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Estado de Minas OPERAÇÃO CARONTE II

'Tribunal do Crime' em Minas é desmontado em operação com 30 presos

Polícia Civil acabou com uma espécie de justiça paralela - e criminosa - criada por uma organização criminosa que atuava especialmente no Sul de Minas


20/10/2021 16:27 - atualizado 20/10/2021 16:47

Policiais posam em frente a helicóptero durante Operação Caronte II, no Sul de Minas
Polícia prende 30 pessoas em operação contra crime organizado no Sul de MG (foto: Reprodução/Polícia Civil)
A Polícia Civil desmontou um sistema de punição chamado de "Tribunal do Crime" após prender 30 pessoas, nesta quarta-feira (20/10), durante operação contra o crime organizado no Sul de Minas. Os principais alvos são de Itajubá, mas houve prisões em outras cidades da região e até mesmo fora do estado, em Dourados (MS).
 
A Operação Caronte II investiga práticas de crime organizado, tráfico de drogas e o chamado "Tribunal do Crime", um sistema criado pelo grupo para punir pessoas que não seguem as regras da organização criminosa.
 
“Integrantes da organização criminosa realizavam julgamentos paralelos de pessoas que, ao seu juízo, não cumpriam as normas estabelecidas pela própria organização criminosa”, explica o delegado que coordenou os trabalhos, Alexandre Boari.
 
Ainda segundo o policial, as investigações tiveram início há cerca de seis meses e são um desdobramento da operação de mesmo nome realizada em agosto do ano passado.

Além das 30 pessoas presas, os policiais apreenderam maconha, cocaína, crack, munições, celulares e documentos que ainda serão catalogados para a continuidade dos inquéritos, que podem levar a mais suspeitos. 

A Polícia Civil também informou que foi identificado o vínculo de alguns integrantes da associação criminosa com responsáveis por alguns pontos de venda de drogas.

'Tribunal do Crime'

Ainda conforme a Polícia Civil, por meio de uma espécie de tribunal, composto por membros da organização, as partes envolvidas eram levadas a um local onde, mediante atuação de outros integrantes, era realizado o julgamento. Nesse mesmo local ocorria e aplicação das penas, que consistiam, em alguns casos, em agressões.

“Um trabalho intenso de investigação que realizamos e conseguimos identificar suspeitos pertencentes à facção criminosa que vinham criando uma espécie de ‘justiça privada’, em que levavam pessoas que quebravam regras impostas por esta organização”, explica o delegado Alexandre Boari.

Inclusive o nome da operação, Caronte, é uma referência ao personagem da Mitologia Grega, o barqueiro de Hades, deus do Inferno, que transporta as almas dos recém-mortos para o submundo. De acordo com a Polícia Civil, a analogia está em levar os investigados à verdadeira Justiça, não à informal e ilícita que os suspeitos criaram.
 
(Gabriella Starneck / Especial para o EM)


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