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Estado de Minas CONFRONTO

BH: saguão da sede da Cemig é ocupado por grevistas e movimentos sociais

Entrada no prédio teve luta corporal entre seguranças e manifestantes; trabalhadores reivindicam acordo coletivo e estatal diz ter oferecido aumento


29/11/2021 17:18 - atualizado 29/11/2021 19:25

Porta é quebrada durante confronto na Cemig
Porta de vidro foi estilhaçada em meio ao confronto (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Em greve, trabalhadores da Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig) ocuparam, nesta segunda-feira (29/11), o saguão da sede da empresa, em Belo Horizonte. O grupo forçou a entrada por volta das 15h e, com faixas informando do movimento, se postou nas proximidades da recepção. Uma porta de vidro acabou quebrada. A ação dos grevistas foi reforçada por movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Como constatou a reportagem do Estado de Minas, que esteve no local, no Bairro Santo Agostinho (Região Centro-Sul), houve princípio de confronto entre os manifestantes e integrantes da equipe de segurança da Cemig, que não queriam permitir a entrada. Bombas foram arremessadas. Manifestante e seguranças chegaram a entrar em luta corporal. Depois, a situação se estabilizou e o ato de protesto prosseguiu.

Manifestantes ocupam a Cemig, em BH
'Corre-corre' durante manifestação grevista na Cemig (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Reivindicando a renovação do acordo coletivo e apontando o que chamam de "desmonte" da empresa, os eletricitários organizaram o movimento, que tem aval do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Energética em Minas Gerais (Sindieletro).

"Estamos no primeiro dia de greve, contra uma pauta que retira direitos dos trabalhadores. A retirada de direitos é para reduzir o custo do acordo coletivo e apresentar um custo mais barato de pessoal ao mercado na tentativa de venda da Cemig", diz Jefferson Silva, secretário-geral do Sindieletro.

"Houve agressão por parte dos seguranças que inclusive estavam armados. Empurraram alguns militantes na porta de vidro que inclusive quebrou com o empurrão", afirma Juliana Lima, da coordenação do MTST em Minas Gerais.

A Cemig, por seu turno, garante que a paralisação afetou de forma mínima suas atividades e afirma ter apresentado uma proposta de reajuste salarial de 11%. O índice, segundo a estatal, foi recusado pelos representantes dos trabalhadores. A princípio, a companhia não se posicionou sobre a entrada de grevistas no prédio, mas no início da noite desta segunda, resolveu tratar do assunto.

Um protesto de trabalhadores da Cemig já transcorria na porta da sede da empresa quando um ônibus de pessoas ligadas a movimentos sociais chegou. A partir desse momento, começaram as movimentações para concretizar a ocupação. A Polícia Militar está no edifício.

Segurança e manifestante brigam na Cemig, durante protesto
Houve luta corporal durante a entrada de manifestantes (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


CPI acirra relação entre empresa e trabalhadores


A Cemig é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) conduzida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O comitê investiga decisões tomadas pela gestão da empresa entre 2019 e este ano. No centro, está Reynaldo Passanezi Filho, presidente da companhia. O processo de admissão dele, feito por uma empresa especializada em recrutar executivos no mercado, embora sustentado pela Cemig por meio da legislação que rege a atuação das estatais, é muito questionado pelos parlamentares.

O Sindieletro corrobora as críticas e pede o afastamento dele até a conclusão da apuração. Contratos assinados sob dispensa de licitação também têm sido postos em xeque.

Os parlamentares estaduais têm tentado, também, entender recentes negociações de patrimônios vinculados à estatal mineira. Em janeiro deste ano, a Cemig vendeu, por R$ 1,37 bilhão, a fatia que detinha na Light, companhia de luz que atua no Rio de Janeiro. Em 2019, quando ainda estava vinculada à Cemig, a Light negociou, pelo valor simbólico de R$ 1, suas ações na Renova, que atua com fontes energéticas renováveis.

Nota da Cemig sobre o estado de greve deflagrado


A Cemig informa que o Sindieletro recusou proposta de reajuste salarial superior a 11%, oferecido pela Companhia a todos os seus empregados. O reajuste incidiria sobre salários e benefícios, como vale-refeição e auxílio educação, entre outros. A Companhia ofereceu ainda a manutenção de condições diferenciadas oferecidas a empregados, como pagamento antecipado de 30% dos salários na primeira quinzena do mês e a quitação do pagamento até o penúltimo dia do mês corrente, e não até o quinto dia útil do mês seguinte, como é previsto pela legislação.

A Cemig esclarece que a adesão à paralisação é mínima, sem qualquer prejuízo operacional. A proposta da Cemig foi aceita por 13 dos 16 sindicatos que representam empregados da Companhia. Entre eles, as representações de economistas, engenheiros, advogados, administradores, médicos, psicólogos e programadores, além da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais.

Na tarde desta segunda, integrantes do Sindieletro e de movimentos sociais invadiram parte do saguão da companhia. Foram registrados danos à portaria do edifício Júlio Soares, sem registro de feridos. A invasão também não interferiu no trabalho dos empregados da sede da Companhia. Atualmente, 90% dos empregados da Cemig trabalham normalmente em todas as regiões do Estado.

A Cemig repudia qualquer tipo de violência e mantém o diálogo com todas as entidades sindicais.

Matéria atualizada às 19h25 de 29/11, com novo posicionamento da Cemig


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