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Estado de Minas OPERAÇÃO NEVERLAND

Esquema de venda ilegal de lotes na Grande BH é desmantelado e grileiro preso

Prejuízo ultrapassa os R$ 20 milhões; grileiro preso tinha influência na política local há pelo menos 10 anos e contava com apoio de setores da prefeitura para cometer os crimes


29/09/2020 13:30 - atualizado 29/09/2020 13:41

Material apreendido na operação(foto: Divulgação/Polícia Civil de Minas Gerais)
Material apreendido na operação (foto: Divulgação/Polícia Civil de Minas Gerais)
Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais desmantelou um esquema de venda ilegal de lotes em Santa Luzia, na Grande BH, e terminou com a prisão de um dos maiores grileiros da Região Metropolitana. Os prejuízos causados pelos crimes ultrapassa a cifra dos R$ 20 milhões.

As investigações apontam que o grileiro preso tinha influência na política local e contava com apoio de setores do poder público para cometer os crimes. Foram feitas, também, nove buscas em imóveis de Santa Luzia e de Belo Horizonte. Foram apreendidos diversos contratos, celulares, computadores, um carro e uma arma.

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram a partir de uma suspeita levantada em 2017. "Percebemos a existência de um comércio de loteamentos clandestinos, uma grande área sem nenhum tipo de autorização oficial para ser repartida e comercializada em lotes individuais", esclareceu a delegada Bianca Prado. No caso, eram áreas verdes desmatadas pelos criminosos ou locais de bota-fora.

Por meio de documentos que citavam decretos de autorização que não existiam, os criminosos vendiam terrenos que variavam entre R$ 40 e R$ 100 mil e tinham até 200 metros quadrados de extensão. A promessa é que o lote com a condições para construção - com rua, energia elétrica e saneamento básicom, conforme prevê a lei - seria entregue aos compradores no prazo de seis meses a um ano, mas nunca saíam do papel.

A estimativa da Polícia Civil é que mais de 100 famílias tenham sido vítimas do esquema. "Sabemos de um caso de uma família que vendeu casa e carro para comprar dois loteamentos e a pessoa chegou a tentar suicídio", detalha a delegada.

O prejuízo para os cofres públicos chega à cifra de R$ 3,2 milhões só de multas ambientais não pagas. "Além disso, cabe à prefeitura regularizar a área que já foi mexida, o que seria papel da imobiliária. Não sei qual seria a estimativa desse valor", comenta a delegada.

Dentro do esquema, há a suspeita da atuação de um escritório de advocacia, responsável pela regularização da área de bota-fora. "Um espólio que nunca teve autorização para comercialização. O escritório faz a parceria com o criminoso e se transforma em um comércio irregular", comenta.

As investigações ainda seguem, com os materiais que foram apreendidos pela Polícia Civil. Os envolvidos deverão responder por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e uma série de crimes ambientais. "Isso é a ponta do iceberg. Outras pessoas vão aparecer, ainda mais que a influência dele no meio político era forte há pelo menos 10 anos", conclui Bianca Prado.
 
* Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.  


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