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Estado de Minas OBSTRUÇÃO

Vídeo mostra confusão em protesto que acabou com detenção da vereadora Bella Gonçalves

Vereadora liberada nesta manhã de sábado (17) alega ter tido atividade parlamentar obstruída; PM afirma ter sido ela quem obstruiu trabalho policial de conter distúrbios


17/10/2020 09:18 - atualizado 17/10/2020 11:21


A Polícia Civil vai apurar se a manifestação encerrada pela Polícia Militar (PM) e que culminou na detenção da vereadora Bella Gonçalves (PSOL), na tarde de sexta-feira (16), se tratou de obstrução à atuação da parlamentar ou de obstrução da ação policial de contenção de um distúrbio. Um vídeo conseguido pelo Estado de Minas mostra o momento da confusão, mas não fica claro quem a iniciou.

A parlamentar belo-horizontina foi liberada na madrugada deste sábado (17), após quase 12 horas de depoimentos na Central de flagrantes (Ceflan 2), na Floresta, Região Leste de BH. Por volta de 15h, uma manifestação com cerca de 80 pessoas tomou a frente da Cemig para protestar em favor da manutenção das moradias que estão instaladas em terreno da companhia no Bairro Vila Beija Flores, na divisa com Vespasiano, onde estão há 25 anos.

O movimento, entre as avenidas Gonçalves Dias e Barbacena foi identificado pelas câmeras do 1º Batalhão da Polícia Militar, que informou ser protocolo enviar viaturas imediatamente, sobretudo por não ter nenhum protesto marcado para o local, o que seria uma praxe vinculçada ao direito constitucional de livre manifestação segundo a corporação.
Manifestantes que fechavam vias perto da Cemig entram em conflito com um carro(foto: Divulgação)
Manifestantes que fechavam vias perto da Cemig entram em conflito com um carro (foto: Divulgação)


"Assim que os militares chegaram ao local, tentaram identificar as lideranças para negocia ruma forma segura de que o protesto ocorresse e as vias continuassem abertas à circulação dos motoristas", disse o major Cláudio Henrique Ribeiro dos Santos, subcomandante do 1º BPM. de acordo com o militar, a manifestação estava ocorrendo de forma temerária.

"O decreto da pandemia diz que não se pode aglomerar mais de 30 pessoas. Recebemos uma reclamação do Hospital Mater Dei de que o protesto estava atrapalhando o cuidados dos pacientes e o trabalho das equipes de médicos e de enfermeiros. Mas tentamos negociar uma forma de afastamente e de liberação das vias", afirma o subcomandante.
Vereadora Bella Gonçalves, do PSOL, e manifestantes negociam com a PMMG(foto: Divulgação)
Vereadora Bella Gonçalves, do PSOL, e manifestantes negociam com a PMMG (foto: Divulgação)


Já a vereadora informou que o movimento era organizado e pacífico. "Fomos lá para estar junto com os moradores, entender quais eram as reivindicações deles e buscar um canal de diálogo com a Cemig. Eu não estava envolvida neste momento. Estava conversando com a Polícia, tentando mediar a situação, ao lado", afirma a parlamentar.

Pelo vídeo é nítido que num dado momento os manifestantes fecham as duas vias e um carro que é envolvido pelas pessoas acelera em meio aos manifestantes que o atacam com socos, bandeiradas e chutes.


Na versão da vereadora, a motorista avançou sobre os manifestantes, que depois teriam sido agredidos e sofrido ataques de gás dos policiais. A Polícia Militar informou que os manifestantes encaixotaram os carros que estavam trafegando e que os atacaram primeiro. "Tentaram quebrar os vidos do veículo e o danificaram, com duas mulheres dentro, mãe e filha. Por isso foi usado gás e três pessoas acabaram detidas", afirma o major Cláudio.

Nesse momento, segundo a polícia, a vereadora tentou impedir a prisão dos suspeitos se identificando como parlamentar e ameaçando os militares. Já Bella Gonçalves diz que estava com "uma senhora idosa estava passando muito mal. Eu estava tentando convencê-la a passar os documentos para a polícia (que iria qualificar os manifestantes que reagiram à tentativa de atropelamento). Foi quando a polícia alegou que ela não queria passar os documentos. Ela estava muito alterada, chorando muito. E quiseram colocá-la no camburão”, afirma.

A vereadora e os supeitos foram levados para a delegacia. Por volta de 3h, ela foi liberada. "Revertemos os fatos mostrando que a comunidade foi agredida e que a Políocia Militar cometeu abuso de autoridade contra um mandato parlamentar e contra uma comunidade que lutava contra o despejo. Vamos seguir firmes, pois não aceitamos injustiça", declarou a vereadora.


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