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Estado de Minas covid-19

Europa se fecha contra ômicron

Com aumento dos casos e mortes por coronavírus no Velho Continente, países voltam a adotar restrições, com fechamento de lojas e lockdown


23/12/2021 04:00

Londres vê casos dobrarem em 24 horas e restaurantes vazios
Londres vê casos dobrarem em 24 horas e restaurantes vazios, enquanto Holanda decreta novo lockdown (foto: Tolga Akmen/AFP)

A Europa se mobiliza com preocupação no combate à nova onda de contaminações pela variante ômicron do coronavírus. Essa variante, segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, apresenta um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes. As outras variantes, fontes de atenção, que ainda estão em circulação são: Alfa, Beta, Gama e Delta. Vários países europeus e os Estados Unidos anunciaram medidas restritivas e apontam para decisões mais severas para circulação de cidadãos e estrangeiros nos próximos dias e reforço ou ampliação da imunização de seus cidadãos.

Somente na terça-feira, o Reino Unido registrou 90 mil novos casos. Em uma semana, o total de infectados foi 63% maior do que na semana anterior. Segundo o governo, o registro de mortes diárias foi de 172, após 28 dias de um teste de COVID-19.

A Holanda decretou um lockdown que vai durar, em princípio, até meados de janeiro. Alemanha e Irlanda anunciaram novas restrições para tentar controlar a situação. Até a tarde de terça-feira, a Itália registrava 153 mortes, contra 137 no dia anterior, segundo informações do Ministério da Saúde italiano. As novas infecções subiram de 15.213 para 30.798 – primeira vez que chega acima dos 30 mil, desde novembro do ano passado.

A Dinamarca apresenta taxa de 1.215 casos para cada 100 mil habitantes nos últimos sete dias, enquanto o Reino Unido registra 898 para cada 100 mil, 698 na Irlanda e 635 na Suíça. A Espanha contabilizou na terça-feira o recorde de 49.823 casos de COVID-19 em apenas um dia – quase metade correspondente à variante ômicron, segundo o Ministério da Saúde. O recorde anterior no país era de 40 mil casos em apenas um dia, em janeiro.

Em 26 de novembro, a OMS designou a variante da COVID-19 B.1.1.529 como uma variante de preocupação denominada ômicron. De acordo com a organização, quanto mais o vírus da COVID-19 circular, através da movimentação das pessoas, mais oportunidades terá de sofrer mutações. “Portanto, a coisa mais importante que as pessoas podem fazer é reduzir o risco de exposição ao vírus e se vacinarem contra a COVID-19 (com todas as doses necessárias, segundo o esquema de vacinação), continuar a usar máscaras, manter a higiene das mãos, deixar os ambientes bem ventilados sempre que possível, evitar aglomerações e reduzir ao máximo o contato próximo com muitas pessoas, principalmente em espaços fechados.”

Cerco ao vírus


Veja os países que já adotaram medidas para conter avanço da ômicron

França

A França começou ontem a campanha de vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a COVID-19, anunciou o ministro da Saúde, Olivier Véran. “Abrimos a vacinação oficial de crianças dessa faixa etária”, declarou o ministro ao canal BFMTV-RMC.

A onda de infecções causadas pela variante Ômicron avança no país. Em torno de 20% dos casos positivos de COVID-19 correspondem a essa cepa. A taxa de incidência atingiu recorde na França, com 545 casos por semana por 100 mil habitantes e quase o dobro na capital, Paris.

A França anunciou que os visitantes da União Europeia serão obrigados a apresentar um teste de COVID-19 negativo na chegada ao país, mesmo aqueles que foram vacinados. O país fechou as fronteiras para pessoas que saíram do Reino Unido a negócios ou turismo.

Ontem, a Finlândia anunciou que sua campanha de vacinação de crianças de 5 a 12 anos terá início após o Natal. Outros países europeus, como Bélgica, Dinamarca, Áustria, Grécia, Espanha e Portugal, também informaram que pretendem ampliar a vacinação para as crianças.

Dinamarca

A Dinamarca fechou cinemas, teatros e salas de concerto para tentar frear o aumento recorde de casos de COVID-19 provocado pela variante ômicron. O anúncio, feito pela primeira-ministra Mette Frederiksen, ocorre após registro de recorde de mais de 11 mil casos em 24 horas, sendo 2.500 da variante ômicron. Medidas deverão passar pelo parlamento. O governo pedirá o fechamento de outros locais que reúnem muitas pessoas, como parques de diversões, centros de congressos ou museus. Os bares e restaurantes terão que fechar às 23h e não poderão servir bebidas alcoólicas depois das 22h.

Holanda

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, anunciou a ordem de fechar todas as lojas não essenciais, assim como restaurantes, cabeleireiros, academias de ginástica, museus e outros espaços públicos até 14 de janeiro. A Holanda decretou um novo lockdown durante o Natal. O primeiro-ministro holandês disse que as restrições são “inevitáveis”. Desde o final de novembro, a Holanda ordenou o fechamento de bares, restaurantes e da maioria das lojas entre as 17h e as 5h.

Itália

O Ministério da Saúde italiano divulgou terça-feira que o número de contágios no país é o maior desde 21 de novembro de 2020. A Itália registrou 153 mortes e 30.798 casos de COVID-19 em 24 horas. Várias cidades e regiões se anteciparam às decisões nacionais e anunciaram uma série de restrições para evitar aglomerações durante as festas de fim de ano, no momento em que ocorre o avanço da variante Ômicron. A Itália endureceu as condições de acesso ao país para os viajantes procedentes da União Europeia (UE), exigindo um teste negativo obrigatório a todos e uma quarentena de cinco dias aos não vacinados.

Desde 16 de dezembro, está em vigor decreto do ministro da Saúde, Roberto Speranza, que determina “a apresentação obrigatória de um teste negativo na saída do país de origem a todas as pessoas que chegarem de países da União Europeia”. Indivíduos não vacinados terão de cumprir uma quarentena de cinco dias em sua chegada, além de apresentar um teste negativo para o novo coronavírus. Pessoas que chegarem de fora da UE também deverão cumprir uma quarentena. As medidas são válidas até 31 de janeiro de 2022.

Reino Unido

O Reino Unido se recusa a descartar restrições a aglomerações, um dia depois de a Holanda impor um quarto lockdown provocado pela variante ômicron do coronavírus, que se propaga rapidamente, enquanto outros países europeus cogitam adotar limites às comemorações de Natal. As infecções pela ômicron estão se multiplicando rapidamente na Europa e nos Estados Unidos, dobrando a cada dois ou três dias em Londres e em outros locais.

“Simplesmente, não posso dar garantias absolutas e rápidas”, disse o vice-premiê Dominic Raab à rádio Times. “Ao avaliar a situação, somos muito dependentes dos dados concretos chegando e levará um pouco mais de tempo para avaliar esta questão crítica da gravidade da Ômicron”, acrescentou Raab. O ministro da Saúde, Sajid Javid, disse que o governo está acompanhando os dados atentamente.

Alemanha

A comissão científica de aconselhamento do governo alemão disse em comunicado que é necessário limitar mais os contatos, já que dados obtidos até o momento mostram que as vacinas de reforço não bastarão para conter a disseminação do vírus. A agência de saúde do país classificou a França, Noruega e Dinamarca como países de "alto risco" por causa do aumento de infecções.

Irlanda

A Irlanda ordenou que bares e restaurantes fechem às 20h e diminuiu a presença do público em todos os eventos públicos. Um terço dos novos casos se deve à nova variante. O presidente Micheál Martin afirmou que as autoridades acreditam em "uma taxa de infecções muito maior do que qualquer coisa que vimos até agora".

Portugal

Desde 1º de dezembro, Portugal declarou estado de calamidade ao detectar 14 casos da nova variante ômicron do coronavírus. Com isso, o país passou a aplicar maior controle nas fronteiras e nos aeroportos e exigência de testes negativos de COVID-19 para entrada em estabelecimentos noturnos, entre outras medidas.

Os certificados digitais e de vacinação são obrigatórios para acesso a restaurantes, pontos turísticos, eventos com assento marcado, academias, cassinos, bingos, entre outros.  O país lusitano é o segundo da Europa com maior número de registros da cepa. O estado de calamidade que entrou em vigor está abaixo apenas do estado de emergência, que foi utilizado para decretar confinamentos.
 


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