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Estado de Minas GRUPO CCR

Mesma empresa que opera Confins arremata aeroporto da Pampulha em leilão

Lance mínimo para a concessão oferecida nesta terça-feirra na Bolsa de Valores era de R$ 9,8 milhões e foi levado com ágio de 245,29%


05/10/2021 15:00 - atualizado 05/10/2021 16:43

Fachada do Aeroporto da Pampulha
Aeroporto da Pampulha foi a leilão nesta terça-feira (5/10) (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Aeroporto da Pampulha  foi, enfim, leiloado para a administração privada. O leilão foi finalizado na tarde desta terça-feira (5/10) na Bolsa de Valores, a B3, com vitória da Companhia de Participações em Concessões, representada pela corretora Mundinvest.

A Companhia tem à frente o grupo CCR Aeroportos – o mesmo responsável pela BH Airport, que administra o Aeroporto de Confins.

O lance inicial era de R$ 9 milhões e foi disputado com o Consórcio Asa, representado pela corretora Ativa. Depois de mais de 15 propostas, a CCR conquistou o leilão por R$ 34 milhões.

O ágio, diferença entre o mínimo fixado pelo governo e a soma dos lances vencedores, foi de 245,29%.

Alegria e novas rotas

A diretora executiva da CCR Aeroportos, Cristiane Gomes, comemorou a vitória no leilão com “extrema alegria”, afirmou. “A CCR Aeroportos está se consolidando dentro de uma plataforma aqui no Brasil. É um prazer imenso e uma felicidade sem igual”, celebrou dizendo que conquistar o Aeroporto da Pampulha faz parte do plano de tornar cada vez maior a operação no Brasil, já que ela opera outros 16 aeroportos no país.

“Esse é um projeto de longa data. Temos certeza que junto do governo iremos promover um desenvolvimento fazendo de fato com que o aeroporto seja um tutor de desenvolvimento, geração de emprego e renda”, complementou.

A empresa não dispensa avaliar novos trajetos de voos domésticos. “A gente espera oferecer novas rotas, novos destinos e o aeroporto da Pampulha fará parte, junto das companhias aéreas”, afirmou.

A empresa ainda não consegue afirmar quais novas rotas pois depende das companhias aéreas e também da retomada do ramo no pós-pandemia. “São estudos que fazemos e agora sim vamos partir para este desenvolvimento. Essa sinergia e esse sistema multi aeroportos vai possibilitar notas rotas.”

Próximas privatizações

Também participaram do leilão o secretário de Infraestrutura de Minas Gerais, Fernando Marcato e o subsecretário de Transportes e Mobilidade na Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade do estado, Gabriel Ribeiro Fajardo, ao lado do governador Romeu Zema (Novo).

“Fico muito satisfeito, que essa seja a primeira de muitas visitas nossas à B3”, afirmou Zema, que tem planos de conceder outras estruturas estaduais, como o Mineirinho e a rodoviária de Belo Horizonte.

“É o primeiro leilão do meu governo. Já temos datas para os próximos eventos. Para mim é muita satisfação ver que isso vai gerar desenvolvimento. Temos um estado em dificuldades financeiras que não tem condições de levar melhorias a esses ativos. Com a iniciativa privada vamos levar mais emprego aos mineiros”, prometeu.

Promessa de desenvolvimento

Em seu discurso para bater o martelo, Romeu Zema criticou as gestões anteriores e prometeu fazer diferente. “O estado de Minas, infelizmente, nas últimas décadas, adotou um caminho que se mostrou longe de ser o melhor e temos agora uma tarefa de colocarmos o estado novamente nos eixos.” 

“Nosso foco desde o primeiro dia de governo tem sido equilibrar as contas e arrumar a casa. Reduzimos o custeio do estado em 49%, mais de 50 mil cargos foram extintos e mesmo assim nós ainda temos um estado com déficit”, alegou Zema, defendendo mais uma vez as privatizações, como prometido desde sua campanha.

“Temos um fluxo de caixa previsível, mas as privatizações são fundamentais. Primeiro porque a iniciativa privada tem mais agilidade, mais condições de gerir a maioria dos negócios frente ao setor público, não tem as amarras que as empresas estatais têm”, disse. 

“Além disso, com o estado quebrado, não temos condições de fazer os investimentos necessários nesses negócios”, concluiu. 

Anastasia se manifesta

O senador Antônio Anastasia, ex-governador de Minas, divulgou uma nota em que se diz feliz com a notícia do leilão vencido pela empresa CCR, uma das concessionárias do Aeroporto de Confins.

“Quando fizemos, lá atrás, o planejamento de longo prazo para a questão aeroportuária de Minas Gerais, já se concebia que a Pampulha deveria ser complementar com o Aeroporto de Confins, tornando a Pampulha, inclusive, o mais importante aeroporto de aviação executiva do Brasil. E, agora, com essa complementariedade garantida por essa licitação, dentro dos critérios do edital, e com a decisão do Tribunal de Contas da União que reafirma a completa legalidade desse modelo, eu fico muito feliz em perceber que um ciclo se fecha e uma nova oportunidade se abre para o desenvolvimento da infraestrutura do nosso Estado”, afirmou.

“É mais um passo positivo nesse nosso planejamento que anos atrás se iniciou e tem continuidade nesse momento. Parabéns a todos os protagonistas”, concluiu.

O leilão do Aeroporto da Pampulha

À frente do leilão está o governo de Minas, via Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra). As inversões com a concessão são estimados em R$ 151 milhões, viabilizados mediante investimentos privados.

Desse total, cerca de R$ 65 milhões serão investidos nos primeiros 36 meses, destinados, entre outros serviços, à construção de um terminal de aviação geral, sistema de pistas de táxi, recuperação parcial do pavimento da pista e preparação para novos hangares.

Além disso, o projeto estima a arrecadação de R$ 99 milhões em impostos federais, estaduais e municipais.

Em junho de 2020, o Ministério da Infraestrutura assinou Convênio de Delegação do equipamento para o estado de Minas Gerais, a fim de viabilizar o desenvolvimento dos estudos para a estruturação de um novo modelo de gestão, operação, expansão e exploração do Aeroporto da Pampulha.

Em julho do mesmo ano, a Seinfra iniciou o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber projetos, levantamentos e estudos técnicos que subsidiassem a modelagem da concessão. Entre fevereiro e março de 2021, foi realizada, com posterior audiência pública.

A estrutura do equipamento se encontra em uma área de quase 2 milhões de metros quadrados, a cerca de 8 quilômetros do Centro de BH. E mais: fica perto do Conjunto Moderno da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Mundial, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do estádio do Mineirão e de outros.

Cronologia

1933 – Início das atividades do Aeroporto da Pampulha, principalmente para atender voos do Correio Aéreo Militar.

1936 – Em 2 de setembro, por meio da Lei nº 76, o governo de Minas é autorizado a conceder à Panair do Brasil o direito de explorar a linha entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

1937 – Em 23 de março, é oficialmente inaugurada a linha comercial Rio-BH-Rio com um avião bimotor Lockeed 10E Electra I, PP-PAS, com capacidade para dois tripulantes e seis passageiros.

1954 – Inaugurado o terminal de passageiros.

1973 – Em 3 de dezembro, o Aeroporto da Pampulha é incorporado à Infraero.

1979 – Iniciada da construção do Aeroporto Internacional de Confins, inaugurado em 1984.

1986 – Pampulha retoma suas atividades com demanda crescente. Em 2002, bate recorde, com mais de 3 milhões de passageiros atravessando os portões de embarque e desembarque.

2004 – Passa a se chamar oficialmente Carlos Drummond de Andrade, em homenagem ao centenário de nascimento do escritor e poeta mineiro.

2005 – Voos de longa distância são transferidos da Pampulha para Confins. Com isso, o Aeroporto de BH passa a atender as principais cidades de Minas e se firma como um dos principais aeroportos regionais do Brasil.

2010 – Nessa década, a Infraero faz obras para melhoria das pistas, pátios e terminal de passageiros, implanta a nova torre de controle, revitaliza subestações, substitui torres de iluminação e promove a adequação da sala AIS (Serviço de Informação Aeronáutica).

(Com informações de Gustavo Werneck)


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