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Estado de Minas ECONOMIA

Análise: qual é o impacto econômico das sanções na Rússia e no mundo?

A questão é até quando os russos vão suportar o estrangulamento da sua economia


28/02/2022 16:32 - atualizado 28/02/2022 17:45

Cidadãos russos fazem fila em frente aos bancos
(foto: Michal Cizek / AFP)
Os milhares de russos nas filas de bancos nesta segunda-feira (28/2), dia em que o rublo teve desvalorização recorde de mais de 30%, o que levou o governo russo a elevar a taxa de juros de 9,5% para 20%, mostram o impacto das sanções impostas pelos países do Ocidente à Rússia com o objetivo de sufocar a economia do país.

A exclusão dos bancos do sistema de compensações Swift e o congelamento dos ativos em dólar e euro do Banco Central da Rússia impedem o governo Putin de usar recursos que estão fora do país para financiar a guerra contra a Ucrânia de um lado e de outro impõe perdas para magnatas e a população russa como um todo, que fica impedida de enviar e receber dinheiro de outras partes do mundo.

Leia também: 5º dia de invasão russa à Ucrânia: comitiva de negociação e ameaça nuclear

O país também está sendo isolado por empresas privadas, associações e entidades de vários setores. Petrolíferas desfizeram parcerias com a estatal russa Gasprom; e Facebook, Youtube e outras redes sociais cancelaram a monetização de canais russos, com impacto direto para a população.

Com o rublo desvalorizado, a Rússia enfrentará aumento da inflação e, para impedir o descontrole, terá de elevar ainda mais os juros. A Rússia dispõe de uma reserva estimada em US$ 650 bilhões, mas sem movimentar seus recursos no mundo e enfrentando a deterioração de indicadores econômicos, a população ou parte dela pressiona o governo para cessar o conflito, minando o apoio ao presidente Vladimir Putin.

O Ocidente não sancionou totalmente as exportações de petróleo, gás, grãos e fertilizantes da Rússia, mas o fechamento de espaço aéreo na Europa e sanções para navios de bandeira russa praticamente interromperam essas transações, o que elevará a cotação das commodities e espalhará inflação por praticamente todo o planeta. A cotação do petróleo passa de US$ 100 o barril do tipo brent nesta segunda-feira (28/2). E analistas já falam em uma cotação próxima a US$ 150.

A questão é quanto tempo a economia russa aguenta enfrentar o isolamento e as medidas que a sufocam. O prolongamento do conflito, ou mesmo a escalada da guerra, vai impactar mercados dependentes dos produtos russos, como os países europeus que compram o gás, e os que dependem do trigo e dos fertilizantes vendidos pelos russos e também por ucranianos.

A continuidade da guerra vai expor essa dependência e a consequência será mais inflação. Mas mesmo após o fim dos combates – que podem durar ainda vários dias ou extrapolar a região –, a economia russa será gravemente atingida, enquanto a mundial estará ferida. E isso depois de ainda não ter se curado da pandemia de COVID-19.


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