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Estado de Minas PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Equipe fará resgate arqueológico do casarão soterrado em Ouro Preto

As peças dos escombros vão ser resgatadas, limpas e mapeadas com identificação numérica; depois, serão transportadas e acondicionadas em um local seguro


20/01/2022 18:40 - atualizado 20/01/2022 19:03

Vista interna do Solar Baeta Neves, em Ouro Preto
Solar Baeta Neves foi a primeira construção neocolonial de Ouro Preto (foto: Arquivo pessoal)
Em meio aos escombros do que foi um dia a primeira construção em estilo neocolonial de Ouro Preto, uma equipe coordenada pelo engenheiro civil, especializado em restauração arquitetônica, Nei Nolasco vai fazer o resgate arqueológico do Solar Baeta Neves. A construção veio abaixo após um deslizamento de terra do Morro da Forca, no dia 13 de janeiro (veja vídeo abaixo).
 
O professor aposentado do Instituto Federal de Educação e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) conta que já coordenou uma série de intervenções de restauro público em Ouro Preto e afirma, que além do valor arquitetônico, a história do casarão se mistura com a história do local de maior circulação de pessoas e mercadorias no final do século 19.
“Foi uma perda muito grande para o patrimônio do município, qualquer perda patrimonial descompõe uma leitura sobre a história da cidade. Com isso, o prefeito sugeriu a possibilidade de resgatar essas peças que podem ser entendidas como elementos arqueológicos”.

Casarão destruído em Ouro Preto
O deslizamento de parte do Morro da Forca soterrou o Solar Baeta Neves, em Ouro Preto, no dia 13 de janeiro (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

 
O engenheiro afirma que assim que tiver as autorizações da Defesa Civil e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o trabalho de resgate das peças serão iniciados.


 
Para que o trabalho seja feito em segurança, a Secretaria de Defesa Social, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e a Defesa Civil, tem feito estudos para verificar se a área ainda apresenta riscos geológicos. 

Após a conclusão, uma empresa será contratada para fazer um trabalho na encosta do Morro da Forca e, só assim, os trabalhos de resgate dos elementos históricos do casarão terão início.
 
 “O resgate das peças será de uma maneira arqueológica e elas serão resgatadas, limpas, mapeadas com identificação numérica, depois transportadas e acondicionadas em um local seguro”, afirma o engenheiro.
 
A primeira proposta de Nei Nolasco, que hoje atua na coordenação da Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana, é reunir uma equipe multidisciplinar formada por arquivistas, arqueólogos, historiadores, arquitetos, geólogos e um representante do Iphan para que cada uma dessas forças produtivas colaborarem no resgate e armazenamento das peças.

Fachada do Solar Baeta Neves, em Ouro Preto
Recursos para reconstrução do casarão poderão ser conseguidos por meio de incentivo fiscal (foto: Google Street View/Reprodução)
 
De acordo com a secretária de Cultura e Turismo de Ouro Preto, Margareth Monteiro, o plano de ações e o cronograma serão divulgados após a liberação da área pela Defesa Civil.
 
“Já começamos a elaboração do plano de ação que será apresentado ao Iphan. Tudo agora depende dos estudos de estabilidade do local, e como temos previsão de novas chuvas na cidade na semana que vem, ainda não tem previsão de início”.
 
Construção de um novo Solar
 
A segunda proposta que ainda está em discussão com a Secretaria de Cultura e Turismo de Ouro Preto é a reconstrução do casarão em outra localidade da cidade utilizando as peças resgatadas.
 
“Nessa fase de reconstrução do prédio, que ainda é uma ideia, serão necessários mestres de cantaria, mestre de carpintaria, alvenaria e forjaria. Queremos devolver para a cidade parte da memória que resistiu e fazer desse novo Solar Baeta Neves um equipamento público, como um centro de saúde, por exemplo”.

Detalhe do teto do casarão Baeta Neves
Teto do casarão era todo trabalhado em madeira, com tons diferentes, que formavam desenhos (foto: Divulgação/arquivo pessoal)
 
De acordo com a secretária de Cultura e Turismo, uma reunião realizada nesta quinta-feira (20/1) dividiu em equipes cada fase de salvaguarda do Solar Baeta Neves, que é composta por: resgatar, acondicionar, higienizar, expor, projetar e construir.

Com base nessas equipes, a secretária afirma que cada uma ficou de fazer o levantamento dos custos das etapas.
 
Em relação à segurança da encosta, um convênio de R$ 35 milhões, adormecido na Caixa Econômica Federal desde 2012, foi reativado nessa semana e já há um processo de licitação para que não só o Morro da Forca tenha investimentos de contenção, mas todas as encostas no município.
 
Sobre a fase de reconstrução do novo Solar Baeta Neves, a secretaria acredita que os recursos virão do incentivo fiscal que o estado disponibilizou para o credenciamento de empresas para resgate da memória que está na iminência de se perder, como a do casarão erguido no local que mais se desenvolvia na cidade histórica antes da transferência da capital para Belo Horizonte.
 

 


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