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Estado de Minas LUTO NA FAFICH

Morre Michel Le Ven, teólogo da libertação e perseguido pela ditadura

Ex-professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o francês dedicou sua vida à luta por igualdade social


22/01/2021 21:00 - atualizado 22/01/2021 21:27

Michel Marie Le Ven enfrentava o Mal de Alzheimer há alguns anos, informou a UFMG(foto: Reprodução/Facebook)
Michel Marie Le Ven enfrentava o Mal de Alzheimer há alguns anos, informou a UFMG (foto: Reprodução/Facebook)

 

Morreu nesta sexta-feira (22/1), em Ribeirão das Neves, na Grande BH, o professor Michel Marie Le Ven, aos 89 anos. Nascido na Região Norte da França, ele foi professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e preso durante a ditadura militar por ministrar Teologia da Libertação no Bairro Horto, Região Leste de BH, onde atuava em uma igreja.

 

De acordo com a UFMG, Le Ven enfrentava um quadro de Mal de Alzheimer há alguns anos. Ele morava em um sítio, em Neves.

 

O sepultamento será no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçaras, Região Noroeste, a partir das 10h30 deste sábado (23). A cerimônia será restrita a familiares por conta da pandemia da COVID-19.

 

Em dezembro de 1968, já no Brasil, Le Ven foi preso pela ditadura militar dias antes da instauração do Ato Institucional nº 5, o mais duro decreto do período. Além dele, os agentes prenderam dois colegas franceses e um padre brasileiro.

 

Le Ven foi solto no ano seguinte. Em 2016, lançou o livro "Memórias Vivas de 1968", no qual relatou a experiência de perseguição.

 

Em 1976, fez mestrado na UFMG, onde integrou o Departamento de Ciência Política. Também obteve o título de doutor na Universidade de São Paulo (USP), em 1988.

 

Le Ven foi ainda consultor da ouvidoria da Polícia Militar de Minas Gerais e coordenou trabalhos de extensão no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

 

"Professor Michel era, antes de tudo, um grande democrata. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi atuante, organizando grupos solidários de enfrentamento às políticas autoritárias", afirma o frei Gilvander Moreira, colega de prelazia do pesquisador e padre da Ordem dos Carmelitas.

 

"Michel deixa Rosely, sua companheira inseparável, com a missão de continuar esse extraordinário legado", completa. 

 

"Como professor da UFMG, Michel Le Ven trabalhou para aproximar a academia do mundo do trabalho e dos movimentos sociais. Ele foi um dos idealizadores do Laboratório de Estudos Urbanos e, mais tarde, do Núcleo de Estudos sobre o Trabalho Humano (Nesth)", informou a universidade em seu site institucional.

 

Ainda na UFMG, ele criou o Programa de História Oral da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich). Le Ven se tornou um dos expoentes da área no Brasil.

 

“Foi um participante ativo dos encontros de história oral brasileiros e um grande divulgador da metodologia, contribuindo para a formação de muitos pesquisadores. Sua coerência, generosidade e obstinação continuarão inspirando todos nós”, informou, em nota, a Associação Brasileira de História Oral (ABHO).


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