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Estado de Minas FAUNA EM AGONIA

Morre lobo-guará encontrado em fazenda de São Miguel do Cajuru, em São João del-Rei

Vítima dos incêndios florestais, o animal de 15 anos foi levado para uma clínica da Universidade Federal de Lavras


13/10/2020 11:55 - atualizado 13/10/2020 13:10

Lobo com queimaduras foi encontrado em São João del-Rei(foto: Reprodução da internet/WhatsApp)
Lobo com queimaduras foi encontrado em São João del-Rei (foto: Reprodução da internet/WhatsApp)
Final infeliz na história do lobo-guará encontrado no distrito de São Miguel do Cajuru, em São João del-Rei, na Região do Campo das Vertentes, em Minas. Vítima dos incêndios em matas da região, o animal morreu na clínica veterinária da Universidade Federal de Lavras (Ufla), para onde foi levado na sexta-feira (9), após ser resgatado, com queimaduras, numa fazenda.

 

Chuva não põe fim à agonia dos animais, principalmente do lobo-guará 


Segundo informou na manhã desta terça-feira (13) o sargento Ricardo Braga, do Corpo de Bombeiros de São João del-Rei, que atendeu a ocorrência, o animal estava muito queimado e certamente ficou encurralado pelas chamas, procurando um local para se esconder. Depois não conseguiu sair. Encontrado por pessoas da fazenda, o guará foi resgatado.

"É muito triste o que está acontecendo na região. Já encontramos onça com a pata queimada, gambá com o corpo todo queimado e outros bichos nessa situação", disse o militar. Ele disse ainda se tratava de um macho alfa do grupo, um adulto de 15 anos, com 1,20m de comprimento. "Era mais velho, estava com catarata", disse o bombeiro. Conforme as imagens de um vídeo, o lobo-guará se contorcia em agonia.

Vida silvestre

O lobo-guará é encontrado do Sul da Amazônia ao Uruguai, excetuando-se o litoral, picos de altitude e a mata atlântica. É canídeo por ser família do cachorro, do cachorro-do-mato, do coiote, do chacal, da raposa e dos lobos europeu, norte-americano e canadense – o Canis lupus. E é o maior canídeo da América do Sul, porque a fêmea mede 90cm e o macho 95cm, aproximadamente – e da ponta do focinho até a ponta do rabo 1,45m. As patas são altas para facilitar o movimento nos campos, já que é um animal do cerrado.

Os pesquisadores dizem que o Chrysocyon brachyurus não é animal das matas fechadas, mas espécie campestre, que anda em estradas e trilhas e onde há campos com baixa vegetação.

Estima-se que a espécie viva 16 anos, pese em média 25 quilos e ande 30 quilômetros por noite nas suas caçadas. Trata-se de um animal de hábitos noturnos, mais ágil ao entardecer e ao amanhecer. Durante o dia, fica descansando sobre a relva, deitando-se cada dia em um lugar, jamais em tocas. O Chrysocyon brachyurus é onívoro, portanto, come de tudo - dos pequenos animais, rato, gambá, coelho, coelho-do-mato, preá, cobra, sapo; das aves, jacu, saracura e outras. Por sinal, precisa dos pelos dos animais e das penas das aves para facilitar os movimentos peristálticos, da digestão. Gosta também de frutas, como a fruta-do-lobo ou lobeira, pêssego, maracujá, goiaba etc. Além disso, é atraído por cheiros fortes, como o de frutas e comida.


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