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Estado de Minas O OUTRO LADO

Apesar da liberação, alguns donos de bares de BH preferem não reabrir agora

Empresários alegam que perigo da transmissão da COVID-19 ainda é grande e lembram que pode haver desperdício de mercadorias em caso de novo fechamento


28/08/2020 20:07 - atualizado 28/08/2020 21:02

Dono da Casa Ávila, Hebert Ávila Nunes diz que prefere aguardar um pouco mais para voltar à ativa(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Dono da Casa Ávila, Hebert Ávila Nunes diz que prefere aguardar um pouco mais para voltar à ativa (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 
A ansiedade nos últimos dias pela reabertura de bares e restaurantes em Belo Horizonte não atinge exatamente todos os empresários do setor. Apesar das perdas financeiras desde o início da pandemia do coronavírus, em meados de março, vários proprietários de estabelecimentos mantêm a cautela e optam por não voltar às atividades neste momento, mesmo com a liberação gradual da prefeitura para o funcionamento dos espaços.

Depois de acordo entre a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel) e a prefeitura, os bares poderão vender bebidas a partir de 4 de setembro
 
Para justificar a decisão de não abrirem o negócio agora, os empresários mais receosos levam em consideração o perigo do contágio do coronavírus em funcionários e o risco de desperdício de mercadorias, caso a PBH coloque novas restrições ao setor.

Segundo o prefeito Alexandre Kalil, as taxas de transmissão por infectado e a quantidade de leitos de UTI e enfermarias vão ajudar a determinar o avanço na reabertura de novos setores da economia.

Enquanto alguns donos de bares se apressam para repor os prejuízos, o empresário Hebert Ávila Nunes, de 40 anos, mantém a tranquilidade. Proprietário do bar e choperia Casa Ávila, no Bairro União, na Região Norte da capital, ele entende que é preciso esperar um tempo a mais para que as políticas de reabertura sejam mais bem definidas. 

"É uma situação bem complicada. Estamos parados há muito tempo, mas ponderamos algumas coisas nesse tempo. Ainda há muitos casos de gente adoecendo em Belo Horizonte e seria um perigo expormos nossos funcionários. Nossa equipe é enxuta. Além disso, temos toda uma estrutura para comprar e repor estoques, ligar equipamentos de refrigeração, que normalmente consomem muita energia", ressalta o empreendedor. 

Durante a pandemia, Hebert teve de demitir uma funcionária e readequou outros dois no Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, criado pelo Governo Federal. Logo, ele arcou com apenas uma parte do salário de ambos, o que deu novo fôlego em suas despesas.

Além disso, renegociou várias dívidas com fornecedores. Ainda assim, o prejuízo no faturamento foi de 90% - o serviço de delivery funciona à noite.

O empresário lembra ainda que sua clientela também não está segura em se arriscar a ir ao estabelecimento: "Conversamos com alguns clientes, que estão no nosso cadastro. A grande maioria disse que não está confortável em sair para ir ao bar. E corre risco de abrirmos o espaço e ele ficar vazio".
 

Momento para obras 


Dono da rede Mercearia 130, na Região Centro-Sul, Marco Lucchese, de 33, precisou demitir cerca de 40 funcionários e reduzir o salário dos demais para sobreviver em meio à pandemia.

Apesar disso, ele entende que é preciso sabedoria para voltar a trabalhar com tranquilidade. No período em que ficou sem trabalhar, o empresário aproveitou para remodelar o espaço.

"Eu estava com certa ansiedade, mas não podemos abrir a todo custo. A primeira determinação de reabertura estipulada pela prefeitura seria de segunda a sexta-feira. Caso fosse assim, não conseguiria ter bom retorno. Além disso, estou finalizando uma obra e aproveitei esse tempo para dar rejuvenescida na casa. Pintei novamente, troquei os toldos, consertei as mesas. Estou usando esse tempo para terminar a obra", afirma Marco. 


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