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Estado de Minas COVID-19

Tecnologia ajudou profissionais de saúde mineiros durante a pandemia; veja como

Governo de Minas utiliza Big Data e Inteligência artificial para dobrar o número de UTIs e mapear 170 mil profissionais de saúde nos 853 municípios do estado


16/10/2020 19:55 - atualizado 20/10/2020 18:37

Leitos para terapia semi-intensiva, com respiradores e equipamentos necessários para atender pacientes em estado critico, no Hospital Eduardo de Menezes, no Barreiro.(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Leitos para terapia semi-intensiva, com respiradores e equipamentos necessários para atender pacientes em estado critico, no Hospital Eduardo de Menezes, no Barreiro. (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Para driblar as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 vale tudo. E a tecnologia tem sido uma aliada fundamental no combate a proliferação da doença em Minas Gerais. Encontrar respiradores disponíveis, fazer o levantamento dos profissionais de saúde no estado, comprar materiais como máscaras e luvas, todas essas missões ficaram mais viáveis depois que o governo do estado passou a utilizar uma plataforma de cruzamento de dados.
 
A plataforma foi desenvolvida pela Neoway empresa referência na utilização de Big Data Analytics e Inteligência Artificial, que disponibilizou gratuitamente diversas soluções para o combate à COVID-19. A parceria com o governo de Minas, possibilitada pelo Decreto Estadual 47611/2019, ajudou a enfrentar problemas, agilizando processos e contribuindo para diminuição de gastos com equipamentos e medicamentos. 
 
Trabalhar grandes volumes de informação para chegar a determinadas conclusões. Assim, Kadu Monguilhott, CEO da Neoway, define o objetivo da empresa.  “A gente tem uma plataforma em que o nosso cliente pode ter bastante autonomia para trabalhar. A gente pega informações de fontes públicas e trata. Então a gente tem levantamento de todos os hospitais, por exemplo. Eu sei quais hospitais têm respirador, leito de UTI. Esse é um exemplo de coisas que a gente consegue tratar”. 

Ele explica que sabia que a tecnologia da empresa era relevante e poderia ajudar gestores públicos na tomada de decisão durante a pandemia. Então resolveu disponibilizar a plataforma, chamada Neoway for Good, para o setor público. “O que a gente fez foi colocar essa plataforma de análise de grandes volumes de dados, mas de maneira simples, na mão do gestor público. O estado de Minas Gerais foi o primeiro que aderiu à plataforma”, conta.
 
O Neoway for Good é um projeto criado para ajudar governos, setores de saúde e negócios de todos os segmentos a superarem esse momento de crise. 
 

Mesma tecnologia, diversas utilidades

 
Em Minas, a mesma tecnologia foi aplicada em diversas frentes de trabalho, nas áreas de planejamento, saúde e controladoria. A plataforma mapeia todos os hospitais e informa o número de respiradores e leitos de UTI disponíveis. Com esses dados, o governo pode tomar decisões sobre a distribuição dos equipamentos para municípios que estejam precisando, por exemplo.  
   
Além dos respiradores, a tecnologia foi utilizada no projeto Protege Minas e no setor de compras, segundo Isabella Bueno de Vasconcelos, co-CEO da Nexti , empresa parceira da Neoway e que presta consultoria para as ações tomadas pelo estado. Enquanto os gestores precisariam acessar a base de dados públicos e analisar, manualmente os números de todos os hospitais, quantos respiradores existem e quantos estão disponíveis para uso, a plataforma já apresenta todos essas informações. 

Em Minas Gerais, por meio da Neoway, foram captados 464 respiradores sem uso para serem reparados. “Alguns hospitais temiam que os aparelhos não fossem devolvidos depois de consertados. Quando a Polícia Mlitar chegou com a informação e os respiradores voltaram muito rápido, houve até o engajamento de outras instituições de entregarem respiradores guardados para serem consertados também”, relata Rodrigo Matias, subsecretário da Secretaria do Planejamento e Gestão. 

Ele explica que as principais dificuldades foram aquisição de equipamentos de proteção individuais (EPIs), compra de equipamentos de leitos de UTIs e respiradores, além de medicamentos. E que a agilidade no planejamento foi a principal característica para implementar a parceria, já que as respostas precisavam ser rápidas, no enfrentamento da doença. 

Quanto aos EPIs, Matias ressalta que a plataforma ajudou na escolha de empresas confiáveis para fornecer os equipamentos. “Nós deu essa segurança na compra”. A tecnologia foi útil, também, na compra de equipamentos em grandes quantidades para serem repassados aos municípios menores, que encontravam dificuldades em adquirir esses materiais. “O estado tomou uma decisão de comprar um quantitativo maior, estocar na Defesa Civil em Belo Horizonte e colocar à disposição dos municípios. Aqueles que tiverem interesse requisitam da administração estadual o quantitativo que eles precisarem e reembolsam o município, pelo mesmo valor que foi pago”, explica.

Uma parceria entre o Sesi, a Fiat e a ArcelorMittal também capacitou uma equipe para consertar respiradores. A tecnologia da plataforma atuou para mapear quantos equipamentos precisavam ser reparados e colocados em uso. “Inicialmente eram 333, a medida que eles foram sendo consertados e devolvidos, começaram a aparecer respiradores que nem estavam na base de dados. E o estado conseguiu reparar 440 respiradores que estavam fora de uso”, completa Matias.

Com eles em funcionamento, dobrou o número de leitos de UTI. Em média, um aparelho custa R$ 70 mil e cada um pode salvar 10 vidas. A plataforma ajudou também na identificação de possíveis fraudes em processos urgentes sem licitação e ampliação de fornecedores de itens de saúde que estavam em falta no mercado.

“A tecnologia veio para ficar. Sem ela alguns feitos seriam impossíveis. Por exemplo, conseguimos viabilizar 40 compras em 37 dias. Normalmente, seriam 125 em um ano ou 10 por mês. Além disso, ela permitiu analisar o perfil de mais de 170 mil profissionais de saúde que atuam em todos os 853 municípios mineiros”, ressalta Matias.
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor Frederico Teixeira


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