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Proposta de Erundina citada por Bolsonaro reduzia influência sobre o STF

Bolsonaro se referiu ao projeto de Erundina em resposta a uma pergunta feita no debate pela jornalista Vera Magalhães sobre propostas que tramitam no Congresso


18/10/2022 19:22 - atualizado 18/10/2022 19:22


 

Captura de tela feita em 17 de outubro de 2022 de uma publicação no Twitter
Captura de tela feita em 17 de outubro de 2022 de uma publicação no Twitter (foto: Reprodução)
Em 2013, a deputada federal Luiza Erundina (PSB, atualmente do PSOL) apresentou uma proposta de emenda constitucional que ampliaria o número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No primeiro debate do segundo turno das eleições de 2022, em 16 de outubro, o projeto foi mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) junto à alegação de que "Dilma (...) tentou criar mais 4 vagas para o Supremo". O trecho foi compartilhado mais de 1.500 vezes nas redes. Mas a proposta não beneficiaria a então presidente, pois um dos objetivos era reduzir o poder do Executivo na nomeação de magistrados.


"Bolsonaro: PEC que amplia número de cadeiras no STF, é de autoria de Luiza Erundina e tem apoio de 40 congressistas do PT. Tramontina nele!", diz uma das publicações compartilhadas no Twitter, no Facebook e no Kwai.

Bolsonaro se referiu ao projeto de Erundina em resposta a uma pergunta feita no debate pela jornalista Vera Magalhães sobre propostas que tramitam no Congresso com o objetivo de alterar a composição do STF, aumentando o número de ministros ou estabelecendo mandatos que acabariam com a vitaliciedade de seus integrantes. Em sua intervenção, a jornalista citou que a ideia é vista como uma ameaça à democracia por 'juristas e observadores'.

A pergunta da jornalista foi feita após declarações por parte de Bolsonaro e do vice-presidente, Hamilton Mourão, sobre o assunto. Em 7 de outubro, Mourão afirmou que aumentar o número de cadeiras no STF seria uma forma de combater supostos excessos do Poder Judiciário. Em 9 de outubro, o presidente Bolsonaro também disse em um podcast que poderia descartar um aumento de ministros se a Corte 'baixar a temperatura'.

O primeiro a responder à pergunta foi o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que encerrou sua resposta dizendo estar "convencido que tentar mexer na Suprema Corte para colocar amigo, para colocar companheiro, para colocar partidário é um atraso".

Na sequência, Bolsonaro afirmou: "Para deixar bem claro, a proposta de emenda à Constituição ora em tramitação na Câmara é da sra. Luiza Erundina. E tem 40 deputados do PT que deram o devido apoiamento. Ou seja, em 2013, a sra. Dilma Rousseff, que exercia forte influência do sr. Lula, tentou criar mais quatro vagas para o Supremo Tribunal Federal".

O que diz a PEC proposta por Erundina


Em 2013, a então deputada pelo PSB, Luiza Erundina, de fato apresentou uma proposta de emenda constitucional (PEC), assinada por parlamentares do PT e de outros partidos, que alteraria a composição da mais alta corte do país.

Segundo essa PEC, o STF seria substituído por uma "Corte Constitucional" composta por "quinze Ministros de notável saber jurídico e reputação ilibada", quatro juízes a mais do que existem atualmente no Supremo. A PEC também propõe alterações na composição do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"A PEC 275 propunha alterar a própria natureza do STF, que deixaria de funcionar também como um tribunal recursal (como ocorre hoje) para limitar-se a atuar como corte constitucional, julgando apenas matérias de constitucionalidade através de seu tribunal pleno', explicou à AFP Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo à AFP em 17 de outubro.

No texto, a mudança foi justificada por uma "sobrecarga de processos de competência do Supremo Tribunal Federal" e por "uma hegemonia absoluta do Chefe de Estado" nas nomeações dos magistrados da corte.

A PEC de Erundina, portanto, apresenta como uma de suas justificativas reduzir os poderes do presidente da República, que não seria mais o responsável por nomear os magistrados. Nesse sentido, a proposta prevê que:

"Os Ministros da Corte Constitucional serão nomeados pelo Presidente do Congresso Nacional, após aprovação de seus nomes pela maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a partir de listas tríplices de candidatos oriundos da magistratura, do Ministério Público e da advocacia, elaboradas respectivamente pelo Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil".

Segundo Mafei, a ideia de uma Corte Constitucional, destinada somente a julgar a constitucionalidade de leis e atos dos demais poderes, é um modelo que existe em diversos países democráticos.

O docente acrescentou à AFP que a PEC proposta por Erundina reduziria 'drasticamente' o poder do presidente da República na indicação de ministros para a Suprema Corte:

"Ao lado do aumento do número de ministros, a PEC 275 retiraria a competência de indicação do Poder Executivo, deixando-a ao Congresso Nacional, que deveria escolher nomes a partir de listas tríplices vindas do Ministério Público, da advocacia e da magistratura"

"Ou seja [...] o Executivo poderia atuar apenas politicamente, tentando garantir que nomes de sua preferência fossem contemplados nas listas tríplices e depois aprovados nas votações da Câmara e do Senado', pontuou Mafei.

Em suas redes sociais, a deputada também manifestou-se contra a comparação feita por Bolsonaro durante o debate:

Bolsonaro e sua sanha ditatorial ignora trechos importantes da proposta, que visa DIMINUIR o Poder do presidente, aperfeiçoando o trabalho da Suprema Corte. Bolsonaro mente! pic.twitter.com/I2QKjLqVf6
— Luiza Erundina (@luizaerundina) October 17, 2022


Procurada pela AFP, a assessoria de imprensa de Erundina afirmou que o contexto no qual a PEC foi proposta era um 'contexto de sobrecarga da Suprema Corte com o número excessivo de matérias e feitos que dificultavam, como até hoje continuam dificultando, o cumprimento pelo STF do seu papel precípuo, que é a guarda da Constituição'.

'Na PEC não tratamos apenas de composição [do STF], e sim [tratamos também] parâmetro de constitucionalidade, ampliação da independência, monopólio do controle jurisdicional de constitucionalidade e os efeitos da decisão', acrescentou a equipe da parlamentar.

 

O "Beabá da Política"

série Beabá da Política reuniu as principais dúvidas sobre eleições em 22 vídeos e reportagens que respondem essas perguntas de forma direta e fácil de entender. Uma demanda cada vez maior, principalmente entre o eleitorado brasileiro mais jovem. As reportagens estão disponíveis no site do Estado de Minas e no Portal Uai e os vídeos em nossos perfis no TikTokInstagramKwai YouTube.
 


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