Jornal Estado de Minas

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Conselho de Saúde de BH pede lockdown para barrar COVID-19 e frear colapso

Para o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte (CMS-BH), o lockdown é essencial para barrar a disseminação descontrolada da COVID-19 na capital mineira. Em carta enviada à secretaria municipal de Saúde, a entidade pede que o poder Executivo belo-horizontino adote, por duas semanas, confinamento com bases rígidas para pôr fim ao colapso que se abate sobre a rede de saúde.



Nessa quarta-feira (17/3), a ocupação das unidades de terapia intensiva (UTIs) destinadas aos infectados pelo coronavírus na rede privada de BH ultrapassou 100%. Considerando também os hospitais públicos, o índice cai para 96,6%, mas ainda em estágio máximo de alerta. Em níveis críticos, também, o percentual de enfermarias ocupadas (79,3%) e a taxa de transmissão por infectado (1,26).

O cenário preocupa o CMS-BH, que se reuniu e construiu o ofício com 14 recomendações para frear a doença (Veja, no fim do texto, todas as sugestões da entidade). Ao Estado de Minas, a presidente da entidade, Carla Anunciatta, explica que recrudescer o isolamento é a única forma de aliviar a pressão sobre Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e outras casas de saúde.

“O que a gente está vivendo — em Belo Horizonte, no estado e no país — é o aumento vertiginoso da transmissão do vírus, da lotação dos leitos de CTI e de enfermaria. Isso leva a um esgotamento do sistema de saúde. Desde o ano passado, a gente tenta evitar. Uma coisa é receber, em uma UPA, 100 pacientes em um dia; outra coisa é receber 500 pacientes em um mesmo dia”, diz.



O CMS-BH também pede um plano de contingência para aliviar o número de atendimentos feitos pelos profissionais de saúde — abrindo espaço para casos que demandam assistência detalhada. Outra reivindicação é a ampliação do número de testes para a infecção.

A dramática situação vivida por Belo Horizonte — espelho do cenário nacional — se reflete no crescimento da curva de resgates feitos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Só de domingo a quarta, foram 405.

“Não tem leito, profissional e equipamento que dê conta. E não tem transporte. As ambulâncias do Samu têm tempo de desinfecção entre o transporte de pacientes”, explica Carla, em menção aos protocolos sanitários necessários a cada atendimento das ambulâncias.



Recentemente, a Prefeitura de BH aumentou, de cinco para sete, os pontos de sanitização dos veículos do Samu.

A cidade do prefeito Alexandre Kalil (PSD) está, assim como todo o estado, sob as mais duras regras do programa Minas Consciente. Apenas serviços essenciais estão permitidos e a Polícia Militar tem poder para controlar a circulação de pessoas. Das 20h às 5h, vigora toque de recolher.

Renda básica para impulsionar confinamento

O Conselho Municipal de Saúde reconhece que, para ter adesão, o lockdown precisa ser acompanhado de medidas de amparo econômico. O grupo defende a criação de um programa de renda básica para amparar a população vulnerável. O auxílio a empreendedores também é tido como etapa fundamental.

“Há os trabalhadores informais, os comerciantes e os pequenos e médios empresários. Essas pessoas precisam de um subsídio financeiro. Os comerciantes e empresários, além do subsídio, precisam de diminuição ou eliminação de impostos. Os trabalhadores informais, os desempregados e as famílias que ganham menos de R$ 2 mil precisam de uma renda básica. E, também, de cestas básicas, pois os alimentos estão caríssimos. É lockdown com condições para que as pessoas fiquem em casa”, pontua Carla Anunciatta.



A chefe do CMS-BH diz que o poder Executivo belo-horizontino busca formas de atenuar o caos. “A prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde estão fazendo o que têm que fazer, tentando abrir leitos e combater o caos. Mas, para conseguir diminuir a transmissão e a lotação, as pessoas têm que ficar em casa”, insiste.

Os conselheiros também sugerem a paralisação do transporte coletivo. A grande movimentação de pessoas nos ônibus também preocupa a equipe de Kalil. Na semana passada, o prefeito anunciou estudo sobre o fluxo de pessoas nos prédios comerciais para entender se edifícios do tipo são responsáveis por manter os ônibus e os trens urbanos ainda cheios.

“Sugerimos que os serviços essenciais possibilitem que os profissionais possam ir trabalhar sem pegar o transporte coletivo”, sustenta Carla.

Batalha contra o negacionismo

Não é a primeira vez que o Conselho de Saúde de Belo Horizonte vai a público defender o lockdown. Em julho do ano passado, quando pontuou a necessidade de endurecer as restrições, a chefe da entidade sofreu até mesmo ameaças de morte. O caso foi parar na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, que apura as mensagens em tom intimidador. Apesar disso, Carla Anunciatta se mantém firme.



“Provavelmente, isso (as ameaças) vai acontecer de novo, mas não temo. Estamos pedindo a compreensão de todas as pessoas. Qualquer um de nós pode ser atingido por essa tragédia. São quase 3 mil mortes ao dia. Um absurdo Não é uma coisa que pode ser relativizada. As pessoas que atacam não têm o entendimento do que é lutar pela vida”, enfatiza.

Prefeitura estuda alternativas para manter estoques

Nessa quarta, o secretário de Saúde de BH, Jackson Machado Pinto, explicou, ao EM, que a abertura de novos leitos esbarra na ausência de respiradores mecânicos e profissionaispara manejar as vagas. O secretário de Saúde de BH admite dificuldade para encontrar alguns medicamentos, principalmente os bloqueadores neuromusculares e anestésicos, necessários para os pacientes internados. 

“Já fizemos os contatos com fornecedores de oxigênio para que eles mantenham o fornecimento constante para BH e não temos neste momento nenhum receio de que vai faltar oxigênio”, assegurou, no entanto. A cidade estuda reutilizar tubos de intubação em pacientes com COVID-19.



 

Recomendações do Conselho de Saúde à Prefeitura de BH

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp



Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?

Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.



Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir

Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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