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Estado de Minas FOGO NO PANTANAL

Veterinários mineiros atuam como voluntários no resgate de animais no Pantanal

Ainda com metade de setembro por vir, o Pantanal já bateu o recorde histórico de queimadas para todo o mês


17/09/2020 18:47 - atualizado 17/09/2020 19:42

Liderados pelo professor de curso de Medicina Veterinária, Aldair Woyames, cerca de 15 voluntários participam da ação(foto: Aldair Woyames/Divulgação)
Liderados pelo professor de curso de Medicina Veterinária, Aldair Woyames, cerca de 15 voluntários participam da ação (foto: Aldair Woyames/Divulgação)
Uma equipe de veterinários voluntários mineiros pertencentes ao Grupo de Resgate Animal do UNI-BH em parceria com o Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD) foi até o Pantanal para atuar no resgate da fauna e auxiliar no cuidado aos animais silvestres atingidos pelos incêndios que acontecem na região. Liderados pelo professor de curso de Medicina Veterinária, Aldair Woyames, cerca de 15 voluntários participam da ação.

O Grupo foi convocado ao local pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG) e a  pedido do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Mato Grosso (CRMV-MT). A equipe conta com médicos veterinários, bombeiros, voluntários e alunos de veterinária. 



“A situação está triste e negligente. A quantidade de pessoas trabalhando, soldados empenhados, é muito pequena. A quantidade de pessoas do poder público é muito pequena. Apesar de termos sido muito bem recepcionados pelo Coronel Barroso, que está à frente da contenção dos incêndios, podemos perceber que a quantidade de pessoas empenhadas é baixa, inclusive na área da veterinária. A destruição é inacreditável e incalculável”, contou o Professor Aldair ao Estado de Minas.

Ainda com metade de setembro por vir, o Pantanal já bateu o recorde histórico de queimadas para todo o mês. Setembro de 2007 detinha o posto de maior número de incêndios no bioma, com 5.498 focos de calor registrados pelo Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O valor era o terceiro maior registro de fogo para qualquer mês em toda a história documentada do Pantanal, ficando atrás somente dos 5.993 focos de incêndio observados em agosto de 2005 e dos 5.935 focos de agosto deste ano. O número de focos neste mês está 188% acima da média histórica do Inpe para setembro, que é de 1.944 pontos de incêndio.

Segundo o professor Aldair, o resgate de animais na região é complicado e precisa de cuidados, isso porque, em paralelo, existe também um trabalho de assistência aos animais.

Na última semana, o grupo liderado por ele em conjunto com a ONG Ampara realizou um resgate de uma onça pintada no Parque Encontro das Águas, santuário do felino. “Além do salvamento da onça, conseguimos ajudar outros animais como pacas, lontras, ariranhas, viados campeiros e uma boa quantidade de aves. Apesar disso, o número de animais encontrados mortos é muito maior.”

Ele explica que os animais mortos são encontrados de duas maneiras: vítimas diretas (quando acabam morrendo por causa do fogo) e vítimas indiretas (quando morrem por consequências do fogo).


"Brasil está de parabéns"


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (17) que o “Brasil está de parabéns” pela forma como preserva o seu meio ambiente. A declaração foi dada durante a inauguração de uma usina fotovoltaica no interior da Paraíba e ao mesmo tempo que o fogo consome o pantanal.

“Eu não vejo isso. Não vejo esforço nenhum do poder público. Eu estive lá, vi com meus próprios olhos e nada está sendo feito. As pessoas publicam que 40% do fogo consumiu os parques, foi muito mais que isso… cerca de 70%. O pantanal está destruído”, conta Aldair.


Como Ajudar?

As doações para os voluntários estão sendo recolhidas através do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG) nas redes sociais. 

“É importante relembrar que muita gente que quer ajudar quer fazer o braçal, e isso é muito perigoso. Como é um local de muito risco, não podemos colocar voluntários sem treinamento. O voluntário que não sabe lidar com o fogo acaba atrapalhando, em vez de ajudar. Por isso, estamos recolhendo doações para os voluntários que já estão lá. O dinheiro é revertido para o cuidado com os animais.” 


Para acompanhar o projeto no Instagram: 
 
*Estagiária sob supervisão da editora Liliane Corrêa 


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