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Estado de Minas PELO TWITTER

Médico causa polêmica ao fornecer atestado permitindo que pessoas não usem máscara

Sergio Marcussi alegou por rede social que a lei permite que pessoas com outras limitações de saúde, como dor de cabeça, não usem o equipamento contra a proliferação do novo coronavírus, a partir da apresentação de atestado mediante consulta


27/10/2020 21:15 - atualizado 28/10/2020 07:13

Postagem de Sergio Marcussi cita deputado federal que chama a máscara de ''focinheira ideológica''(foto: Reprodução/Twitter)
Postagem de Sergio Marcussi cita deputado federal que chama a máscara de ''focinheira ideológica'' (foto: Reprodução/Twitter)

 

O médico Sergio Marcussi, proprietário de um consultório na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, causou polêmica nesta terça (27). Pelas redes sociais, ele se oferecer para dar atestado médico, mediante consulta, para pacientes que relatam enfrentar alguma limitação de saúde por conta do uso da máscara, uma das principais armas contra a COVID-19.

 

Pelo Twitter, ele citou uma postagem do deputado Daniel Silveira (PSL/RJ), que ficou conhecido por quebrar uma placa em homenagem a Marielle Franco em 2018.

 

 

 

O texto do político dizia que ele havia conseguido entrar em um aeroporto sem o que chamou de “focinheira ideológica”, com base na lei que obrigou o uso de máscaras no Brasil.  

 

Isso porque o parágrafo 7º do artigo 3º da legislação diz que a obrigação não se estende a pessoas com "quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial".

 

Ao citar o tuíte do deputado, o médico Sergio Marcussi emendou: “A luta diaria (sic)! Hoje fiz 20 atestados desses. Vamos disseminado (sic)”, afirmou o profissional da saúde.

 

Em resposta a outro usuário, Sergio enviou o número de telefone de sua clínica para realização de consulta para emissão ou não do atestado.

 

"Parece que há repercussão a respeito da impossibilidade de algumas pessoas não usarem máscaras porque desenvolvem uma cefaleia crônica e, para isso, se valerem da lei... Está dando uma repercussão boa. Muita gente está se identificando com o mesmo problema. As pessoas estão perguntando: por que tanta gente está tendo dor de cabeça? É uma patologia comum? Sim. Com uso de máscara, é uma patologia comum", disse o médico no Instagram.

 

Sergio Marcussi também disse que não faz “distribuição de atestado”, mas o concede após consulta médica, mediante os relatos dos pacientes. Portanto, está apenas “cumprindo a lei”.

 

"Se o meu paciente vir ao meu consultório e me disser que tem dor de cabeça, pânico, ansiedade, acne ou quaisquer outras (doenças) não cabe a mim, como médico, discutir a sensação do paciente. Se o paciente me diz que tem dor, eu tenho que acatar a dor do paciente", afirmou.

 

Mesmo com as declarações, o médico apagou seu perfil no Twitter onde oferecia as consultas. Com isso, as mensagens também foram removidas.

 

Vale lembrar que o uso da máscara continua obrigatório em Belo Horizonte sempre que o cidadão precisa andar pelas ruas ou frequentar local com aglomeração de pessoas, como hospitais, comércio e empresas. 

Perfil 

Sergio Luiz Marcussi Vitor da Silva se inscreveu no Conselho Federal de Medicina (CFM) em abril de 1993 e tem situação regular no CFM.

 

Ele já atuou em São Paulo, mas hoje seu registro profissional é de Minas Gerais. Conforme o cadastro do CFM, Sergio é especializado em ginecologia e obstetrícia e nutrologia. Também é formado em direito.

 

Pelas redes sociais, o médico é defensor ferrenho do uso dos medicamentos hidroxicloroquina e ivermectina para tratamento da COVID-19 – dois fármacos ainda sem comprovação científica.

 

Ele também se posiciona muitas vezes a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e declarou voto ao candidato Bruno Engler (PRTB), que concorre à Prefeitura de BH.

 

Sergio Marcussi faz campanha para Nikolas Ferreira (PRTB), candidato a vereador em BH e coordenador do movimento Direita Minas.

 

CRM-MG apura  

 

"O Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) apura denúncias formais,  de ofício e de conhecimento público, de acordo com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP), e os procedimentos correm sob sigilo. As denúncias formais devem ser feitas por escrito e, se possível, conter o relato detalhado dos fatos e identificação completa dos envolvidos. Precisam ser assinadas e documentadas. Podem ser entregues na sede do CRM-MG em BH ou nas regionais, no interior do estado; enviadas por correio ou para o e-mail processos.crmmg@portalmedico.org.br. Todos os documentos e imagens devem ser legíveis. Não são aceitas denúncias anônimas."

 

 


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