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Estado de Minas COVID 19

Proibida venda de bebidas alcoólicas em Montes Claros

Após lotação máxima de hospitais da cidade, medida é adotada pela prefeitura com o objetivo de acabar com festas clandestinas


02/03/2021 23:33 - atualizado 03/03/2021 00:12

Ala de pacientes da COVID-19 superlotada na Santa Casa de Montes Claros (foto: Hudson Brazil/divulgação)
Ala de pacientes da COVID-19 superlotada na Santa Casa de Montes Claros (foto: Hudson Brazil/divulgação)
A venda de bebidas alcoólicas está proibida em Montes Claros (Norte de Minas) dentro dos próximos 15 dias. A medida consta em decreto assinado pelo prefeito da cidade, Humberto Souto (Cidadania), na noite desta terça-feira (2/03), com o objetivo de frear o avanço do coronavírus no município.
 

A prefeitura endureceu as restrições depois que a ocupação dos leitos hospitalares para pacientes contaminados pela COVID-19 atingiu 100%. Diante do agravamento da situação, o Comitê de Enfrentamento da COVID-19 realizou uma reunião de emergência na manhã desta terça-feira (2/03) e sugeriu adoção das medidas mais restritivas ao chefe do executivo. O novo decreto será publicado no Diário Oficial do Município desta terça-feira, com as restrições valendo por 15 dias.

 

 

 

Além da proibição do comércio de bebidas alcoólicas, a municipalidade decidiu limitar o horário do funcionamento dos bares e restaurantes das 6 até as 18 horas. O funcionamento dos estabelecimentos aos sábados e domingos também está proibido.

 

Desde quinta-feira (25/02) foi adotado o toque de recolher no município, com a proibição da circulação de pessoas e veículos nas vias públicas entre as 22h30 e as 5h. Com o novo decreto, o período do toque de recolher foi ampliado, valendo agora, das 20h30 as 5 h. Os supermercados poderão ficar abertos entre as 6 e 19 h.

 

 

Durante os próximos 15 dias também está suspenso o funcionamento de academias e não poderão ser realizados cultos e outras manifestações religiosas com a presença de público na cidade.

 

 

A Prefeitura decidiu impor limitações ao atendimento dos bancos para evitar aglomerações. As instituições bancárias deverão fazer o atendimento por meio de agendamento ou rodízio de clientes. Os bancos que não obedecerem os critérios estarão sujeitos a uma multa pesada, de 2 mil Unidades de Referência Fiscal do Município (UREF-Ms), no total de R$ 75.050,00.

 

 

“"Estou fazendo aquilo que a responsabilidade do cargo me obriga", declarou o prefeito Humberto Souto, em entrevista ao Estado de Minas, na noite desta terça-feira. Ele afirmou que a proibição da venda de bebidas alcoólicas visa, principalmente, impedir a realização de festas clandestinas, como na área urbana como na zona rural. 

 

 

O chefe do executivo municipal também revelou que a prefeitura faz um esforço para equipar e credenciar leitos hospitalares para pacientes da COVID-19 no município. Ele disse que foi conseguida a ampliação de 12 leitos para receber pessoas com o coronavirus em hospital da cidade. “Mas, nossa meta é conseguir o maior numero de leitos possível”, declarou.

 

 

A ocupação máxima dos leitos hospitalares foi enfatizado pela secretária municipal de Saúde, Dulce Pimenta, logo após a reunião do Comitê de Enfrentamento da COVID-19 no município, na manhã de terça-feira. “Os hospitais da cidade esgotaram sua capacidade. Não existem mais leitos disponíveis para pacientes da COVID-19 em Montes Claros”, afirmou Dulce.

 

 

Ela fez um apelo aos moradores para que respeitem as medidas do isolamento social, a fim de evitar uma situação pior. “Se não tivermos uma mudança comportamental da população, vamos ter um caos do sistema (de saúde) igual estamos vendo em outros municípios e outros estados”, afirmou a secretária.

 

 

No início da tarde, em entrevista à Intertv Grande Minas (afiliada à Rede Globo), Dulce Pimenta deu outra informação que deixou a população mais apreensiva. Segundo ela, em 24 horas (de segunda para terça-feira), foram registradas pelo menos 20 mortes provocadas pela COVID-19 em hospitais de Montes Claros, entre os quais nove pacientes da cidade e os demais de municípios da região.

 

 

“Este é o pior momento dos casos da COVID-19 em Montes Claros desde o início da pandemia”, declarou a secretária municipal de Saúde.

 

 

Outro agravante da situação, segundo Dulce Pimenta, é o aumento na cidade de óbitos e internações de pacientes graves, que, até então, eram considerados fora do grupo de risco da doença, com idades entre 20 e 59 anos e que não apresentam comorbidades. “Hoje, 50% dos pacientes internados com a COVID-19 no município são de pessoas fora do grupo mais vulnerável”, afirmou a secretária. 

 

 

Transferência de pacientes

 

 

Em meados de fevereiro, Montes Claros chegou a receber pacientes graves da COVID-19, transferidos de outras cidades do estado, que atingiram o colapso no sistema hospitalar diante do avanço da pandemia, como Coromandel, no Triângulo. 

 

 

A medida foi adotada devido à disponibilidade de vagas em hospitais de Montes Claros, que conta com 76 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados exclusivamente a pessoas com complicações decorrentes do coronavírus e mais 75 leitos de UTI para pacientes com outros quadros graves. Agora, a situação se inverteu.

 

 

Os cinco hospitais conveniados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) anunciaram que atingiram a máxima capacidade de leitos destinados a pacientes com o coronavírus e suspenderam o atendimento a pessoas com suspeita ou confirmação da doença respiratória. São eles a Santa Casa de Misericórdia, Hospital Aroldo Tourinho, Hospital das Clínicas Mário Ribeiro, Hospital Universitário Clemente de Faria e Hospital Dilson Godinho.

 

 

Dulce Pimenta informou que, diante do esgotamento das vagas nos hospitais da cidade, entrou em contato com o Governo Estado para que pacientes da COVID-19 de Montes Claros possam ser transferidos para outros municípios.

 

 

Ela lembrou que, para serem transferidos, os portadores da doença respiratória precisam passar por avaliação de equipe médica. No ano passado, a Prefeitura de Montes Claros anunciou que iria implantar um hospital de campanha no prédio da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Chiquinho Guimarães, que ainda estava em construção. Mas, no final do ano, a municipalidade recuou e instalou no prédio a UPA mesmo. Atualmente, a unidade é dedicada à atenção básica, atendendo a casos de urgência e emergência.

 

 

Nesta terça-feira, Dulce Pimenta informou que a prefeitura desistiu da implantação do hospital de campanha na UPA do Chiquinho Guimarães no segundo semestre de 2020 porque, naquele período, houve uma redução dos casos da COVID-19 no município.

 “Como os casos da doença reduziram, entendendo que o pico da pandemia já tinha passado, houve uma desmobilização dos hospitais de campanha no país”, argumentou.

 

 

 

Números COVID-19 na cidade

 

Segundo dados da tarde desta terça-feira, Montes Claros tem 19.304 casos confirmados de COVID-19 e 300 mortes provocadas pela doença. A Secretaria de Saúde informou também que nas últimas 24 horas foram confirmados 307 casos de coronavírus na cidade, o maior número de pacientes contaminados registrado em um único dia no município desde o início da pandemia.


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