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Estado de Minas PERSEGUIÇÃO

Com ajuda da população, polícia evita sequestro em Chapada do Norte

Gerente de banco seria vítima do golpe do sapatinho, em que a família é feita refém até a retirada de todo o dinheiro da instituição


13/10/2020 18:56 - atualizado 13/10/2020 20:59

(foto: PMMG/Divulgação )
(foto: PMMG/Divulgação )
A interação entre a comunidade e a Polícia Militar foi determinante para impedir um sequestro e prender seis membros de uma quadrilha. Um dos criminosos é foragido da Penitenciária Dutra Ladeira, de onde escapou no início de setembro, de Chapada do Norte, no Norte de Minas Gerais. A vítima era o gerente de um banco da cidade, em quem seria aplicado o “golpe do sapatinho”.

O caso abalou não somente a comunidade de Chapada do Norte, como o policiamento de Capelinha, Itamarandiba, Carbonita, Turmalina, Veredinha, Berilo, José Gonçalves de Lima, Genipapo, Leme do Prado, Francisco Badaró, todas atendidas pela 23ª Companhia Independente da PM.

A operação levou a campo o comandante da guarnição de Capelinha, tenente-coronel Gilberto de Jesus Costa, que com o capitão Luís Sandoval Pires chefiou as buscas aos criminosos, que duraram 53 horas ininterruptas. Teve também a participação do comandante-geral da PM, coronal Rodrigo Souza Rodrigues, e do subcomandante coronel Eduardo Felisberto Alves. No total, 70 policiais estiveram envolvidos.

Foram presos JFR, de 41 anos; AELC, de 21; GLO, de 29, que está foragido da Penitenciária Antônio Dutra Ladeira, desde o início de setembro; AGN, de 26, contra quem consta um mandado de prisão em aberto; FBA, de 19; e SPC, de 20.

Entenda 

Fim de tarde de terça-feira, em Chapada do Norte. O gerente do banco local sai da agência, entra em seu carro, para voltar para casa. Ele mora com a família, mulher e filhos, na zona rural da cidade. Não percebe, mas assim que sai do serviço, seu carro é seguido por um Prisma cinza. São os homens que pretendem sequestrá-lo, segundo o capitão Pires, com sua família e, depois, tendo a família como refém, levá-lo ao banco para retirar uma grande quantia em dinheiro - o “golpe do sapatinho”.

No entanto, segundo o militar, o gerente é bastante conhecido da população local. "Todos o conhecem e gostam dele”, diz o capitão. E por estranharem um carro seguindo o dele, chamaram a Polícia Militar. Nesse instante, no entanto, os sequestradores já haviam cercado o carro do gerente. Outro criminoso numa motocicleta CB 300 o dominava.

Confirmadas as suspeitas, segundo o capitão, foi montada uma operação de resgate. Um cerco foi iniciado. Os sequestradores, ao avistarem uma viatura policial, liberaram o gerente e fugiram. Os homens que estavam no Prisma foram perseguidos. Eles ganharam uma estrada, a MG-367, tomando o rumo de Araçuaí, mas ao chegarem próximo a Leme do Prado, onde acabaram cercados, largaram o veículo e iniciaram uma fuga a pé, embrenhando-se num matagal. Já era noite.
(foto: PMMG/Divulgação )
(foto: PMMG/Divulgação )

Os militares fizeram, então, um cerco na mata. Por tática, durante toda a noite de terça e madrugada de quarta-feira, os militares promoveram “inquietação”, que significa fazer movimento durante todo o tempo de viaturas, com sirenes e giroflex ligados.

Ao mesmo tempo, a inteligência da PM começou a trabalhar, na tentativa de identificação dos sequestradores. E também os moradores de Chapada do Norte, Leme do Prado, Boa Vista e Araçuaí foram avisados da situação pelos militares, que orientaram a todos de passarem informações somente pelo 190.

O Serviço de Inteligência conseguiu identificar um integrante da quadrilha, residente de Chapada do Norte. Ele foi preso no final da noite de terça. No segundo dia, com a ajuda de um drone, o matagal começou a ser varrido e isso resultou na localização e prisão do segundo envolvido. Os outros dois suspeitos seguiam foragidos.

Um rodízio entre os policiais começou a ser feito, para que a perseguição não cessasse. O tenente coronel Gilberto participou diretamente das operações, revezando com o capitão Pires. Depois de 53 horas de buscas, já na quinta-feira, os dois últimos integrantes do grupo foram presos no matagal. 

Mais descobertas

Levados para a Delegacia de Capelinha, novas revelações. Primeiro, que o carro tinha sido roubado, em setembro, em Belo Horizonte e que tinha sido clonado. O responsável por isso, AELC, que estava foragido da Penitenciária Dutra Ladeira.

Um dos sequestradores revelou ainda que o plano era levar a família do gerente para Coronel Murta, onde seria mantida refém, até que o gerente retirasse o dinheiro do banco.

Por último, foi descoberto que duas mulheres estavam envolvidas com a quadrilha. FBA era colaboradora do bando e foi presa em Capelinha e, SPC, outra colaboradora, foi presa em Turmalina.

O balanço final da operação, além das seis prisões, contou com  a apreensão de um automóvel Prisma, uma motocicleta CB 300; dois revólveres calibre 38; munições do mesmo calibre. Os autores presos foram levados à Delegacia de Polícia Civil em Minas Novas, onde foi ratificada a prisão em flagrante e os veículos apreendidos encaminhados ao Pátio credenciado pelo Detran–MG no mesmo município.


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