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Estado de Minas AJUDA HUMANITÁRIA

Mineira em missão na Turquia conta como é a experiência de ajuda voluntária

Natural de Betim, Roberta Letícia da Silva faz trabalho voluntário no suporte às equipes de resgate, junto da organização brasileira 'Borders of Love'


22/02/2023 18:15 - atualizado 22/02/2023 19:32

Roberta em primeiro plano com muitos escombros atrás
Grupo atua provendo alimentação para equipes de resgate e vítimas atingidas pelos terremotos (foto: Roberta/Boarders of Love/Divulgação)
Junto com a organização humanitária brasileira ‘Borders of Love’, a publicitária mineira Roberta Letícia da Silva, de 32 anos, tem realizado um trabalho voluntário no suporte às equipes de resgate às vítimas do terremoto na província de Hatay, no sul da Turquia. No início de fevereiro um tremor de magnitude 7,8, que também atingiu a Síria, matou e feriu milhares de pessoas, deixando um rastro de destruição nos dois países.

Natural de Betim, na região Metropolitana de Belo Horizonte, Roberta diz que a ajuda voluntária é motivada por amor e desejo de fazer a diferença, tentando olhar para as pessoas com misericórdia e compaixão. “Se eu posso fazer algo, porque não fazer? Poderia ser a minha família no lugar deles. Os turcos tornaram-se a minha família e o meu povo”, ressalta.

Na Turquia, o número de mortos chega a 41.156, marcando o pior desastre do país em 80 anos. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos 385.000 apartamentos foram destruídos ou danificados. Nessa segunda-feira (20/2) um terremoto de magnitude 6,4 atingiu novamente o país e a vizinha Síria, deixando seis pessoas mortas e quase 300 feridas.

A publicitária explica que o grupo ajuda os voluntários de busca e resgate com comida, água e produtos de higiene pessoal. “Aqui em Hatay não tem nada, a cidade está toda destruída”, conta Roberta, que está fora do Brasil há 2 anos e 5 meses, e junto a Borders of Love pelo mesmo período.

A organização brasileira atua na Turquia e na Grécia desde 2014, com o objetivo de amparar, fornecer suporte e desenvolvimento junto aos refugiados que perderam tudo em suas nações e fugiram. O grupo também tem trabalhado com o suporte às vítimas e as vilas da região atingida. 

“Nós vamos com nossos próprios carros, levando doações para as famílias. No centro também servimos as famílias que vem para buscar fraldas, absorventes, comida. A gente passa 24h servindo chá e café tanto para as equipes de resgate, quanto para as famílias”, explicou Roberta.

Áreas de Risco

Roberta em primeiro plano com muitos escombros de um prédio atrás
Voluntária contou como tem sido os trabalhos na região de Hatay, no sul da Turquia (foto: Roberta/Boarders of Love/Divulgação)
Na Turquia, voluntários do mundo inteiro têm se reunido para ajudar de alguma forma as vítimas soterradas pelos escombros. Desde o dia 10 de fevereiro, militares do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) atuam no país da Eurásia apoiando as autoridades turcas em regiões duramente afetadas, como a cidade de Kahramanmaras, no sul-sudoeste do país.

Já em Hatay, a quase 1.110 quilômetros da capital Istanbul, Roberta conta que existem áreas de difícil acesso - e perigo -, até para as equipes de resgate e seu maquinário. “Conversei com uma pessoa do resgate por umas duas horas e o que mais me chocou foi quando ele disse que tem muitos prédios em que a equipe de resgate não pode entrar, pois existe risco de cair, então eles não são autorizados a vasculhar e mexer”, disse.

A publicitária atesta que na região existem muitos prédios completamente destruídos que não foram tocados pelo resgate devido ao risco. “Podem ter pessoas vivas embaixo dos escombros ouvindo o barulho e isso é muito triste”, comenta.

Consequências

Para as vítimas, desastres dessas proporções podem ter como consequência sequelas de uma vida inteira. Até o momento, o terremoto na Turquia e Síria deixou 47 mil mortos, sendo 5.939 vítimas no país do Oriente Médio.
Ainda sobre o relato do resgatador, Roberta explica que muitas pessoas são retiradas dos escombros com problemas sérios em algum membro que foi afetado pela destruição. “Ele compartilhou que as pessoas estão perdendo parte do corpo, pois foi tanto tempo embaixo do escombro que quando elas são resgatadas não tem circulação de sangue”, contou a mineira.

 A voluntária também relata que as pessoas são resgatadas em níveis de estresse e medo muito alto, pois elas ficam muito tempo sozinhas no escuro, no frio e com pessoas mortas ao redor. “O cheiro de morte é muito forte. É uma cena de filme de terror mesmo”, finaliza Roberta.

*Estagiário sob supervisão do subeditor Diogo Finelli


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