Publicidade

Estado de Minas CORONAVÍRUS

Após 250 dias de COVID-19, Minas vive entre alívio e focos de apreensão

Passados mais de oito meses desde o primeiro diagnóstico de contágio pelo novo coronavírus, maioria das grandes cidades tem índices em queda. Juiz de Fora preocupa


15/11/2020 04:00 - atualizado 15/11/2020 06:22

Acesso à ala de COVID-19 da Santa Casa: após pico em julho, BH tem queda de casos(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 13/07/20)
Acesso à ala de COVID-19 da Santa Casa: após pico em julho, BH tem queda de casos (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 13/07/20)
“Meu mundo se restringe ao meu quarto e banheiro. Preciso preservar todos e contribuir para que o vírus não se espalhe.” O relato de uma administradora de empresas de Divinópolis, feito após se sentir mal no retorno de uma viagem à Itália, preocupou os mineiros, que até então só tinham notícias distantes da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) pela mídia. Primeiro caso confirmado da COVID-19 no estado, com exame feito em 6 de março, dessa testagem positiva até a última quarta-feira somaram-se 250 dias de afastamento social em vários níveis, suspensão de aulas e outras atividades com potencial de aglomeração. A variação de contágios e óbitos avança de forma desigual, caindo na maioria dos municípios e na capital, mas ainda subindo em locais como Juiz de Fora, na Zona da Mata, que se mantiver o atual ritmo de contágio pode apresentar novo pico da doença.
No total, os 250 dias de pandemia em Minas Gerais contabilizam 374.651 casos confirmados (ontem eram 381.310), entre os quais 9.204 mortos (ontem, 9.504). O resultado positivo da primeira paciente foi oficializado em 7 de março. Em 20 do mesmo mês, veio o decreto de situação de calamidade pública estadual. Cinco dias depois, a Secretaria de Estado da Saúde já declarava que o vírus se encontrava em circulação social no estado. Observando as médias de contaminações e óbitos diários desses 250 dias (veja o quadro), o estado enfrentou a fase mais aguda da COVID-19 em agosto. Nesse pico, os contágios por dia chegaram a 2.802 e os óbitos a 83 a cada 24 horas.

No mês seguinte, os óbitos sofreram grande retração, chegando a 68 por dia (-18%), o que se acentuou em outubro (54) e novembro (26). Neste último mês, o ritmo das mortes pela doença respiratória em Minas se encontra pouco acima do que se via em junho, que tinha média diária de 23 casos. A razão diária de diagnósticos positivos também encolheu mês a mês, chegando à média de 1.740 por dia em novembro, volume 38% abaixo do pico de contágio.

Mas o comportamento de desaceleração estadual ainda não é acompanhado por todos os municípios. Em Juiz de Fora, quarta cidade mais populosa de Minas, com 573 mil habitantes, o pico de contágios foi em julho, com 57 exames positivos todos os dias, enquanto o de óbitos, que sempre foi baixo, atingiu o maior índice em setembro, com 1,93 registros diários. Até novembro, a tendência de mortes se manteve nivelada e a de disseminação em queda, mas nos 11 primeiros dias deste mês o contágio subiu com vigor e a média de registros a cada 24 horas já é a maior de todos os meses, com 73 novos diagnósticos, volume 28% superior ao pico de julho.

De acordo com a Saúde estadual, a Macrorregião Sudeste se mantém na onda verde, que dentro do Plano Minas Consciente confere a maior possibilidade de flexibilização de atividades não essenciais de alto potencial de contágio, com as devidas precauções. “Mas (a região) apresentou índices que demonstram uma piora na situação epidemiológica, o que exigirá uma avaliação criteriosa nos próximos dias”, adverte a área. A macrorregião é sediada por Juiz de Fora, seu maior município, e tem população estimada em 1,6 milhão de habitantes.

Quadro melhora, mas prevenção se mantém

Doze das 14 macrorregiões de Saúde do estado estão na onda verde do programa Minas Consciente, fato que o governador Romeu Zema (Novo) comemorou justamente no dia em que se completaram 250 dias do primeiro contágio pela COVID-19. “Minas é o estado com a menor taxa de óbitos por 100 mil habitantes. Mas a batalha ainda não terminou. Temos que continuar usando máscara e tomando todas as medidas preventivas, porque o vírus continua entre nós e, infelizmente, fazendo vítimas”, alertou.

Os três municípios mais populosos e que apresentam maior número total de casos de COVID-19 seguem em trajetória descendente em relação ao pico. Em Belo Horizonte, apesar de o registro de 327 diagnósticos diários nos 11 primeiros dias de novembro estar acima de setembro (280) e outubro (188), ainda se encontra inferior ao pico em julho (464) e ao mês de agosto (413). O índice diário de seis óbitos deste mês é o menor desde julho (13) e do pico em agosto (15).

A Secretaria Municipal de Saúde da capital sustenta que, com a redução no índice de transmissão (Rt) da doença, diminuição expressiva na taxa de ocupação de leitos de UTI e enfermaria, foi possível reabrir, gradualmente, as atividades na cidade. “O Rt tem oscilado em torno de 1,00 – dentro da faixa aceitável para a capacidade de resposta da prefeitura (abaixo de 1,20). Qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas”, informa a pasta.

Ações como a capacitação e qualificação das equipes da área, a instituição do Comitê de Enfrentamento à COVID e a implantação de medidas de isolamento e afastamento social, como o fechamento do comércio, de serviços não essenciais e de escolas, permitiram esse controle, diz a secretaria. Em paralelo, buscou-se a abertura de leitos e de serviços especializados, ampliação de ambulâncias do Samu, o abrigamento provisório de moradores em situação de rua e idosos, o investimento em exames por laboratório próprio e da Fundação Ezequiel Dias, a fiscalização em locais com grande circulação e a contratação de profissionais de saúde.

A SES-MG considera que julho e agosto foram meses de platô, ou seja, constância em grandes volumes de casos de COVID-19, e ressalta ações preventivas do governo contra a doença desde a notificação dos pri- meiros casos na China.  Entre elas, cita a instalação do Centro de Operaçoes de Emergência em Saúde (Coes), em janeiro, do plano de contingência, em fevereiro, além de investimentos em equipamentos, campa- nhas, hotsite, coletivas à imprensa, ampliação recorde do número de leitos e repasses de R$ 30 milhões aos municípios para atenção primária.

O alerta na Zona da Mata

Apesar do baixo registro de óbitos, um dos agravantes de um possível novo pico de contágio em Juiz de Fora é que a segunda maior parcela de infectados ocorre entre pessoas com idade acima de 60 anos, representando 19,47% dos testes positivos dentro de 250 dias, de acordo dados da Secretaria Municipal de Saúde. A idade avançada é considerado fator de agravamento do estado de saúde de doentes de COVID-19, bem como pessoas que sofrem de doenças crônicas respiratórias, circulatórias e diabéticos,  entre outras condições. A faixa etária de maior registro de contágio é a de 30 a 39 anos, com 24,33% dos positivos. Entre os testes positivos, 53% são de mulheres e 47% de homens.

Mapeamento da prefeitura mostra que a área central da cidade concentra os casos que testaram positivo para o novo coronavírus. O Centro é o bairro que tem mais casos, somando 7%, seguido dos vizinhos São Mateus e São Pedro, com 4,4% e 3% do total, respectivamente. As taxas de ocupação de UTIs são altas, tanto pelo SUS, chegando a 78,61%, quanto no sistema privado, com 72%.

Por causa da inconstância de controle da doença, quatro agências bancárias já interromperam o atendimento, por precaução, desde a reabertura da atividade, diante de funcionários que testaram positivo. O ex-pároco da Catedral Metropolitana de Juiz de Fora monsenhor Falabella é um dos novos casos de doentes em estado mais grave. Ele está internado desde segunda-feira, na Santa Casa. De acordo com informações do arcebispo metropolitano, dom Gil Antônio Moreira, o religioso não passou bem no domingo e foi internado. “Está tranquilo, foi bem orientado, não apresenta sintomas de agravamento do quadro de saúde e segue respirando espontaneamente”, afirma o arcebispo.

Segundo a prefeitura, há diversas medidas de enfrentamento à epidemia no município, auxiliado pelo Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à COVID-19, instalado em 17 de março, que orienta decisões como o uso obrigatório de máscaras pelos cidadãos. Em 7 de abril, foi declarado estado de calamidade. Caminhões-pipa fazem a desinfecção de locais públicos com hipoclorito de sódio (solução usada na limpeza hospitalar), enquanto equipes de limpeza seguem um cronograma próprio.

Uma força-tarefa foi organizada para atuar pontualmente em locais de maior contaminação ou desrespeito a posturas preventivas. As empresas de transporte público foram orientadas a descontaminar todos os veículos com solução de dióxido de cloro pulverizada por 30 minutos, e depois enxaguada com água limpa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade