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Estado de Minas ATÉ 100 ANOS DE PRISÃO

Servidora de Cordisburgo é acusada de vender 8 celulares da prefeitura

Inquérito comprovou que a funcionária pública atuava ao lado do então namorado e de sua filha adolescente, e teria repassado os aparelhos avaliados em R$ 26 mil


18/09/2020 15:20 - atualizado 18/09/2020 15:36

Sete dos oito aparelhos desviados pela servidora foram recuperados e devolvidos à Prefeitura de Cordisburgo(foto: Polícia Civil/Divulgação)
Sete dos oito aparelhos desviados pela servidora foram recuperados e devolvidos à Prefeitura de Cordisburgo (foto: Polícia Civil/Divulgação)
A Polícia Civil concluiu nessa quinta-feira (17) inquérito policial que apura crime de peculato supostamente praticado por uma servidora pública da Prefeitura de Cordisburgo, cidade localizada na região Central de Minas Gerais. Após três meses de investigação, policiais comprovaram que a servidora, que geria o contrato entre o município e uma operadora de telefonia móvel, se apropriou indevidamente, em junho e em outubro de 2019, de oito telefones celulares de última geração, novos, que haviam sido fornecidos pela operadora a título de comodato.

Ela teria vendido os aparelhos para terceiros em coautoria com o então namorado dela e sua filha adolescente. Esses aparelhos estavam avaliados em aproximadamente R$ 26 mil.

Foram realizadas diligências em Cordisburgo, Paraopeba, Santana de Pirapama, Sete Lagoas, Belo Horizonte, São Sebastião do Anta e Inhapim, sendo identificados e ouvidas aproximadamente 20 pessoas que compraram, revenderam ou utilizaram os aparelhos.

As investigações ainda demonstraram que a servidora, buscando dificultar a ação da polícia e obter vantagem financeira, chegou a solicitar que alguns dos usuários dos celulares desligassem a função de rastreador dos aparelhos, o que impediria a sua localização pela polícia.

A Polícia Civil constatou ainda que, em pelo menos uma das vendas realizadas, a servidora e o seu namorado se desentenderam em relação ao valor pago pelo comprador. Ela exigiu que o novo proprietário, após já estar em posse de dois telefones, pagasse mais R$ 1 mil, sob ameaça de bloqueio dos celulares.

A servidora teria tentado, de acordo com a polícia, interferir no andamento do processo administrativo instaurado pela Prefeitura de Cordisburgo para apurar sua conduta. A investigação mostrou que que ela invadiu o e-mail corporativo da presidente da comissão processante, onde havia mensagens sobre o processo, e teria apagado algumas delas, o que pode ter prejudicado o julgamento do caso no âmbito administrativo, no qual a servidora foi punida com 45 dias de suspensão.

O município colaborou com as investigações da Polícia Civil e não foi apurada a participação de nenhum outro servidor nas condutas ilícitas.

Dos oito celulares indevidamente apropriados pela servidora, sete foram recuperados, os quais foram restituídos ao município. Esses sete aparelhos estão avaliados em aproximadamente R$ 23 mil.

Foi apurado também que alguns dos indivíduos que compraram, venderam ou usaram os telefones o fizeram de boa-fé. Desta forma, não serão indiciados pela Polícia Civil.

A servidora pública municipal e outros três investigados foram indiciados pela prática de diversos crimes, entre eles peculato, associação criminosa, advocacia administrativa, corrupção de menores, invasão de dispositivo informático, fraude processual, estelionato e extorsão. As penas máximas cominadas aos crimes, somadas, pode ultrapassar 100 anos de reclusão.

O inquérito policial foi encaminhado pela Polícia Civil ao Ministério Público e os investigados responderão a processo criminal perante à Justiça em Paraopeba.


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