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Estado de Minas COVID-19

Atraso na segunda dose atinge até 44% dos vacinados no Brasil

Demora no país frente ao indicado pela indústria para a segunda aplicação é maior no caso da AstraZeneca. No grupo que tomou CoronaVac, taxa está em 17%


30/05/2021 06:00 - atualizado 30/05/2021 07:58

Drive-thru na 4ª Companhia do Exército atendeu, em BH, idosos de 80 a 85 anos que esperavam há cerca de três meses a conclusão do ciclo vacinal (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Drive-thru na 4ª Companhia do Exército atendeu, em BH, idosos de 80 a 85 anos que esperavam há cerca de três meses a conclusão do ciclo vacinal (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A falta de vacinas contra a COVID-19, agravada pelas recentes paralisações na produção de doses no Brasil, impõe baixa velocidade à imunização no país. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, 17% das pessoas que tomaram a primeira dose da CoronaVac estão com a segunda dose em atraso. A estatística sobe quando a análise é feita para o imunizante do laboratório AstraZeneca e atinge 44% de atraso para a aplicação da segunda dose. Os dados usados no estudo foram extraídos da base do Ministério da Saúde. Ontem, em Belo Horizonte, foi dia de vacinação de idosos de 80 a 85 anos com a segunda dose da AstraZeneca.

Tanto a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, quanto a AstraZeneca, fabricada no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sofreram pausas na produção devido à falta de insumos importados da China. Em Minas Gerais, o panorama do atraso na aplicação da segunda dose ficou na média nacional, mas requer atenção, uma vez que praticamente todo o estado registra pacientes que aguardam para completar o esquema vacinal.

Dos 2.115.727 de pessoas que receberam a primeira dose de CoronaVac, 364.311, quer dizer, 17,2%, não receberam a segunda unidade no prazo recomendado. Também em Minas, 209.596 pessoas tomaram a injeção inicial da AstraZeneca, mas 93.921 ainda não tiveram a imunização concluída, representando aproximadamente 44,8% do total.

Em Belo Horizonte, das 366.718 pessoas que receberam a primeira dose da CoronaVac, 69.414 não receberam a segunda dose no tempo recomendado, segundo o levantamento da USP e Ufal. Isso representa 18% das pessoas com imunização incompleta. Em relação à AstraZeneca, o percentual é de 37%, uma vez que 15.191 pessoas não receberam a segunda dose, das 41.001 que tiveram a primeira dose aplicada.

Os dados foram extraídos na quarta-feira de estatística acompanhada pelo Ministério da Saúde e consideram o tempo hábil indicado pelas bulas das substâncias. Elas apontam que o tempo ideal para a aplicação da segunda dose da CoronaVac é em até 28 dias, enquanto que a AstraZeneca pode ser aplicada em até três meses – ou 12 semanas. No entanto, para especialistas da área da saúde, a imunização pode ser completada com atraso.

“A CoronaVac é uma vacina que precisa, realmente, de uma segunda dose na época certa. Até 15 dias depois da data estipulada para a segunda dose, a gente não vê problema. O problema pode ser pela questão do abandono, do esquecimento”, alerta o infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à COVID-19 em BH, Unaí Tupinambás, sobre o risco do “abandono vacinal”.

“Já para as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, esse intervalo colocado de 12 semanas é adequado. Parece que da AstraZeneca até melhora a questão dos anticorpos, uma segunda dose mais espaçada, assim como da Pfizer”, completa o especialista.

Helena Bueno, de 65 anos, recebeu a segunda dose da CoronaVac na capital mineira com atraso. A primeira aplicação foi feita em 7 de abril, ou seja, a unidade de reforço deveria ter sido concluída em 5 de maio, o que ocorreu apenas na semana passada. No entanto, a aposentada ainda não está tranquila, uma vez que os filhos ainda não foram imunizados.

“Já era para meus filhos estarem vacinados e não estão, porque não houve compra de vacinas. Até o fim do ano, não acredito que sejam vacinados. Eles têm de 32 a 36 anos. São três filhos. Só vou ficar tranquila quando eles se vacinarem”, afirma.

Quem também teve a segunda dose aplicada com atraso foi Raquel Maria Santana Castro, de 65. Além de pertencer ao grupo de risco por ter mais de 60 anos, Raquel enfrentou um câncer no passado. Na véspera de tomar a segunda dose, na semana passada, ela teve algumas dúvidas por apresentar otite e por ter passado por uma cirurgia de catarata, mas foi vacinada, depois de tomar a primeira dose em abril. “Fiquei mais tranquila, mas estou mantendo meus cuidados, pois sei que pode acontecer, ainda, uma contaminação. Ainda mais que temos cepas surgindo”, relata Raquel.

País afora

Em Minas, 47 municípios estão com 90% ou mais das pessoas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca com a segunda aplicação atrasada, segundo o levantamento da USP e Ufal. Nenhum município tem 100% de atraso em relação à CoronaVac, mas 44 localidades apresentam uma taxa alta de atraso, acima de 50%.

O estudo indicou, ainda, que 22 municípios estão apenas com um paciente aguardando para tomar a segunda dose da AstraZeneca com atraso. Outras 13 localidades não registram demora na segunda aplicação pela vacina produzida pela Fiocruz, enquanto duas cidades não têm atraso de CoronaVac. Apenas um local não registra atraso de nenhuma vacina.

O Rio de Janeiro, que tem população estimada de 17.366.189 pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta atraso de 26% em relação aos pacientes que aguardam para tomar a segunda dose da CoronaVac e 55% da AstraZeneca.

São Paulo, com 46.289.333 moradores, tem percentuais de atraso de 22% para completar a imunização da CoronaVac com a segunda dose e 62% da AstraZeneca. Já o Espírito Santo, com população estimada de 4.064.052 pessoas, tem 27% das pessoas aguardando com atraso para completar o esquema vacinal da CoronaVac e 40% da AstraZeneca.


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