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Estado de Minas

Estações Venda Nova e Vilarinho ficam abarrotadas após suspensão de ônibus

Após queima do 5° coletivo na capital em 7 dias, serviço de transporte foi interrompido até o dia clarear, causando atrasos e aglomerações


17/09/2020 07:26 - atualizado 27/09/2020 11:27

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
As estações Venda Nova e Vilarinho - os dois maiores pontos de integração do sistema de transporte de Belo Horizonte - transbordam de passageiros na manhã desta quinta-feira (17). A aglomeração é causada pela suspensão da circulação de coletivos durante a madrugada em toda a cidade, devido à queima de mais um ônibus na Grande BH - o quinto em menos de uma semana.



Na noite dessa quarta (16), o coletivo da linha 607 (Estação Vilarinho / Esplendor) foi incendiado em Ribeirão das Neves por quatro criminosos encapuzados e armados com submetralhadoras.  Com isso, Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) orientou as concessionárias a interromperem o fluxo de veículos até que o dia clareasse, sob alegação de falta de segurança para operar. O movimento só foi retomado às 6h. 

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Sem transporte, os passageiros se arranjam como podem para chegar às estações. Alguns vieram de Uber. Outros, de carona. Houve quem pegasse linhas metropolitanas e completasse o restante do percurso à pé. Muita gente vai chegar atrasada ao trabalho.

É o caso do porteiro Rodrigo Rubens, cujo expediente se inicia às 6h. Ele conta que sai de casa, normalmente, às 4h30 e chega à Estação Venda Nova às 5h. De lá, toma outra condução rumo ao Centro. Ele calcula que chegará ao trabalho com cerca de uma hora de atraso.

"Hoje, como não teve ônibus na cidade, eu tive que pegar um do DER, com passagem mais cara, para conseguir chegar à estação. Só que eu cheguei aqui e já estou há uma hora esperando, pois só tem ônibus à partir das 6h, quando eu já deveria estar começando a trabalhar. Paciência", lamenta o passageiro.

A técnica de enfermagem Célia Maria Soares, que trabalha no centro de hemodiálise do Hospital da Baleia, estima que seus pacientes ficarão esperando por ela por ao menos duas horas. A profissional começa a trabalhar às 5h30. Às 6h, quando os ônibus começaram a circular, ainda estava na estação. "Peguei um Uber para chegar até aqui. Cheguei por volta de 5h. Quando vi que os ônibus ainda iam demorar, tentei pegar um ônibus do lado de fora da estação, na avenida, mas não passou nenhum. O jeito é esperar", conforma-se. 

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Quando os coletivos finalmente chegaram, muitos passageiros, irritados com o atraso, embarcaram reclamando. Sobrou desaforo para o motorista Robson Magela, da linha 621 (Estação Venda/Lagoa). Ele relata que, normalmente, começaria a rodar às 4h. Hoje, começou às 6h, com medo ser ser agredido pela multidão. 

"Foi o vandalismo que prejudicou bastante as pessoas, né? O motorista trabalha com medo constante. Com medo de danos físicos causados tantos pelos passageiros, quanto pelos bandidos. No caso da queima dos ônibus, já houve casos em que o motorista não teve tempo de sair do carro", comenta.

Segundo a BHTras, o intervalo entre as saídas dos ônibus MOVE foram incurtados para absorver o público aglomerado as estações. 


Ataques recorrentes 

O veículo queimado na noite de ontem em Ribeirão das Neves é o quinto em menos de uma semana. Na segunda-feira (14), um ônibus metropolitano da linha 5500, que liga os bairros Morro Alto e Serra Dourada, incendiado por dois bandidos. A dupla deixou com o motorista um bilhete que expõe a suposta motivação do crime. O ato seria um protesto por melhor tratamento aos detentos da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. 

No sábado (12), criminosos atearam fogo em um veículo da linha 705, que faz o trajeto Solimões-Estação São Gabriel. Três homens abordaram o ônibus, roubaram os passageiros e exigiram que todos saíssem antes de incendiar o coletivo. 

Na sexta-feira (11), um veículo da linha 825 (Estação São Gabriel / Vitória II via UPA Nordeste) também foi atacado. Desta vez, por oito criminosos armados, que cercaram o ônibus com dois carros.

O primeiro ataque ocorreu no dia 9 de setembro, no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste da Capital. Três homens renderam o motorista da linha 5502 C (Pousada Santo Antônio), mandaram que ele se retirasse e botaram fogo no automóvel. O trio disse que estava a serviço de presos da Nelson Hungria.


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