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Estado de Minas EDUCAÇÃO

Alunos do ensino médio se dividem entre medo e euforia para voltar às salas

Após a liberação para voltar à escola em BH, alguns estudantes relutam em retomar as atividades presenciais. Mas apontam perdas na educação a distância


27/07/2021 04:00 - atualizado 27/07/2021 06:52

Sem data para voltar ao Coltec, Matheus Lucas cobra participação dos alunos na definição do calendário (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Sem data para voltar ao Coltec, Matheus Lucas cobra participação dos alunos na definição do calendário (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A pandemia de COVID-19 interrompeu os últimos momentos em sala de aula de alunos que estavam finalizando o ensino médio e se preparando para ingressar no superior. Agora, ansiosos, estudantes do 3º ano se preparam para retomar as aulas presenciais em Belo Horizonte, de forma híbrida. Muitos deles se sentem prejudicados com o ensino remoto e que está na hora de retomar, enquanto outros acreditam que é necessário aguardar o avanço da vacinação.

Desde 12 de julho, os estudantes do ensino fundamental 1, do 1º ao 5º ano, já retornaram ao ensino presencial nas escolas estaduais em BH. Agora, o planejamento da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) é de voltar a oferecer aulas presenciais a partir de 3 de agosto aos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do médio.

O aval para o retorno das aulas presenciais para os três anos do ensino médio na capital mineira – tanto nas escolas públicas quanto nas particulares – foi dado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio de um decreto publicado na sexta-feira (23/7)  no “Diário Oficial do Município” (DOM), já em vigor. Neste momento, entretanto, as escolas públicas estaduais estão em recesso, com a volta às aulas marcada para 3 de agosto, data escolhida pela SEE também para avançar na oferta de ensino híbrido para estudantes do ensino médio, por ora restritas ao 3º ano, de acordo com normas próprias da rede. Já as instituições particulares têm calendários independentes.

No caso das escolas públicas estaduais, de acordo com SEE, os alunos vão voltar das férias com oferta de aulas presenciais em uma semana e remoto na seguinte. As famílias que temerem o risco de infecção pelo novo coronavírus poderão manter os estudantes somente no regime remoto de aulas.

''Embora os professores não estejam poupando esforços (...), sinto que não me adaptei bem a educação a distância''

Carolina Lima, de 17 anos, estudante


Alguns alunos discordam dessa retomada e se sentem fora do processo de decisão para saber se estão preparados para voltar com as atividades presenciais. Matheus Lucas Median Amorim, de 18 anos, estuda no Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais (Coltec), na Região da Pampulha. Para ele, é inadequado o retorno das atividades presenciais neste momento da pandemia. “Para se ter um retorno presencial seguro, precisamos ter princípios básicos de segurança e defesa da vida. A vacinação está longe da nossa faixa etária, nas escolas falta estrutura para manter, por exemplo, o distanciamento, segurança, limpeza. Queremos voltar, mas não de qualquer forma e queremos participar ativamente deste processo”, afirma. O Coltec segue o planejamento da UFMG e ainda não tem data de retorno marcada, informou.

Aluna da  Escola Estadual Doutor Aurino Morais, no Bairro Vale do Jatobá, Região do Barreiro,  Iara Araújo, de 17 anos, tem a mesma opinião de Matheus. Por isso, ela vai continuar a estudar somente a distância. “Não voltarei, não me sinto segura. E, como a dinâmica da rede estadual fará do retorno uma espécie de reforço, não vejo necessidade de arriscar minha saúde e de outros”, disse.

Ela acredita que é necessário avançar com a vacinação contra a COVID-19 para começar a se pensar em retomar as aulas presenciais. “Creio que o retorno neste momento é precoce, não vejo por que  não esperar um maior avanço na vacinação, visto que os professores nem sequer tomaram a segunda dose. Além dos alunos não terem maturidade para seguir as medidas sanitárias”, opinou.

Ao contrário deles, alguns alunos estão confiantes e animados com este retorno. É o caso de Carolina Lima, de 17 anos, que estuda no Colégio São Miguel Arcanjo, instituição de ensino particular no Bairro Nova Floresta, Região Nordeste de BH. “Acho muito importante voltar presencialmente porque nós, alunos, perdemos totalmente o rendimento normal e necessário para a reta final”, comemora. A estudante acredita nas medidas de segurança que a escola está adotando. “Apesar de ter uma preocupação, me sinto segura, já que as escolas estão tomando todas as medidas necessárias para a segurança de todos os alunos e profissionais”, acrescentou. A escola marcou para 9 de agosto o retorno dos alunos de todo o ensino médio.

Ela e os colegas estão com grandes expectativas para retornar à sala de aula após um ano e meio estudando somente em casa. “Sempre comentamos sobre a empolgação com o retorno para nos encontrarmos novamente e tentar retomar nossa qualidade nos estudos após esse período de aulas online”, comenta.

A distância

Para muitos alunos, o ensino remoto tem representado grandes dificuldades. “Embora os professores não estejam poupando esforços, não tenho estudado da forma que eu havia planejado, sinto que não me adaptei bem à educação a distância. O sentimento de desmotivação cresceu a cada dia da quarentena e me levou ao baixo aproveitamento nos estudos”, lamentou Carolina.

Iara também se sente desmotivada. “No começo foi bem difícil. No 2° ano tive apenas uma apostila para responder, com matérias ultrapassadas, e não acho que aprendi muita coisa com aquilo, por não ser nenhuma incrível autodidata. Mas, desde maio, com o cursinho, tenho conseguido repor o tempo perdido”, avalia Iara.

Matheus concorda com as colegas, mas sente que foi a melhor opção. “Minha escola adotou o ensino remoto emergencial. Foi uma adaptação difícil e, sendo uma escola técnica, tudo foi agravado pela falta das aulas práticas. Apesar das dificuldades, a assistência estudantil da UFMG me garantiu estrutura tecnológica e fui aprovado no ano de 2020, além de conseguir me manter em isolamento e não ser contaminado pela COVID-19”, disse.

ENEM 

Esses estudantes integram o contingente de 3.109.762 alunos que se inscreveram para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) este ano. A pouco mais de três meses do exame, eles  acreditam que a pandemia deixou um prejuízo no aprendizado que vai ser difícil de recuperar até o momento das provas.

“Ainda não me sinto preparada para ingressar em uma universidade federal devido a todas as dificuldades encontradas de adaptação e motivação durante esse período”, afirma Carolina. Matheus, por sua vez, coloca suas esperanças de conseguir entrar para o ensino superior somente no Enem 2022. “Eu me sinto extremamente prejudicado pelas dificuldades colocadas pela pandemia. Acredito que, com as dificuldades de estudar remotamente, uma grande pontuação é plano para a próxima edição”, lamenta.

Yara não quis perder tempo e apostou todas as fichas em um curso complementar. “Entrar numa faculdade é um dos meus sonhos, e tenho me dedicado a isso, mas acredito que apenas com o ensino da escola seria impossível. Por isso, fazer cursinho tem sido algo incrível para mim. Mesmo com pouco tempo, sinto que tenho reposto grande parte do que perdi nesses anos de pandemia, por isso acredito que estou preparada.”

Primeiro ano 

Enquanto as aulas nas escolas estaduais voltam apenas para o último ano do ensino médio, alunos de outras séries aguardam ansiosos pela retomada das atividades presenciais. Lucas Andreas tem 15 anos e está no 1° ano da Escola Estadual Getúlio Vargas, no Bairro Serra Verde, Região de Venda Nova em BH. Ele vai precisar aguardar um pouco mais até a liberação do governo do estado e conta como está se sentindo. “Chateado, mas entendendo a intenção. Com a volta do 3° ano, fico mais ansioso esperando que não demore para que os outros anos também voltem”, disse. Para ele, a volta às aulas neste momento é fundamental para alunos e professores





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