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Estado de Minas NA PAMPULHA

Dupla é presa em BH por suspeita de golpe na compra e venda de veículos

Investigações apontam que eles vendiam os carros e não entregavam dinheiro às vítimas. Eles usavam o nome de um morador de rua nos contratos


29/06/2021 13:23 - atualizado 29/06/2021 14:24

Agência dos suspeitos fica no Bairro Ouro Preto, na Pampulha. Dez carros foram apreendidos(foto: Polícia Civil/Divulgação)
Agência dos suspeitos fica no Bairro Ouro Preto, na Pampulha. Dez carros foram apreendidos (foto: Polícia Civil/Divulgação)


A Polícia Civil investiga mais um esquema de golpe do consignado em Belo Horizonte. Desta vez, os criminosos agiam em uma agência de revenda no Bairro Ouro Preto, Região da Pampulha. Os dois responsáveis foram detidos em uma operação nessa segunda-feira (28/6). A polícia estima que eles tenham feito dezenas de vítimas em diferentes pontos da capital, e o prejuízo já supera R$ 1 milhão.

Em entrevista ao Estado de Minas no início da tarde desta terça (29/6), o delegado Domiciano Monteiro, chefe da Divisão Especializada em Prevenção e Investigação a Furto e Roubo de Veículos Automotores (DEPIFRVA), contou que as investigações começaram em fevereiro. O grupo passou a ser monitorado. 

“Eles recebiam os veículos na agência, prometiam revender e seria cobrado um valor de comissão, mas eles não pagavam os valores para as vítimas. Conseguiam mantê-las por algum tempo, falavam que estava ocorrendo uma demora para a liberação dos recursos pelas instituições financeiras. Se passava mais tempo, chegavam a passar outros veículos de terceiros que também eram vítimas. Assim, conseguiam girar o esquema criminoso, passando o veículo de alguém que havia acabado de chegar. Quando repassavam o veículo, prometiam uma regularização que nuncia chegaria”, detalhou o delegado. 

Para manter o esquema funcionando, eles trocavam de endereço após determinando período, dificultando a localização pelas vítimas. Eles abriam a agência em outro bairro e com outro nome fantasia. Segundo Monteiro, eles estavam no Ouro Preto há oito meses, mas já passaram por bairros da Região Norte de BH e pela Rua Jacuí, na Região Leste. Nos novos locais, sem qualquer suspeita, eles faziam novas vítimas.

“O que também chamou atenção neste caso agora é que eles chegaram a registrar como sócio da empresa um morador de rua. Nos contratos firmados com as vítimas, aparecia o nome desse morador de rua Em vários boletins de ocorrência sequer constava os nomes dos verdadeiros (proprietários)”, disse o chefe da delegacia. Assim que for localizado, o homem usado como "laranja" será ouvido pela Polícia Civil. 

Operação


Nessa segunda-feira, policiais civis foram até o local e os dois homens foram presos em flagrante. Ambos foram encaminhados ao Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira. 

De acordo com o delegado, eles podem responder por estelionato, com pena de um a cinco anos de prisão, e organização criminosa, que vai de três a oito anos. 

Para não atrapalhar as investigações, o delegado preferiu não divulgar o que a dupla disse em depoimento, mas ele contou que ambos já têm passagens anteriores, um por estelionato e, o outro, receptação. 

Dez carros foram apreendidos, um deles de luxo, usado por um dos homens. O delegado informou que eles também repassavam veículos para outros integrantes da organização criminosa, que serão procurados no decorrer das investigações. 

Vítimas


O delegado Domiciano Monteiro contou que ontem, durante a ação, eles identificaram vítimas que estavam no entorno da agência para buscar informações. Outras foram localizadas a partir do levantamento dos boletins de ocorrência e mais três apareceram na delegacia após a prisão da dupla. O número ainda não é exato, mas o delegado acredita que são dezenas de pessoas. Ele pede que outras  que suspeitem ter sido vítimas do golpe procurem a Divisão Especializada em Prevenção e Investigação a Furto e Roubo de Veículos Automotores, no Barro Preto.  “O prejuízo já passou de R$ 1 milhão e pode ser maior, porque estamos fazendo levantamentos”, comentou. 


Não caia no golpe


Com o aumento dessa modalidade criminosa, o chefe da DEPIFRVA fez um alerta à população para conseguir comprar e vender seus veículos de maneira segura. “Tem que ser feita uma pesquisa de quanto tempo a empresa está constituída, várias vezes é empresa nova, pesquisar os sócios. Não acreditar somente que porque aquela agência está num ponto comercial da cidade isso seria uma garantia ou mesmo que o contrato firmado seria garantia, já que muitas vezes usavam o nome de um terceiro”, listou Monteiro. 

O delegado lembra que, no início deste mês, foi descoberto um golpe parecido na Região Centro-Sul da capital. “A gente desmantelou outra organização de agência, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, de forma parecida. Essa agência dessa investigação de agora lidava com carros populares, eventualmente mais caros, mas na outra eram só veículos de luxo. O golpe também pode acontecer na área nobre”, alertou. 


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