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Estado de Minas

Especialistas temem que infecção por novo vírus na China seja muito mais extensa

A investigação das autoridades chinesas constatou que vários dos pacientes internados trabalhavam em um mercado da cidade de Wuhan especializado no atacado de frutos do mar e peixes


postado em 18/01/2020 13:30 / atualizado em 18/01/2020 14:21

(foto: AFP)
(foto: AFP)

Cientistas que analisam o impacto do surto de pneumonia por causa de um vírus misterioso na China temem que o número de casos seja muito maior do que o registrado, enquanto são adotadas medidas no exterior para evitar a propagação da doença.


Neste sábado, foram identificados quatro casos adicionais, que elevaram o número total a 45 pacientes infectados em Wuhan, informou a comissão municipal de higiene e saúde pública daquela cidade do centro da China. Até agora, todos os casos registrados na China ocorreram nesta cidade, desde dezembro.


Mas o vírus provavelmente infectou centenas de pessoas a mais do que a cifra oficial, segundo cientistas do centro de pesquisas na Imperial College de Londres, que assessora instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estes especialistas apontaram em um estudo que 1.723 pessoas infectadas é uma cifra muito mais provável do que as 45 anunciadas até agora.


O relatório leva em conta toda a informação disponível atá 12 de janeiro. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores usaram a quantidade de casos detectados até agora fora da China - dois na Tailândia e um no Japão - para deduzir o provável número de pessoas infectadas em Wuhan, segundo dados de voos internacionais que saem daquela cidade.


'Muito mais preocupado'


"Para que Wuhan exporte três casos para outros países, deve haver muito mais casos do que os anunciados", indicou à BBC o professor Neil Ferguson, um dos autores do estudo. "Estou muito mais preocupado do que há uma semana."


O quadro atual alimenta os temores de ressurgimento de um vírus semelhante ao da Sars, altamente contagioso e que provocou a morte de cerca de 650 pessoas na China continental e em Hong Kong em 2002 e 2003. Neste caso, trata-se de um novo tipo de coronavírus, uma família com uma grande quantidade de vírus.


A investigação das autoridades chinesas constatou que vários dos pacientes internados trabalhavam em um mercado da cidade de Wuhan especializado no atacado de frutos do mar e peixes.


A preocupação já é perceptível fora da China. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram a filtragem de voos de Wuhan para os aeroportos de San Francisco e Nova York, que recebem voos diretos, bem como de Los Angeles, onde há conexões aéreas. Os passageiros serão examinados por equipes médicas.


'É um vírus incrível'


Na Tailândia, onde foram identificados dois casos, o controle foi intensificado nos aeroportos antes das festividades do Ano-Novo lunar (25 de janeiro), um período que gera preocupação de propagação do vírus.


Autoridades de Hong Kong reforçaram as medidas de controle nas fronteiras do território autônomo, em particular com detectores da temperatura corporal.


O surto aumenta a preocupação, após a morte, na China, de um segundo paciente, um homem de 69 anos que adoeceu em 31 de dezembro e cujo estado de saúde agravou-se cinco dias depois. Autoridades locais garantiram à população que o risco de transmissão do vírus entre humanos "não está descartado", mas é considerado "muito baixo".


Até agora, as viagens internas na China não foram alvo de nenhuma restrição sanitária, mas o tema é constantemente debatido na rede social mais importantes da China, Weibo. "Este vírus é incrível, pode chegar ao exterior, mas permanecer confinado" em Wuhan, brincou um usuário da rede, enquanto outros suspeitam de que as autoridades estejam minimizando a gravidade da situação".


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