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Estado de Minas CRISE EM DOBRO

Finados: com bancas vetadas nos cemitérios, floriculturas de BH preveem fiasco de vendas

Comércio de flores deve cair mais de 90% na data que presta homenagem aos mortos, segundo a Associação de Distribuidores e Produtores de Flores e Plantas de Minas Gerais


31/10/2020 04:00 - atualizado 31/10/2020 16:00

Associação dos comerciantes de flores e plantas prevê queda de 90% das vendas no Dia de Finados(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Associação dos comerciantes de flores e plantas prevê queda de 90% das vendas no Dia de Finados (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Comemorado na próxima segunda-feira, o feriado de Finados deve frustrar o faturamento dos floricultores de Belo Horizonte. A previsão é da Associação de Distribuidores e Produtores de Flores e Plantas de Minas Gerais (ADPF-MG). O presidente da entidade, Flávio Vieira, calcula que a queda nos ganhos deve ultrapassar 90% na comparação com o ano passado, situação que ele atribui a alguns fatores ligados aos efeitos das regras sanitárias estabelecidas para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Em primeiro lugar, o setor deve ter dificuldades de vender seus produtos devido ao protocolo de visitação aos cemitérios fixados pela prefeitura da capital, que vetou a comercialização de flores dentro e nos arredores das necrópoles municipais para evitar aglomerações, propícias à propagação da COVID-19. Com isso, explica Flávio Vieira, os comerciantes perderam o carro-chefe das vendas durante o dia que celebra os mortos.

O presidente da ADPF-MG também espera que, este ano, as visitas aos túmulos sejam reduzidas por causa da pandemia. A expectativa, portanto, é de que a procura pelas floriculturas seja significativamente menor. “Estamos falando de um público formado principalmente por idosos, pois jovens que não têm costume de homenagear os mortos. Sendo do grupo de risco, imagino que essas pessoas não estão muito dispostas a arriscar a saúde para visitar sepulturas. Logo, não temos como estar otimistas. Este será, provavelmente, o pior Dia de Finados da história para nós”, avaia.

Dono da Flora Marselha, instalada no Mercado Central, Centro de BH, o empresário Vinícius Araújo faz prognóstico semelhante para as vendas durante o feriado. Ele conta que, antes do veto às bancas de flores nos cemitérios, planejava montar flower trucks (caminhões equipados para a venda de plantas, semelhantes aos food trucks) na porta de alguns desses espaços. “Com a proibição, meus planos foram por água abaixo”, lamenta o comerciante.

Vinícius Araúo diz que, até a tarde desta sexta-feira, recebeu uma única encomenda para o feriado. “Fiz um arranjo para um cliente antigo, que costuma homenagear o pai falecido todo ano. Ano passado, a essa altura, teria feito pelo menos uns seis arranjos. Aliás, desde março, no início da pandemia,  não recebi nenhum pedido de coroa para velório. Com a limitação dos funerais, perdi essa renda também”, destaca.
 
Na flora Decorar com flores, cujo foco são as vendas on-line, as expectativas para o feriado também são baixas. O proprietário Matheus Domingues diz que reduziu as compras com os fornecedores em cerca de 20%. “Finados é uma data cada vez mais fraca para nós, pois a tradição de prestar tributo aos que se foram está morrendo. O pessoal aproveita para curtir o feriado viajando ou no churrasco”, desabafa. Contudo, a pandemia, segundo o comerciante, acentuou bastante a queda nas vendas. “Se, no Dia das Mães, eu tripliquei meus estoques, este ano, eu reduzi. Não tenho nenhuma expectativa”, avalia o floricultor.

Jornada extra para trabalho no comércio

O comércio de Belo Horizonte poderá funcionar normalmente na próxima segunda-feira, durante o feriado do Dia de Finados, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH). A liberação está prevista na legislação e Convenção Coletiva de 2020/2021. Entretanto, devido às restrições impostas pela pandemia da COVID-19, os lojistas e consumidores devem ficar atentos ao cumprimento dos protocolos municipais de segurança sanitária, além de cumprir os direitos trabalhistas. 

Há também a mudança de horários de funcionamento estipulada pela Prefeitura de BH. Os empregados do setor devem cumprir jornada de oito horas de trabalho, com mínimo de uma hora de intervalo. As horas extraordinárias devem resultar em adicional de 70% dos vencimentos proporcionais.

O comerciante terá de conceder uma folga compensatória ao trabalhador, a ser gozada no prazo de até 60 dias após o respectivo mês do feriado, desde que não recaia em feriado ou repouso semanal remunerado. Decorrido esse prazo, se o empregador não tiver concedido a folga, o empregado fará jus ao recebimento de horas extras, pagas com o adicional de 70% sobre o valor do salário-hora normal. As empresas deverão fornecer vale-transporte ao empregado escalado para trabalhar no feriado.

Feira do Mineirinho

Com atividades suspensas há mais de sete meses, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a tradicional Feira de Artesanato do Mineirinho, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, volta a funcionar amanhã, a partir das 8h. De acordo com os organizadores, a reabertura será feita em conformidade com o protocolo sanitário estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde. Haverá apresentações da dupla sertaneja João Marcos e Maurinho, e do grupo de samba Diga Lá. Entre as normas sanitárias que deverão ser seguidas para evitar a transmissão do novo coronavírus estão o uso obrigatório de máscara por frequentadores, expositores e trabalhadores da feira, aferição da temperatura e higienização das mãos dos visitantes com álcool 70% nas entradas do estabelecimento. Nos estandes, não serão permitidos provadores de roupas.


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