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Estado de Minas INJÚRIA RACIAL

Homem é preso após ameaçar seguranças e chamar um deles de 'macaco' na rodoviária de BH

Segundo a PM, ataques ocorreram depois que o agressor foi impedido de entrar no local sem máscara. Administração diz que homem estava seguindo uma passageira para pedir dinheiro. Ele foi levado para uma delegacia


01/10/2020 07:32 - atualizado 01/10/2020 11:33

Entrada da rodoviária de Belo Horizonte, no Centro(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Entrada da rodoviária de Belo Horizonte, no Centro (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


Um homem de 44 anos foi detido no Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro, no Centro de Belo Horizonte, por ameaça e injúria racial contra dois seguranças. Os crimes ocorreram na tarde dessa quarta-feira. Segundo a administração da rodoviária, ele estaria com sinais de embriaguez e estava pedindo dinheiro a uma passageira. 

De acordo com a Polícia Militar (PM), os dois seguranças, de 27 e 46 anos, disseram que estavam no horário de trabalho quando um homem tentou entrar na rodoviária sem máscara, alegando ser carregador de bagagem. Eles disseram que ele não poderia ficar no terminal sem a proteção contra o coronavírus, que é de uso obrigatório na capital desde abril

No entanto, o homem se revoltou e começou a ameaçá-los. Segundo a PM, consta no boletim de ocorrência que ele disse “lá fora eles veriam”, que os seguranças “eram homens lá dentro, mas lá fora eram uns lixos” e ainda chamou o segurança mais velho de “macaco” e “negão folgado”. 

Os seguranças chamaram a PM, que deteve o agressor em flagrante. O homem de 44 anos foi levado à Central de Flagrantes da Polícia Civil (Ceflan) 2. 

Nesta manhã, a Polícia Civil informou que os envolvidos prestaram depoimento e o delegado instaurou um procedimento para apurar o caso. “O suspeito pode responder pelos crimes de injúria e ameaça. As investigações prosseguem para a completa apuração dos fatos”, informou a instituição. 

O crime de injúria racial consta no parágrafo 3º do  Artigo 140 do Código Penal Brasileiro como ato de injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade e o decoro utilizando elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A pena é de prisão de um a três anos e multa. 

O que diz a administração da rodoviária


Questionada pela reportagem do Estado de Minas, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), que administra a rodoviária de BH, informou que apurou os fatos e confirmou que o agressor não trabalha no terminal. “Após a verificação, constatou-se que o autor da injúria racial mencionada não era um carregador de bagagem, mas sim um homem que, apresentando sinais de embriaguez e sem uso de máscara, estava pedindo dinheiro em tom agressivo a uma usuária em seu trajeto até a entrada do terminal”, diz a nota enviada pela assessoria de imprensa da Codemge. 

Segundo a companhia, a abordagem dos funcionários foi no sentido de alertar o homem de que a prática é proibida no local. “Ao perceber a situação, dois vigilantes da rodoviária abordaram o indivíduo, informando que a prática não é permitida no terminal, conforme procedimento padrão. O homem já havia sido abordado minutos antes, pelo mesmo motivo. Neste momento, o homem proferiu ameaças aos dois vigilantes, cometendo também injúria racial a um deles. Diante da situação, a Polícia Militar foi acionada pelos vigilantes e aberto boletim de ocorrência. O agressor foi levado pela PM ao Ceflan 2”, explica a Codemge. 

A companhia ressalta que os funcionários são orientados a comunicar a Polícia Militar qualquer tipo de agressão, ameaça ou injúria racial. Os supervisores internos também devem ser acionados para acompanhar os trâmites. 


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