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Estado de Minas PANDEMIA

COVID-19: Óbitos de gestantes e mulheres em resguardo sobe 217%

Dados divulgados pelo Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) mostram realidade preocupante em comparação com o mesmo período do ano passado


04/11/2021 10:52 - atualizado 04/11/2021 11:13

Pesquisadora da USP com máscara, touca e óculos de proteção
Rossana Pulcineli Vieira Francisco, coordenadora da área de Obstetrícia do OOBR, Docente da Faculdade de Medicina da USP (foto: OOBR/Divulgação)
Aumentam em 217% os óbitos de gestantes e puérperas por COVID-19, em comparação a 2020. Os números foram divulgados na manhã desta quinta-feira (4/11) pelo Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) com base em dados sobre o SARS-CoV-2. Desde o início da pandemia, são 1.926 gestantes e puérperas mortas. Somente em 2021, já são contabilizados 1.465 óbitos maternos. 
 
São números atualizados de Síndrome Respiratória Aguda Grave por COVID-19 para a população de gestantes e puérperas e para a população infantil até 2 anos. A última atualização do SIVEP-Gripe disponível pelo Ministério da Saúde no site https://opendatasus.saude.gov.br/dataset é de ontem, 3 de novembro de 2021.
A letalidade da doença em casos graves (casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG): era de 7,3% em 2020 e agora saltou para 14,3% em 2021. Desde o início da pandemia, uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas por COVID-19 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 32,4% não foram intubadas. 
 
Entre março de 2020 até a última atualização, são 18.534 casos de SRAG confirmados pelo novo coronavírus. Há outros 13.920 registros com 369 mortes entre gestantes e puérperas com SRAG não especificada. 
 
COVID-19 nos primeiros 1000 dias de um bebê
 
Os primeiros 1000 dias de vida da criança é o período compreendido entre a concepção até os dois primeiros anos de vida (270 dias de gestação e 730 dias de vida da criança). Este é o intervalo que determina todo o futuro da criança no âmbito biológico (crescimento e desenvolvimento), intelectual e social.

Este termo decorre de uma série de estudos publicados na revista de medicina inglesa Lancet, entre 2008 e 2013, que analisou os primeiros mil dias do ciclo de vida, demonstrando que o cuidado se inicia com a mãe durante a gravidez. A falta de políticas públicas de saúde comprometidas com a saúde integral da gestante e da criança desencadeia consequências irreparáveis que impactam diretamente na mortalidade infantil nesta faixa etária.

 
Desde o início da pandemia, são 12.048 casos de SRAG confirmados por COVID em crianças até dois anos e 973 mortes. O estudo destaca a alta concentração de mortes nos primeiros meses de vida do bebê: 56,2% delas está concentrada até no terceiro mês (547 óbitos).
 
Dos bebês que morreram por Covid nessa faixa etária, 30,8% não foram para UTI e 38,3% não passaram por intubação, recursos importantes nessas situações. 
 
Considerando todos os casos de SRAG nesse público infantil, foram 33.466 registros e 1.725 mortes em 2020. Neste ano, são 55.873 casos e 1.420 óbitos. Em 2019 (ano anterior à pandemia) haviam sido 19.142 casos de SRAG e 576 mortes nessa faixa etária.
 
Em 2020, a porcentagem de desconhecimento do agente causador da SRAG foi de 77,8%. Neste ano, essa porcentagem é de 72,7%. O problema se agravou na pandemia, segundo o relatório do observatório. Em 2019, casos de agente etiológico desconhecido eram de 58%. 


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