvalho, sócio-administrador da empresa Valadarense de Transporte Coletivo foi preso no domingo no Aeroporto de Confins. Já a filha dele, Juliana Campos Carvalho Schettino, se entregou nessa segunda-feira. O grupo tem participação no transporte público de BH e até fora de Minas


postado em 31/05/2016 16:05 / atualizado em 31/05/2016 16:48

Dois sócios da empresa Valadarense de Transporte Coletivo foram presos pela Polícia Federal. Eles são acusados de fraude em licitações e de comandar esquema de corrupção e superfaturamento de contratos com Prefeitura e com a Câmara de Governador Valadares, no Leste de Minas. De acordo com o Ministério Público do Estado, Roberto José de Carvalho, sócio-administrador da empresa, e que estava no exterior, foi preso no domingo no Aeroporto de Confins. Já a filha dele, Juliana Campos Carvalho Schettino, se apresentou nessa segunda-feira na sede da Polícia Federal, em Belo Horizonte.

Após prestarem depoimento os dois foram encaminhados para presídios. Roberto foi levado para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e Juliana está no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, no Bairro Horto, Leste da capital. No dia em que ocorreram as ações sete vereadores também foram presos.

A empresa de Valadares faz parte de um grupo que tem Roberto José de Carvalho e familiares como sócios e que atuam em Minas e no Maranhão. Em Belo Horizonte, fazem parte do mesmo conglomerado a Rodopass e a Urca Auto Ônibus e em Divinópolis a atuação é feita pela Trancid. No Maranhão, o grupo tem operação na capital, São Luiz, através da Viação Primor.

A prisão dos dois havia sido determinada na deflagração da terceira fase da Operação Mar de Lama, ocorrida no dia 19 de maio. Nessa etapa das investigações o alvo foi um suposto esquema de pagamentos periódicos de valores aos vereadores para que eles favorecessem a empresa de transporte coletivo de passageiros no município.

Os valores seriam diferenciados por cada vereador. As investigações também apontam pagamentos a servidores públicos. “A empresa pagava os agentes públicos e a alguns vereadores para que ela pudesse ter benefícios diretamente com relação à sua prestação de serviço dentro de Governador Valadares e em prejuízo claro para a população”, afirmou o promotor de Justiça Evandro Ventura Silva, do Gaeco, em entrevista no dia da operação.

De acordo com o Ministério Público Estadual, foram levantadas provas de que agentes públicos intermediaram acordos para aprovar propostas que eram vantajosas para a empresa, como o aumento da passagem de ônibus. Eles também tentaram barrar projetos que beneficiavam a população, mas que contrariavam os interesses da empresa, como a construção de banheiros públicos nos pontos de ônibus.

Vereadores sem salário


Os 13 vereadores da Câmara Municipal de Valadares, afastados por determinação da Justiça Federal, tiveram seus salários suspensos. Investigados pela Operação Mar de Lama, deflagrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, eles são suspeitos de receber propina para aprovar projetos e de participar de um esquema de fraudes na aplicação de recursos para recuperação de estragos causados pela chuva. Em seu lugar, assumiram os suplentes.

Operação Mar de Lama


Primeira fase (11 de abril)
A operação foi desencadeada pela PF e pelo MPF para desarticular organização criminosa instalada na prefeitura e no SAAE de Governador Valadares. Em dezembro de 2013, a cidade foi castigada por fortes chuvas e a enchente no Rio Doce arrasou bairros inteiros, o que motivou a decretação de estado de emergência no município, visando captar recursos do Ministério da Integração Nacional para realizar obras e atenuar os efeitos da tragédia. Segundo a PF, a organização criminosa se aproveitou da situação de emergência para fraudar procedimentos de concorrência pública e desviar recursos públicos. Foi investigado um contrato de R$ 4, 7 milhões. Oito pessoas foram presas. Vinte e um agentes públicos afastados de suas funções, entre os quais oito vereadores.

Segunda fase (27 de abril)
» Mais oito vereadores são afastados da função, após ser descoberto nas investigações que eles teriam recebido o pagamento de vantagens para votar em projetos de interesse dos envolvidos no esquema de corrupção na prefeitura e no SAAE. Um dirigente do SAAE também foi afastado.

Terceria fase (19 de maio)
» 17 pessoas presas, entre as quais sete vereadores. Eles são suspeitos do recebimento de propina para defender e aprovar iniciativas e projetos de interesse da empresa concessionária do transporte coletivo na cidade, incluindo proposta de aumento da passagem de ônibus.

 Com informações de Luiz Ribeiro e Bruno Freitas

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